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CISM PREVÊ MONITORAR ÁGUAS RESIDUAIS PARA AFERIR RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS


No âmbito de um estudo prospectivo multicêntrico de vigilância de águas residuais para a detecção de doenças infecciosas na África Subsaariana (Moçambique, África do Sul e Quênia) coordenado pela Universidade de Gothenburg, na Suécia, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), irá implementar na província de Maputo (Infulene) e no distrito da Manhiça, uma vigilância de águas residuais como método alternativo para detecção de doenças infecciosas e resistência aos antibióticos por um período de dois anos.

O esgoto contém material biológico que pode fornecer informações sobre a população conectada...

O projecto, liderado em Moçambique pelo Investigador do CISM, Inácio Mandomando, espera contribuir para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento e avaliação de águas residuais para a geração de dados de vigilância clinicamente relevantes de forma eficiente em termos de recursos. Isto porque, segundo o co-investigador do projecto, Delfino Vubil, “o esgoto contém material biológico como urina e fezes, proveniente de um grande número de indivíduos e pode fornecer informações sobre a população conectada ao sistema de esgoto. Esta análise de esgoto surgiu como uma abordagem atraente para diversos fins de vigilância relacionados à saúde humana, sobretudo num contexto de resistência aos antibióticos que é actualmente uma ameaça crescente à saúde pública global.”


O surgimento e disseminação de bactérias resistentes a antibióticos é de facto um problema global, e em particular para países em desenvolvimento devido a carga relativamente alta de doenças infecciosas, “e se não houver uma acção urgente, o mundo pode entrar numa era em que muitas infecções bacterianas que foram rotineiramente tratadas durante décadas podem matar novamente em larga escala,” comentou o co-investigador que é igualmente responsável do Laboratório do CISM.


A África Subsaariana é uma das regiões do mundo com menos controlo sobre o uso de antibióticos

Ainda segundo Vubil, a África Subsaariana representa uma região do mundo com um dos mercados menos controlados sobre o uso de antibióticos, assim como com falta de programas sobre o seu uso racional, num contexto caracterizado por sérios desafios relacionados com a higiene, saneamento do meio, qualidade da água e a alta densidade populacional, fenómenos que facilitam a transmissão de doenças infecciosas.


A vigilância contínua de resistências é fundamental na luta contra a resistência aos antibióticos pois pode servir como um sistema de alerta precoce para novas ameaças de resistência e ser usada para orientar e avaliar as intervenções de mitigação. Entretanto, para o sucesso desta intervenção é necessário que amostragem seja regular e que envolva o maior número de pessoas. Em Moçambique, a colheita de amostras de águas residuais municipais será feita na entrada da principal estação de tratamento de águas residuais de Infulene (província de Maputo) enquanto as águas residuais hospitalares serão recolhidas no Hospital Distrital da Manhiça. Por outro lado, vai-se realizar uma vigilância de infecções do trato urinário de modo a comparar a diversidade microbiana e perfil de resistência aos antibióticos.


Baseados em evidências, os resultados deste estudo, poderão dar suporte às políticas de saúde pública e ser uma componente importante para a avaliação das vigilâncias de resistências aos antibióticos com base em amostras de águas residuais. “Mas também, espera-se que o estudo possa juntamente com o envolvimento das partes interessadas, abrir caminho e ser um primeiro passo para a implementação de um sistema que possa aumentar drasticamente o banco de dados de vigilância de resistência aos antibióticos,” concluiu.

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