25 ANOS DEPOIS É NOTÓRIO O CONTRIBUTO DO CISM PARA O DISTRITO DE MANHIÇA


Administradora do Distrito, Cristina Xavier

Desde 1996, crianças, homens e mulheres do Distrito da Manhiça, têm testemunhado o crescimento de Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM). Estes não são apenas testemunhos, são também actores chave do seu desenvolvimento, pois, graças a sua participação e colaboração em diferentes estudos desde a criação do Centro, o país e o mundo pôde beneficiar de novas ferramentas de prevenção e tratamento contra algumas das doenças que mais afectam as populações mais vulneráveis.


Durante o evento comunitário que marcou o encerramento das celebrações dos 25 anos do CISM a Administradora do Distrito, Cristina Xavier, comentou que “as actividades implementadas pelo CISM nos últimos 25 anos, permitiram melhorar alguns dos indicadores de saúde no nosso distrito, mas também, à nível provincial e nacional, ademas o Centro tem ajudado o distrito a combater aquelas doenças como a malária, o HIV/SIDA, a tuberculose, as doenças diarreicas, as pneumonias e outras doenças bacterianas invasivas que mais matam em particular as nossas crianças e mulheres grávidas.”


A Administradora acrescentou a título de exemplo que, “hoje estamos a vacinar as nossas meninas contra o Vírus de Papiloma Humano (HPV), em parte também graças ao conhecimento produzido por este Centro, que permitiu a introdução da vacina contra o HPV no calendário de vacinação, no final do ano passado. Mais recentemente, com a eclosão da pandemia da COVID-19 ,o Centro reuniu todos os seus esforços para apoiar o distrito na luta contra a pandemia, em diferentes âmbitos: social, epidemiológico e na geração de evidência científica, tendo destacado uma equipa de médicos, técnicos de medicina, enfermeiros, auxiliares, motoristas, inquiridores, e técnicos de ciências sociais, assim como de meios circulantes para dar apoio na prestação de assistência clínica e as actividades de consciencialização e prevenção ao nível da comunidade; e contribuído também para a testagem da COVID-19 no país, fazendo parte dos laboratórios de referência neste âmbito”.


Para além disso, Cristina Xavier reconheceu que graças ao seu sucesso nos últimos 25 anos, o Centro conseguiu colocar o nome do distrito da Manhiça e da sua comunidade no mapa do mundo, o que não teria sido possível sem a colaboração, contribuição e participação, de vários parceiros como é o caso do Governo de Moçambique, da Espanha, e de todas famílias do distrito da Manhiça que participaram e participam voluntariamente nos diferentes estudos e ensaios clínicos, a quem agradeceu.

Germildo Arão Felipe, ex-participante do estudo sobre a vacina contra a malária RTS´S

Durante o evento, pôde-se ouvir o testemunho de beneficiários directos de algumas das intervenções levadas a cabo pelo Centro no âmbito de alguns dos ensaios clínicos mais emblemáticos do Centro como é o caso do Germildo Arão Felipe e sua mãe. Germildo, que quando criança foi participante do estudo sobre a vacina contra a malária RTS´S, hoje jovem estudante, e sua mãe, reconhecem o papel do Centro na luta contra a malária. Germildo acompanhado por sua mãe, confessou que era muito pequeno na altura, e que “quando se fala do ensaio da vacina da malária, apenas me recordo que vinham umas enfermeiras ao hospital, picavam-nos uma vacina e depois nos davam bolachas”.


Disse também que “apesar disso, é para mim um orgulho saber que fui parte de um ensaio cujos resultados poderão ajudar não só as pessoas da Manhiça, como de todo o mundo”. Pediu, no entanto, que a sua mãe pudesse testemunhar, para melhor contar a sua história. Esta por sua vez revelou que desde que o seu filho tomou a vacina da malária no âmbito do ensaio da mesma, nunca mais teve a malária! Segundo ela, “ele costumava baixar por malária, mas desde então, nunca mais voltou a ter crises causadas por esta doença, até hoje”.


O distrito de Manhiça tem cerca de 208.000 habitantes, conta com dois Hospitais Distritais, e mais de 23 Centros de Saúde.

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