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NOVO ESTUDO DESTACA IMPORTÂNCIA DA VIGILÂNCIA DEMOGRÁFICA NO AMBITO DA COVID-19


Ariel Nhacolo, autor do artigo publicado na PLOS Global Public Health

Desde o mês de Março de 2020 quando foi notificado em Moçambique o primeiro caso da COVID-19 (SARS-CoV-2), foram registados mais de 230.000 casos confirmados e mais de 2.200 mortes. Em resposta, o governo de Moçambique adoptou rapidamente um conjunto de estratégias com vista a aliviar o peso da doença ao Sistema Nacional de Saúde. Um pilar importante destas estratégias foi a elaboração e divulgação de mensagens de sensibilização e envolvimento comunitários para a prevenção incluindo a adopção de diversas vacinas que foram sendo aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no decurso da epidemia.


Contudo, estas estratégias foram sendo implementadas sem o devido acompanhamento de dados científicos sobre como é que as mensagens transmitidas eram entendidas pela população e como estas comunidades implementavam as medidas preventivas transmitidas nestas mensagens. Neste contexto, uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) e seus parceiros, sob liderança do demógrafo e pesquisador, Ariel Nhacolo, realizou um inquérito no distrito de Manhiça, cujos resultados foram publicados recentemente na revista PLOS Global Public Health e indexados na PubMed.

O Inquérito, foi feito no âmbito das visitas domiciliárias regulares de actualização de dados demográficos, realizadas desde 1996

O Inquérito, tinha como objectivo compreender o conhecimento dos membros da comunidade sobre os mecanismos de transmissão e prevenção da COVID-19, de modo a orientar as intervenções de saúde pública para reduzir a propagação da doença e melhorar a cobertura vacinal. “Para o efeito, inquerimos 33.087 chefes de agregados familiares do distrito de Manhiça, no âmbito das visitas domiciliárias regulares de actualização de dados demográficos feitas pelo Departamento de Demografia do CISM no âmbito do Sistema de Vigilância Demográfica, implementado pelo CISM desde 1996. Assim, este inquérito decorreu entre Abril de 2021 e Fevereiro de 2022, entre as ondas das variantes Delta e Omicron”, detalha Ariel Nhacolo.


De acordo com Nhacolo, “este estudo mostra que dos inquiridos referiram saber como a COVID-19 poderia ser prevenida (98,2%), que o SARS-CoV-2 pode causar doença (97,0%) e como o SARS-CoV-2 é transmitido (85,1% ). Os sintomas da COVID-19 mais reportados foram a tosse (51,2%), dores de cabeça (44,9%) e febre (44,5%); os mecanismos de transmissão foram gotículas de saliva (50,5%) ou aerossol (46,9%) de uma pessoa infectada; e as medidas de prevenção foram a lavagem das mãos (91,9%) e o uso de máscara (91,8%).


As características associadas ao maior conhecimento dos sintomas, da transmissão e da prevenção incluem ter pelo menos o ensino primário, idade, emprego, maior riqueza e religião cristã. Os inquiridos que tinham tido sintomas de COVID-19 eram também mais susceptíveis de possuir conhecimentos sobre doença. A grande maioria dos inqueridos revelou que as principais fontes de informações sobre a doença eram a televisão, o celular (WhatsApp), rádio e o hospital.” Estes resultados, de acordo com Nhacolo, destacam a necessidade do fortalecimento de acções comunitárias para a divulgação de mensagens, dentro da própria comunidade especialmente entre pessoas com baixo nível de escolaridade e com reduzido acesso às fontes tradicionais de informação (TV, rádio ou jornal).


O CISM o implementa Sistema de Vigilância Demográfica em dois distritos, Manhiça (Maputo) e Quelimane (Zambézia), cujas bases de dados, para além de localizar a casa e as pessoas que vivem com um determinado doente ou membro da comunidade, também regista os números de telefone do responsável por cada residência para contactá-los para prevenção de doenças, se necessário.

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