“HOJE EM DIA A HUMANIDADE TEM MAIS INFORMAÇÃO E FERRAMENTAS PARA COMBATER A MALÁRIA..."


Em entrevista no âmbito do projecto BOHEMIA, Charfudin Sacoor, demógrafo e responsável pela Plataforma de Vigilância Demográfica do CISM, defende que hoje em dia a humanidade tem mais informação e ferramentas para combater a malária, mas os ganhos nessa luta ainda criam assimetrias geográficas.


Para ele, “é preciso continuar a buscar recursos financeiros para ajudar os países mais pobres e com sistemas de saúde deficitários, a formar pessoas nesta área, educar às populações, alocar todas as medidas preventivas que se acharem eficazes para cada contexto, e prover meios de diagnósticos e de tratamento adequados”. Sacoor, considera que o projecto Bohemia, apresenta uma abordagem interessante que vai complementar as ferramentas de prevenção tradicionais (redes mosquiteiras e a pulverização intra-domiciliaria) agindo sobre os mosquitos através do uso da ivermectina em humanos e animais.


O demógrafo que chegou ao CISM em 20210, reconhece que enquanto não houverem vacinas disponíveis, estas medidas de previsão continuarão a ser a nossa esperança, porém, ele reconhece que elas são dinâmicas, pois podem ser eficazes hoje, mas, amanhã não.


Questionado sobre a sua reação quando lhe foi apresentando pela primeira vez a abordagem do projecto BOHEMIA, Sacoor confessou que ficou surpreso, isto porque “nunca tinha ouvido falar da Ivermectina, um fármaco que poderia ter estes múltiplos benefícios. Depois procurei compreender de onde, como e porquê o Dr. Carlos Chaccour, que me apresentou a ideia e responsável do projecto, teria inventado esta ideia que visa fazer o controlo da malária através de uma ferramenta que combina intervenções em humanos e animais. Estas dúvidas levaram-me a me informar melhor para compreender primeiro o fármaco e depois as ideias e todo conceito científico a volta do estudo e hoje com a ajuda da minha equipa estou a dar o meu contributo para a sua implementação.


Portanto como demógrafos contribuímos para a geração de toda informação socio-demográfica de base que irá permitir a realização do estudo (neste momento decorre o grande censo) e ajudar na determinação do impacto da intervenção a nível local. Mas para que isso seja possível, Sacoor reconhece que há desafios, pois conforme afirma, “colher dados no nosso contexto não é um processo fácil, pois, para nós que colhemos dados principalmente nesta era digital, temos desafios ligados a internet, o acesso a energia eléctrica para carregar os nossos equipamentos, o processo de administração de consentimento informado em comunidades remotas onde muitas pessoas não sabem ler e escrever, as vias de acesso para chegar às comunidades, as fricções políticas nas comunidades que de certa forma condicionam a aceitabilidade, entre outros. Para além disso, há desafios na abordagem com os próprios participantes, uma vez que o conceito de pesquisa é um tabu para a maioria do nosso grupo alvo, e por isso, temos que aprender a lidar com a ansiedade e a expectativa de ter um benefício ou uma solução imediata em relação aos problemas de saúde que elas enfrentam”.


Charfudin, recorda que, a demografia foi um dos primeiros departamentos do CISM, instalado em 1996. Segundo ele, naquela altura privilegiava-se o registo de dados em papel, um desafio que teve que conviver com ele durante algum tempo, pois, naquela altura somente a demografia tinha cerca de 1 milhão de questionários em papel produzidos e isso demandava espaço de armazenamento e formas de conservação. A equipa tive de lutar para mudar de paradigma, mas com o tempo, foi necessário migrar para o digital, tendo começado por usar PDAs e mais tarde tablets.


“Esta mudança permitiu trazer melhorias no processo de colheita de dados, que passou ser mais rápido, menos limitado em termos de recursos humanos, e permitiu também aumentar o volume e a qualidade de informação que colhíamos. Mas também, já que a tecnologia não é estática, obrigou-nos a nos reinventarmos a cada dia, e essa atitude culminou com o nosso conceito de paper free na recolha de dados no campo a nível do CISM, apesar de que ainda há um e outro estudo que dada sua especificidade continuam usando o registo em papeis.”


Para ler a entrevista completa, clique aqui.

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