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ESTUDO DEFENDE INTEGRAÇÃO DO MICROBIOMA NA INVESTIGAÇÃO DA TUBERCULOSE NO PAÍS

Edson Mambuque, primeiro autor do artigo
Edson Mambuque, primeiro autor do artigo

A tuberculose (TB) continua a ser uma das principais causas de morte por doenças infecciosas em Moçambique e no mundo. Novas evidências científicas indicam, contudo, que o combate à doença deve ir além da bactéria responsável pela infecção, passando a considerar o papel do microbioma humano – conjunto de microrganismos que habitam o intestino e os pulmões.


Uma revisão científica recente, liderada por Edson Mambuque, investigador do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), destaca que a compreensão da interação entre a tuberculose e as chamadas “bactérias benéficas” do organismo pode abrir novas perspetivas para o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença, sobretudo em países com elevada carga de TB, como Moçambique.


Segundo o investigador, o estudo partiu da necessidade de compreender o corpo humano como um ecossistema integrado. “Procurámos perceber de que forma as bactérias que vivem naturalmente no organismo influenciam a suscetibilidade à tuberculose, a evolução da doença e a resposta ao tratamento”, explica.


Ao longo da última década, diversos estudos têm demonstrado que pessoas com tuberculose apresentam frequentemente desequilíbrios no microbioma intestinal, caracterizados pela redução de bactérias benéficas e pelo aumento de microrganismos oportunistas. No entanto, factores como a nutrição, o uso de antibióticos, a presença de comorbilidades, a localização geográfica e diferenças metodológicas entre estudos dificultam a comparação dos resultados.


Uma das principais conclusões da revisão é que os medicamentos utilizados no tratamento da tuberculose não afectam apenas a bactéria causadora da doença, podendo também comprometer microrganismos essenciais para o equilíbrio do organismo. Esta situação pode influenciar a recuperação dos doentes e aumentar o risco de efeitos adversos, como lesões hepáticas.


O estudo defende a adopção de abordagens científicas mais avançadas, incluindo a integração de métodos multi-ómicos, que permitem compreender não apenas a presença de microrganismos, mas também as suas funções e interações com o sistema imunitário. “Não basta identificar quais bactérias estão presentes; é fundamental perceber o que fazem e como interagem com o organismo”, sublinha Mambuque.


Entre as potenciais aplicações clínicas destaca-se o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico baseadas no microbioma, capazes de identificar precocemente sinais da doença através de exames de fezes ou sangue, bem como intervenções complementares, como o uso de probióticos ou estratégias nutricionais, com vista a reduzir os efeitos adversos dos tratamentos.


Para países como Moçambique, onde factores como a desnutrição, a coinfecção pelo VIH e as condições ambientais influenciam a evolução da tuberculose, a investigação sugere a necessidade de estratégias adaptadas à realidade local. “Este trabalho demonstra que a resposta à TB não depende apenas do agente patógenico, mas também do contexto biológico e social em que as pessoas vivem”, acrescenta o investigador.


Apesar dos avanços, persistem desafios científicos importantes, nomeadamente a necessidade de demonstrar se as alterações no microbioma são causa ou consequência da doença, bem como a realização de estudos longitudinais em populações vulneráveis, incluindo crianças.


O investigador apela a um maior investimento em ciência e inovação, de forma a integrar o estudo do microbioma nas políticas de saúde pública. “Este é um campo com elevado potencial para transformar a forma como prevenimos e tratamos a tuberculose, contribuindo para uma medicina mais personalizada e eficaz”, conclui Mambuque.


Referência

Mambuque E, Del Amo-de Palacios A, Huete SG, Marsh CC, Theron G, García-Basteiro AL, Serrano-Villar S. Beyond bacilli: integrating the microbiome into the TB research agenda. Gut Microbes. 2026 Dec 31;18(1):2638004. doi: 10.1080/19490976.2026.2638004. Epub 2026 Mar 4. PMID: 41778780; PMCID: PMC12962612.

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