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CISM TESTA MEDICAÇÃO ADJUVANTE PARA O TRATAMENTO DE MALÁRIA GRAVE



A Malária representa um dos principais problemas de Saúde Pública no mundo em geral, e em Moçambique em particular. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, foram registados a nível global 249 milhões de casos e 608 000 mortes, a maioria dos quais em crianças menores de 5 anos da África Subsariana. Actualmente, o tratamento indicado para o tratamento da malária tanto em crianças como em adultos, é o artesunato intravenoso. No entanto, apesar do uso deste potente antimalárico, as taxas de mortalidade permanecem muito elevadas, pelo que há uma intensa busca global que visa melhorar o actual cenário, através da pesquisa de diferentes estratégias imunomoduladoras para melhorar os tratamentos antimaláricos. No entanto, até à data, nenhuma estratégia adjuvante demonstrou benefícios evidentes.


Neste contexto, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) em coordenação com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), sob financiamento da University Health Network (Rede Universitária de Saúde) de Canadá, realizou um estudo cujo objetivo principal era testar a segurança e eficácia da rosiglitazona como adjuvante ao tratamento padrão da malária severa em crianças, permitindo assim avaliar se a adição deste fármaco poderia melhorar o prognóstico dos casos de malária grave. A rosiglitazona é um antidiabético oral indicado para melhorar o controlo glicémico em adultos com diabetes. Porém, devido aos seus efeitos antioxidantes e antiinflamatorios, e depois de ter-se demostrado a sua segurança e a sua capacidade de melhorar o pronóstico em estudos pré-clínicos e com malária não complicada, a equipa de pesquisadores do CISM decidiu avaliar a sua eficácia para o tratamento de casos de malária grave.


Rosauro Varo, Pesquisador
Foram recrutadas 180 crianças do distrito da Manhiça

A pesquisa decorreu no âmbito do estudo ROSI (Rosiglitazone adjunctive therapy for severe malaria in children), ensaio clínico que foi implementado entre 2016 à 2019 no distrito da Manhiça: “No estudo recrutamos 180 crianças, das quais 91 receberam rosiglitazona e 89 placebo. Para além dos cuidados habituais contra a malária, foi administrada uma dose de 0,045 mg/dose de rosiglitazona duas vezes por dia durante quatro dias. As crianças que receberam rosiglitazona apresentaram uma taxa de declínio dos marcadores de gravidade mais acentuada em comparação com as crianças que receberam placebo; no entanto, a tendência não foi significativa”, comenta o primeiro autor do artigo e pesquisador do CISM, Rosauro Varo.


Varo conclui que “achamos que são necessários mais estudos em grupos mais amplos, de modo a melhor avaliar a sua contribuição para o tratamento de casos graves de malária, bem como, para justificar a sua recomendação para introdução como alternativa nos Sistemas Nacionais de Saúde”, comentou o Dr. Varo.


Referência

  • Varo, R., Crowley, V. M., Mucasse, H., Sitoe, A., Bramugy, J., Serghides, L., Weckman, A. M., Erice, C., Bila, R., Vitorino, P., Mucasse, C., Valente, M., Ajanovic, S., Balanza, N., Zhong, K., Derpsch, Y., Gladstone, M., Mayor, A., Bassat, Q., & Kain, K. C. (2024). Adjunctive rosiglitazone treatment for severe pediatric malaria: A randomized placebo-controlled trial in Mozambican children. International journal of infectious diseases : IJID : official publication of the International Society for Infectious Diseases, 139, 34–40. https://doi.org/10.1016/j.ijid.2023.11.031

  • World malaria report 2023. (2023). Geneva: World Health Organization.

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