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A IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DE ESPÉCIES DE MOSQUITOS, PODE COLOCAR EM CAUSA AS ACTUAIS ESTRATÉGIAS DE CONTROLO DE VECTORES




A identificação morfológica das espécies de mosquitos é um primeiro passo importante para a compreensão da diversidade e abundância das espécies, no entanto, a identificação incorreta pode resultar na implementação de medidas de controlo de vectores menos eficazes e, consequentemente, colocar em causa os actuais esforços para a redução dos casos locais de malária. Esta é a constatação de um artigo recentemente publicado pela investigadora do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), Mara Máquina, num estudo que contou com a participação de outros investigadores do CISM e parceiros.

Algumas espécies podem ser categorizadas num grupo, quando na verdade, pertencem a outro

Segundo a entomologista, as espécies de mosquitos transmissores da malária (anófeles), podem diferir nos comportamentos de alimentação e repouso, o que afecta tanto os padrões de transmissão da malária como a eficácia das intervenções de controlo de vectores. No entanto, devido a vários factores com destaque para a capacidade (isto é, formação) de microscopistas para identificar espécies anofelinas, “algumas espécies podem ser categorizadas num grupo, quando na verdade, pertencem a outro, e evidentemente isso irá influenciar a eficácia das medidas de controlo vectorial a serem adoptadas e consequentemente, na evolução ou não dos casos da malária” comenta a investigadora.

é necessário melhorar os metodos de identificação morfológica de mosquitos anofelinos

Neste sentido, de acordo com Máquina, “é necessário que sejam mitigadas os factores ou desafios relacionados à identificação morfológica incorreta de mosquitos anofelinos, pois, uma melhor caracterização da diversidade e dos comportamentos das espécies locais de anofelinos permitirá melhorar as estratégias de vigilância entomológica, compreender melhor o impacto do controlo de vectores em cada espécie de vector local e identificar novas abordagens para atingir essas espécies de vectores”.


O estudo em causa, foi realizado no distrito da Manhiça, onde a equipa de entomologia utilizou a identificação molecular e sequenciamento para validar os resultados da identificação morfológica (com um foco particular no Anopheles pharoensis e Anopheles squamosus), e examinar mais de perto o grupo Anopheles coustani (que inclui Anopheles tenebrosus e Anopheles ziemanni). Do estudo realizado, a equipa constatou que 6,5% das espécies foram identificados morfologicamente incorretamente.


Mara Máquina, Entomologista

“Ainda na análise efectuada, foi possível constatar que em relação ao An. grupo coustani, a identificação morfológica mostrou que vários membros estão presentes no sul de Moçambique, incluindo An. coustani sensu lato (s.l.), An. ziemanni e An. Tenebrosos, e na análise efectuada, constatamos igualmente que, embora o Anopheles coustani contribua para a transmissão (residual) da malária na África Subsaariana, poderá desempenhar um papel na malária persistente observada no sul de Moçambique”, concluiu.


A unidade laboratorial de entomologia no CISM está focada no papel dos mosquitos na transmissão de doenças aos humanos, e no monitoramento da eficácia de ferramentas de controlo de vectores. Actualmente a pesquisa desta unidade, está virada para estudos sobre a transmissão residual da malária, as novas ferramentas de vigilância e controlo de vectores e sobre outros vectores presentes em Moçambique.


Referência

  • Máquina, M., Opiyo, M. A., Cuamba, N., Marrenjo, D., Rodrigues, M., Armando, S., Nhate, S., Luis, F., Saúte, F., Candrinho, B., Lobo, N. F., & Paaijmans, K. P. (2024). Multiple Anopheles species complicate downstream analysis and decision-making in a malaria pre-elimination area in southern Mozambique. Malaria journal, 23(1), 23. https://doi.org/10.1186/s12936-024-04842-0

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