CISM IMPLEMENTA ESTUDO SOBRE COVID-19 EM MOÇAMBIQUE (MozCOVID)



O Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), implementa desde 1 de Dezembro do corrente ano, um estudo denominado MozCOVID, que visa compreender a curva epidêmica e a história natural do síndrome respiratória aguda grave da coronavírus 2 (SARS-CoV-2) no distrito de Manhiça, através de uma série de indicadores epidemiológicos obtidos ao nível da unidade sanitária, de modo a fornecer recomendações baseadas em evidências para o gerenciamento e mitigação da epidemia da COVID-19.


Embora Moçambique tenha tido até agora poucos casos confirmados de COVID-19, não se sabe se as baixas taxas de teste e outros factores como as condições climáticas quentes, podem explicar a propagação aparentemente baixa do vírus. Porém, sabe-se que a COVID-19 é o exemplo paradigmático de como as doenças infecciosas podem ameaçar a saúde e a economia do mundo, e contribuem particularmente para o aumento das actuais desigualdades na saúde relacionadas à riqueza.


Neste sentido, este projecto pretende estabelecer uma vigilância de morbilidade e de mortalidade devido ao COVID-19 durante um período de 12 meses. A vigilância de morbilidade será realizada através da detecção passiva de casos graves de COVID-19 no Hospital Distrital da Manhiça (HDM), e através dela estimar a incidência específica por idade de COVID-19 grave. Na vigilância de mortalidade serão integradas todas as mortes que ocorrerem no HDM e também as mortes de crianças <5 anos de idade que ocorrerem na comunidade.


Segundo os pesquisadores envolvidos neste estudo, dois estudos transversais de sero prevalência de SARS-CoV-2, com espaçamento de 6 meses entre eles, serão realizados na comunidade de Manhiça e os participantes dos mesmos serão selecionados de forma aleatória entre os residentes da área sob vigilância demográfica e de saúde. Entretanto, a conscientização da comunidade sobre a COVID-19 e os objectivos do projecto será promovida por meio de actividades de engajamento entre líderes e membros da comunidade.


Ainda segundo os investigadores, este estudo poderá fortalecer as capacidades de vigilância da COVID-19 em Moçambique, através do desenvolvimento de abordagens de diagnóstico de SARS-CoV-2 (teste molecular e um imunoensaio inovador para detectar anticorpos contra o vírus), bem como abordagens de sequenciamento do genoma de SARSCoV-2 para identificar cadeias de transmissão. Com isto, o projeto buscará a criação de um banco de soro, de materiais e dados de vírus que estarão disponíveis para pesquisas de saúde de interesse público, incluindo o desenvolvimento de testes de diagnóstico.


Espera-se que os resultados deste estudo, possam produzir um impacto imediato na saúde pública a nível nacional, regional e global, melhorando o manejo, a prevenção e o controlo da epidemia da COVID-19, fornecendo recomendações baseadas em evidências que podem ser traduzidas em políticas de saúde pública.