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CISM CELEBRA A INTRODUÇÃO DE UMA NOVA ESTRATÉGIA (QPM) CONTRA A MALÁRIA


Ministério de Saúde introduz Quimioprevenção Perenal da Malária (QPM)

De acordo com o Inquérito Demográfico de Saúde (IDS) de 2018, a malária continua a ser um problema de saúde pública em Moçambique sendo endémica em todo o país, variando de zonas híper-endémicas ao longo do litoral, zonas meso-endémicas nas terras planas do interior e de algumas zonas Hipo-endémicas nas terras altas do interior. Vários factores contribuem para esta endemicidade, desde as condições climáticas e ambientais como as temperaturas favoráveis e os padrões de chuvas, bem como locais propícios para a reprodução do vector, e o Plasmodium falciparum é o parasita mais comum, sendo responsável por mais de 90% de todos os casos de malária.

O MISAU decidiu adoptar a Quimioprevenção Perenal da Malária (QPM), uma ferramenta na qual o CISM, colaborou para o seu desenvolvimento e introdução no país.

Face a endemicidade da malária em Moçambique, o Ministério da Saúde (MISAU) através do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), adoptou sob recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) um conjunto de estratégias ou ferramentas para lutar contra a malária, nomeadamente o diagnóstico atempado da malária com uso do Teste Rápido de Diagnóstico da malária, a terapia combinada à base de artemisinina, a Pulverização Intradomiciliária, a distribuição de Redes mosquiteiras tratadas com Insecticida e o Tratamento Intermitente Preventivo da malária na mulher grávida. Contundo, devido a prevalência da doença, o Ministério da Saúde, decidiu no passado mês de Dezembro, adicionar ao pacote actual de intervenções a Quimioprevenção Perenal da Malária (QPM), uma ferramenta na qual o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, colaborou bastante para o seu desenvolvimento e introdução no país.

O CISM avaliou pela primeira vez a estratégia de Tratamento Intermitente Preventivo da malária em crianças menores de 1 ano de idade (TIPi) ou IPTi tendo demonstrado que essa estratégia era eficaz e custo efectiva na prevenção da malária...

De acordo com o Director Geral do CISM, Francisco Saúte, o contributo do CISM remonta há 20 anos através, de estudos que avaliaram esta estratégia pela primeira vez. “O CISM fez parte, juntamente com outros centros de pesquisas de países africanos, do Consórcio (IPTi Consortium), que avaliou pela primeira vez a estratégia de Tratamento Intermitente Preventivo da malária em crianças menores de 1 ano de idade (TIPi) ou IPTi na sigla inglesa, tendo demonstrado que essa estratégia era eficaz e custo efectiva na prevenção da malária e suas consequências nas crianças alvo e, foi com base nos resultados desse projecto multicêntrico que a OMS veio a adoptar e recomendar essa estratégia para ser implementada em países com transmissão moderada a alta, através dos programas alargados de vacinação, como principal plataforma,” acrescentou.


O MULTIPLY é o primeiro piloto da QPM em Moçambique (Na imagem: criança tomando a medicação - Massinga)

De recordar que desde 2010, a OMS recomendava o TIPi ou IPTi em inglês, entretanto, com base em evidências científicas, em 2022, a OMS reviu a estratégia, tendo recomendado a sua extensão para além do primeiro ano de vida, até aos 24 meses de idade, tendo deixado de ser chamado TIPi passando a chamar-se QPM. Porém, apesar da eficácia e eficiência da QPM, na região africana, apenas a Serra Leoa estava a implementar esta estratégia. Neste contexto, o CISM junto a outros parceiros iniciou a implementação de um projecto denominado MULTIPLY, que visava pilotar a QPM em Moçambique, Togo (Universidade de Lomé) e Serra Leoa (COMAHS – Universidade de Serra Leoa).

Com o MULTIPLY, tivemos a oportunidade de em primeiro lugar, promover uma reflexão junto do MISAU e seus parceiros, sobre a necessidade de introdução da QPM

“Estamos satisfeitos porque, mais uma vez, estivemos envolvidos no ciclo completo do processo de pesquisa, nosso trabalho, cuja meta é a geração de evidência para informar o processo de tomada de decisão” considera Francisco Saúte. Ainda segundo Saúte, “com o MULTIPLY, tivemos a oportunidade de em primeiro lugar, promover uma reflexão junto do MISAU e seus parceiros, sobre a necessidade de introdução desta estratégia (QPM), a luz das novas evidências e, em segundo lugar, o projecto iniciou a implementação piloto da QPM, na forma de pesquisa operacional, de modo a avaliar a sua viabilidade e custo efectividade, quando implementada através do próprio sistema nacional de saúde.”


Para além do Ministério da Saúde através do PNCM, do Departamento de Saúde Familiar e do Programa Alargado de Vacinação, em Moçambique, o projecto MULTIPLY envolve também o Instituto de Saúde Global da Barcelona (ISGlobal) que coordena o projecto a nível global que decorre sob o financiamento da European & Developing Countries Clinical Trials Partnership (EDCTP), com o apoio adicional da Fundação Bill e Melinda Gates, da Fundação “la Caixa” e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). Internacionalmente, o projecto envolve ainda outros parceiros que incluem, a Universidade de Lomé (Togo), a COMAHS da Universidade de Serra Leoa, o Institut de Recherche pour le Développement (França) e a Medicines for Malaria Venture (Suíça).

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