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MULHERES AFRICANAS QUE VIVEM COM O HIV TÊM UMA OPÇÃO EFICAZ PARA PREVENIR A MALÁRIA DURANTE A GRAVIDEZ


Foto: google

De acordo com os resultados finais do ensaio clínico MAMAH, ensaio sobre a avaliação de medicamentos anti maláricos para a prevenção da malária em mulheres grávidas infectadas pelo HIV, implementado pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM) e coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), a combinação de dois medicamentos anti maláricos, nomeadamente diidroartemisinina-piperaquina (DHA-PPQ) reduz o risco de infecção e doença da malária em mulheres grávidas sob tratamento do HIV.


O estudo já publicado na revista The Lancet Infectious Diseases poderá ajudar a proteger a saúde de cerca de um milhão de mulheres grávidas que, todos os anos, sofrem de uma dupla infecção com malária e HIV.


O projecto visava avaliar a segurança e a eficácia de DHA-PPQ para prevenir a malária durante a gravidez em mulheres que vivem com o HIV. Para tal, participaram do ensaio mais de 600 mulheres com HIV na primeira consulta de cuidados pré-natais, residentes na área de estudo e com uma idade gestacional até 28 semanas em cinco locais no Gabão e em Moçambique, mulheres grávidas que tomavam cotrimoxazol em complemento do tratamento antirretroviral para o HIV. O tratamento preventivo intermitente foi administrado durante 3 dias sob observação direta do pessoal do estudo.


No contexto de baixa transmissão da malária, a adicção de diidroartemisinina-piperaquina à profilaxia com cotrimoxazol em mulheres grávidas com HIV não reduziu a parasitemia periférica no parto. No entanto, a intervenção foi segura e associada a uma diminuição do risco de malária clínica e de infecção global por Plasmodium falciparum, pelo que deve ser considerada como uma estratégia para proteger da malária as mulheres grávidas com HIV.


A Responsável Sénior do Projecto na Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos (EDCTP), Montserrat Blázquez-Domingo, felicita a equipa do MAMAH por estes importantes resultados no campo da investigação da malária e, em particular, por proporcionar uma melhor saúde às mulheres grávidas que vivem com o HIV em áreas onde a malária é endémica. "Este estudo sublinha o valor da investigação em colaboração que a EDCTP apoia, assim como o nosso enfoque nas doenças infecciosas prioritárias que afectam a África subsariana em populações frequentemente excluídas dos ensaios clínicos - como as mulheres grávidas", disse Domingo.


Raquel González investigadora do ISGlobal considera que “acrescentar esta estratégia às ferramentas de controlo da malária poderia melhorar significativamente a saúde de milhares de mães e dos seus bebés, especialmente na África Subsariana, uma região onde se estima que um milhão de mulheres que vivem com HIV são infectadas com malária durante a gravidez todos os anos".


O estudo MAMAH faz parte da segunda fase do Programa EDCTP (EDCTP2) apoiado pela União Europeia.


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