INSPECTOR GERAL DA SAÚDE, QUER MAIS ATENÇÃO NOS EFEITOS ADVERSOS EM BOHEMIA



O Inspector Geral de Saúde, Dr. Martinho Dgedge efectuou a 15 de Março do corrente ano, uma visita às instalações do CISM no distrito de Mopeia. A visita cujo o principal propósito era aferir o nível de preparação do CISM para avaliar efeitos adversos que possam resultar da implementação deste projecto, decorreu no âmbito do início da Campanha de Administração Massiva de Medicamentos (MDA) do projecto BOHEMIA. O Inspector, foi recebido e acompanhado pelo Director Geral do CISM, Dr. Francisco Saúte.


Na ocasião, Amélia Howana, médica do CISM, informou que foi estabelecido no projecto, um Diário de Sintomas Diários que possam resultar da medicação. No diário, os participantes escrevem ou assinalam (para os que não sabem escrever), os eventuais sintomas que podem ser reduzidos, moderados ou graves. “Esses sintomas podem ser por exemplo vómitos, coceira, vertigem, alteração visual, febre outros” acrescentou.


“Se estes efeitos forem detectados em massa, poderão demandar a necessidade de revisão do protocolo do estudo, ou mesmo pará-lo, o que é pouco provável, pois a Ivermectina é um fármaco já em uso no Sistema Nacional de Saúde e a sua segurança e tolerabilidade, já foi avaliada e comprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)” disse o Director Geral do CISM.


Para conhecer melhor o circuito de administração de medicamentos, o Inspector foi convidado a assistir uma administração em um animal suíno. No local, pôde interagir com um dos participantes de estudo, que disse ao Inspector “uma das vantagens dessa administração é que aproveitamos para desparasitar os humanos, ao mesmo tempo que estamos a contribuir para o avanço da pesquisa em malária”.


demonstração do processo de medição de um suíno para o cálculo do peso

Satisfeito com o que viu, o Inspector Geral de Saúde, terminou a visita encorajando a equipa envolvida no estudo e reforçando a necessidade do cumprimento do protocolo do mesmo e da observação de todos os mecanismos de prevenção de incidentes. Mas também, manifestou a sua vontade em conhecer o escritório do CISM em Quelimane, onde está a ser implementado o programa CHAMPS (Child Health and Mortality Prevention Surveillance).


Martinho Dgedge é igualmente membro do grupo técnico externo do projecto Bohemia, que é responsável pela avaliação dos efeitos adversos do projecto através de informações que recebem através de um circuito de notificação desses efeitos que foi estabelecido no próprio estudo. Para além disso, é igualmente membro do Conselho Científico Externo do CISM.


O projecto BOHEMIA, financiado pela UNITAID é parte de um consórcio dirigido pelo ISGlobal (Espanha), que inclui Moçambique e Quénia, e outros três parceiros académicos, o Hospital Universitário de Berna (Suiça), a Universidade de Oxford (Inglaterra) e a Virginia Tech (EUA). O projecto espera gerar evidências sobre quatro aspectos diferentes - eficácia, segurança, ciências sociais e impacto ambiental - para apoiar a orientação regulatória e a mudança de política nacional e global. Se as evidências forem favoráveis, o envolvimento com a OMS e outras partes interessadas principais apoiará a política e a implementação da ivermectina como uma estratégia inovadora de controlo de vectores para o controlo e eliminação da malária.


Ao envolver a indústria desde o início do processo, o projecto também visa facilitar o aumento do fornecimento de pelo menos dois fabricantes se a intervenção contra a malária for recomendada. A abordagem inovadora de One Health também oferece uma oportunidade para prevenir doenças tropicais negligenciadas em humanos.