MULHERES GRÁVIDAS CONSTITUEM GRUPO DE RISCO À TUBERCULOSE


Imagem: DC Studio (online)

A Tuberculose (TB), é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em mulheres com idade fértil, de acordo com o Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020. A mesma fonte refere que das 3,2 milhões de mulheres que desenvolveram a TB, 446.880 morreram da doença e destas 74.880 tiveram mortes associadas ao HIV/SIDA. Para a OMS, a tuberculose tem sido associada a consequências graves para as mulheres nos seus anos reprodutivos, e especialmente na altura da gravidez, uma vez que é uma das principais causas não obstétricas da mortalidade materna, e que se não for tratada, a TB durante a gravidez pode ser associada a uma taxa de mortalidade de até 40%.


Moçambique, é um dos 30 países com taxa de tuberculose elevada, com cerca de 115000 casos da doença em 2020, de acordo com a OMS. Apesar disso, há poucos dados epidemiológicos sobre a prevalência da tuberculose, especialmente em mulheres grávidas. E, embora a OMS recomende a integração do rastreio e tratamento da TB e do HIV nas Consultas Pré-Natais (CPN), não existe actualmente um rastreio sistemático da TB em mulheres grávidas que realizam as CPN´s em Moçambique, o que pode contribuir para um potencial sub-diagnóstico da tuberculose entre as mulheres grávidas.


Neste contexto, de 2016 a 2018, o CISM em parceria com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e a Fundação Ariel Glaser Contra o SIDA Pediátrico, realizou um estudo no âmbito do projecto “Preg-TB” que visava compreender o peso da tuberculose nos períodos pré e pós-natal, bem como, descrever as características clínicas dos casos de TB em mulheres grávidas e os seus resultados pós-parto. De acordo com o artigo recentemente publicado pela equipa envolvida no estudo, participaram do estudo cerca de 2 990 mulheres grávidas das quais, 1980 recrutadas em consultas pré-natais e 1.010 em consultas pós-parto do Hospital Distrital da Manhiça (HDM).

Dinis Nguenha, primeiro autor do artigo

Dinis Nguenha, autor do artigo e investigador do CISM, avança que “um dos factores que nos levou a realizar este estudo, é que as mulheres grávidas constituem um grupo de risco, e tivemos interesse em compreender a carga da doença e como a TB se manifesta nessas mulheres. O rastreio feito levou-nos a deduzir que existe uma elevada carga de TB, 505/100 000, ou seja, que em cada 100 000 mulheres grávidas, 505 são portadoras da tuberculose”.


“Uma das recomendações feitas pelo estudo, é que é preciso incrementar os mecanismos de diagnóstico da TB em mulheres grávidas nas consultas pré-natais, pois, no âmbito do nosso estudo, encontramos mais casos de TB neste grupo-alvo, em comparação aos encontrados no Sistema Nacional de Saúde. Um outro achado que tivemos no estudo, é que durante as sessões de seguimento pós-parto, 2 crianças perderam a vida o que eleva a necessidade de mais atenção nas mulheres grávidas para o tratamento da TB” disse o Dinis Nguenha.


DOI: https://doi.org/10.5588/ijtld.21.0567

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