DIA ABERTO DE PESQUISA EM SAÚDE DESTACA A PROMOÇÃO DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA



O Distrito de Marracuene, na província de Maputo acolheu, no dia 03 do corrente mês, a primeira edição do Dia aberto de Pesquisa em Saúde, evento que visava promover e apoiar a investigação em Saúde na Província de Maputo com vista influenciar a tomada de decisão em saúde, baseada em evidência científica.


Com o lema “Fortalecendo os Cuidados de Saúde Primários Através da Investigação Científica”, o encontro presidido pelo Director Provincial de Saúde, Daniel Arlindo Chemane, e pela Directora do Gabinete do Governador, Kátia Adolfo Comé, convidou os pesquisadores a reflectirem sobre disseminação de resultados de pesquisa e a fazer advocacia para o desenvolvimento multissectorial de projectos de pesquisa em saúde.


Em seu discurso de abertura, em representação ao Governador da Província de Maputo e do Conselho Executivo Provincial, Kátia Adolfo Comé, disse que o lema do evento abre espaço para que se usem os dados da Província para avaliação do desempenho do sector em relação às fragilidades e pontos fortes.


Segundo a Directora do Gabinete do Governador, o lema chama a atenção para considerar o envolvimento comunitário na investigação de factores sócio-culturais que afectam o desempenho dos cuidados de saúde prestados na comunidade, e, através da pesquisa, trazer dados para apoiar a tomada de decisão, desafiando os sectores para agirem com autoridade e mais determinação em acções coordenadas entre o Instituto Nacional de Saúde (INS), o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), o Fundo Nacional de Investigação (FNI), a Direcção Provincial de Saúde (DPS), os Serviços Provinciais de Saúde (SPS) e o Ministério da Saúde (MISAU).


O Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM) esteve em destaque no leque das apresentações feitas durante o evento. Para os temas relacionados às doenças respiratórias (COVID e TB), Khátia Munguambe apresentou "Percepções, cumprimento e praticabilidade das medidas de contenção da COVID-19 nos distritos da Manhiça". O estudo tinha como objectivo avaliar as percepções e a implementação das medidas recomendadas pelo Governo de Moçambique face à COVID-19 no distrito de Manhiça, onde constatou-se que existe conhecimento básico sobre a COVID-19 (“coronavírus”), e que o uso da máscara, distanciamento físico e confinamento são as medidas mais reconhecidas.


A pesquisa mostrou também que há falta de clareza sobre quarentena, distanciamento, aglomeração por parte dos participantes. A lavagem das mãos foi pouco mencionada e pouco cumprida, apenas participantes valorizam a lavagem das mãos após possível exposição, mas não para evitar contaminar superfícies e outras pessoas. O estudo constatou ainda que a mídia é uma das principais fontes de informação.



Em relação ao HIV foi apresentado o estudo "Doença avançada de HIV em Mulheres Grávidas no Distrito da Manhiça" por Tacilita Nhampossa, onde concluíu que, apesar de mais de duas décadas de implementação do TARV, uma proporção considerável de mulheres grávidas iniciam o seguimento pré-natal com doença avançada de HIV e que há necessidade de intervenções dirigidas às mulheres em idade fértil para um diagnóstico precoce do HIV, uma ligação imediata aos cuidados de HIV e uma constante monitoria após o início do TARV.


Outra pesquisa da área de HIV/SIDA foi "Percepções e Aceitabilidades da Administração da Dihidroartemisina-Piperaquina em Mulheres Grávidas Seropositivas na Manhiça" apresentado por Marisa Chivangue. Este estudo teve como objectivo geral identificar factores que facilitam e constituem barreira à toma do DHA-PPQ entre mulheres HIV positivas e negativas e descrever factores que influenciam a aceitabilidade da administração do DHA-PPQ em mulheres grávidas HIV positivo e negativo. O estudo, ainda em curso, determinou que existem algumas barreiras por ultrapassar na medida em que grande parte das mulheres não assume o seu estado como seropositivas, daí que se recusam a falar deste mesmo fármaco para evitar se expor.


"Causas de mortalidade em crianças menores de 5 anos no distrito da Manhiça" foi outro dos estudos apresentados no evento. António Sitoe revelou que as causas de mortalidade em crianças menores de 5 anos no distr