IMPACTOS DA ACTIVIDADE DE EXTRAÇÃO MINEIRA NA SAÚDE INFANTIL

Atualizado: 21 de fev.



O continente africano, possui inúmeros projectos de extracção de recursos minerais, alguns já em implementação, que representam uma oportunidade para o desenvolvimento económico, mas também, uma ameaça à saúde da população por meio da rápida urbanização e degradação ambiental. A implementação destes projectos, propicia vários benefícios para a saúde à comunidade e às crianças (dos 0 aos 5 anos) especificamente que podem beneficiar de alimentos de qualidade, crescem num ambiente com melhores condições de água e saneamento.


Entretanto, apesar dos benefícios acima citados, nos locais onde os projectos são implementados existem riscos à saúde que podem condicionar o pleno crescimento das crianças, como a insegurança alimentar, causada pela degradação ambiental, e a exposição à poluição atmosférica, sonora e hídrica entre outros.


Neste contexto, um artigo recentemente publicado por uma equipa do CISM, liderada por Hermínio Cossa, no âmbito do projecto HIA4SD, revelou o impacto das actividades de extração mineira na saúde infantil, analisando dados sociodemográficos, de cerca de 23 países da África Subsariana. O estudo, tinha como propósito avaliar, até que ponto a indústria extractiva afecta a saúde de crianças na África Subsaariana. Para tal, foram pré-estabelecidos 3 indicadores chave, nomeadamente: a mortalidade, diarreia, tosse e indicador antropométricos (nutricionais), estes últimos que são constituídos por três critérios (peso para idade, peso para altura e altura para idade).


Hermínio Cossa, Investigador

Segundo o primeiro autor do estudo “cerca de 90.951 dados de crianças que vivem em torno de 81 locais de mineração em 23 países da África Subsariana foram analisados para indicadores de mortalidade infantil, e outros 79.962 dados de crianças de 59 áreas de mineração em 18 países da África Subsariana foram analisados para diarreia, tosse e indicadores antropométricos. E concluiu-se que os impactos da mineração na saúde infantil variam ao longo do ciclo de vida da mina”.


Por outro lado, “o desenvolvimento da mineração provavelmente contribui positivamente para a renda e os meios de subsistência das comunidades impactadas nos anos iniciais das operações de mineração, particularmente na fase de prospecção e construção; enquanto que já na fase de extração mineira, a mesma comunidade enfrenta desafios ligados a insegurança alimentar e poluição ambiental durante os estágios iniciais e posteriores da mineração, respectivamente”, acrescentou o investigador.


Ainda de acordo com Cossa, “segundo o indicador de mortalidade, verificou-se uma redução de cerca de 45% no risco de morte de crianças de 0 à 30 dias, e este dado, permitiu, também concluir que a abertura de minas aumenta a chance de sobrevivência de crianças nos primeiros meses de vida. Entretanto, o segundo critério permitiu-nos concluir que existe uma redução de risco em 32% de uma criança desenvolver doenças diarreicas, mas não foi encontrado um efeito para tosse e peso para altura.


Para além do Hermínio Cossa, o artigo conta com outros autores, nomeadamente: Dominik Dietler, Eusébio Macete, Khátia Munguambe, Mirko S Winkler, Günther Fink