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DR. QUIQUE BASSAT É NOMEADO DIRECTOR-GERAL DO ISGLOBAL



O anúncio foi feito através de um comunicado oficial do Conselho de Patronos do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), no passado 24 de Novembro, no qual nomeia o Dr. Quique Bassat como novo Director-Geral da instituição, sucedendo ao Dr. Antoni Plasència, que dirige a instituição desde Outubro de 2014.


O Pediatra e epidemiologista Quique Bassat é Professor de Investigação do ICREA  (Institución Catalana de Investigación y Estudios Avanzados), Director do programa de Malária e Doenças Parasitárias Negligenciadas do ISGlobal, Professor Associado da Universidade de Barcelona e Investigador do Hospital Sant Joan de Déu. Bassat tem uma longa história de pesquisas no Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), onde combinou o seu trabalho clínico com a investigação biomédica sobre doenças infecciosas que afectam as populações mais vulneráveis, sendo as suas duas principais áreas de interesse a malária infantil e as infecções respiratórias (bacterianas ou virais).


De acordo com um comunicado do ISGlobal, Dr. Quique passou por um processo de selecção rigoroso composto por peritos nomeados pelo Conselho de Patronos, na qual, através de um concurso público e internacional, foi nomeado de forma unânime novo Director, devido à sua experiência científica, clínica e de translação comprovada e ao seu compromisso com a missão e os valores do ISGlobal. A sua experiência no terreno, a sua capacidade de liderar equipas multidisciplinares e a sua visão inovadora foram aspectos fundamentais na avaliação final do Comité.


No seu novo cargo de Director-Geral do ISGlobal a partir de Janeiro de 2024, Dr. Bassat será responsável por conduzir a instituição a um novo ciclo estratégico, mantendo o seu compromisso com a excelência na investigação, formação e translação, para promover a equidade na saúde em todo o mundo, especialmente entre as populações mais desfavorecidas.

Em breve entrevista, a equipa de comunicação do CISM buscou saber as aspirações do novo Director do ISGlobal para os próximos anos. Dr. Quique Bassat considera que o CISM é o grande pilar da sua carreira que lhe permitiu atingir cargos de destaque no Instituto de Saúde Global de Barcelona.


1. O que significa para si ser o Director-Geral do ISGlobal?

É uma honra, pois o ISGlobal é a “minha casa”. Sempre trabalhei nesta instituição ou em coredenção com ela. Portanto, ser director da instituição que me viu crescer é uma hora, mas também uma responsabilidade. Encaro esta nova responsabilidade com muito entusiasmo e como uma oportunidade de continuar a fazer um bom trabalho como temos feito historicamente.


2. Neste novo cargo, como que vê os próximos anos de trabalho e pensando mais a longo prazo, quais são as mudanças e permanências que prevê?

Ser Director-Geral significa que não poderei ser pesquisador a tempo inteiro. E não pretendo deixar de fazer pesquisa, pois, a pesquisa é “minha vida”. Porém, para dirigir uma instituição tão grande quanto o ISGlobal precisa-se fazer muito trabalho de gestão e nem tanto de pesquisa.  Esta é a grande mudança que vejo neste momento, além de continuar a influenciar estratégias científicas da instituição e as actividades de pesquisa, terei que dirigir equipas que estão a fazer essas tarefas.


3. Disse que tem uma relação de longa data com a ISGlobal. Quando inicia a trabalhar nesta instituição e quais os cargos que já desempenhou até chegar a direcção?

Entrei para o ISGlobal em 2004, um contrato que me levou directamente a Manhiça, ao CISM concretamente. No ISGlobal, primeiro fui pesquisador júnior, no momento em que fazia o meu doutoramento, depois passei para sénior. Em 2009 quando defendi a minha tese passei a ser professor assistente de investigação, investigador associado sénior, e depois, professor investigador até 2017 época em que assumi o cargo de Director de Programa da Malária, sucedendo o Dr. Pedro Alonso, cargo onde permaneci até me candidatar para Director-Geral do ISGloblal e felizmente fui selecionado.


4. O ISGlobal é um grande parceiro do CISM e o Dr. Quique conhece muito bem as duas instituições. Quais são as perspectivas em relação ao CISM agora no cargo de direcção? 

A minha intenção é continuar a fortalecer essa parceria preferencial que o ISGlobal tem com o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, pois, as duas instituições têm uma certa dependência de progressão. Esta é uma parceria bilateral que enriquece as duas instituições, e um verdadeiro exemplo daquilo que chamos win-win partership.

Iremos continuar a trabalhar com CISM auscultando as prioridades que a instituição tem identificado e ver como o ISGlobal pode contribuir para fortalecer a pesquisa realizada pelo CISM nas suas áreas prioritárias.


5. Tem colaborado com o CISM há muitos anos, inclusive já esteve baseado na Manhiça. Em que medida o trabalho desenvolvido no CISM contribuiu para o seu crescimento profissional?

Honestamente, eu não seria nada daquilo que sou hoje se não tivesse passado pela Manhiça. Eu me formei como pediatra e como pesquisador no CISM. Tudo o que aprendi sobre pesquisa foi na Manhiça. Sou eternamente grato ao CISM por ter contribuído para meu desenvolvimento profissional. No CISM, aprendi tudo que sei sobre malária, e ainda expandi em outras áreas de interesse como pneumonia, causas de morte, infecções em idade pediátrica e tenciono continuar a fazer pesquisa com os meus colegas do CISM nas suas áreas prioritárias que eu considero que são desafios de saúde global.


6. Quais os desafios que prevê como Director-Geral?

Há muitos desafios científicos, e estamos num mundo de muita crise. Temos a crise sanitária, crise na paz mundial, conflitos armados, fenómenos climáticos extremos, migrações, portanto, já não podemos olhar os desafios da saúde na versão mais clássica relacionados apenas as doenças. As doenças existem, mas existem num contexto climático, ambiental, socioeconómico, por isso, temos que olhar para elas de forma mais integrada.  


Contudo, há desafios de saúde que persistirão por muitos anos, como por exemplo, compreender as causas de morte em crianças que são as mais injustamente afectadas pelos problemas de saúde pública. Como pediatra pretendo contribuir para melhorar a sobrevivência infantil e tentar dar oportunidade às crianças que em outras épocas teriam morrido, mas que agora graças a vacinas e novas intervenções preventivas ou terapêuticas, têm mais esperança de sobreviver.

No ISGlobal teremos que nos alinhar com as prioridades de saúde do mundo ou da comunidade científica mundial. Temos também grandes desafios de sustentabilidade, pois somos uma instituição muito grande, com quase 600 pessoas, mas com financiamento core relativamente pequeno e teremos que ver como melhorar o financiamento core, igual ao que acontece na CISM.

Portanto, são muito desafios, mas abraço-os com muita humildade e desejo trabalhar tranquilamente nessa nova etapa da minha carreia e seguir inovando no desenvolvimento de novas ferramentas de saúde para as populações mais vulneráveis.

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