O IMPACTO DA COVID-19 NOS ESFORÇOS PARA A ELIMINAÇÃO DA MALÁRIA


Em ambientes endémicos da malária, um dos impactos observados da COVID-19 foi o ressurgimento da malária

A pandemia de SARS-CoV-2 (COVID-19) impós desafios na luta contra a eliminação da malária nos países mais endémicos. De acordo com o último Relatório Mundial da Malária, cerca de dois terços das 69.000 mortes por malária em 2020 em comparação com 2019 estavam ligadas às interrupções na prestação de serviços de atendimento, diagnóstico e tratamento da malária durante a pandemia.


Em locais onde as actividades de eliminação da malária estão sendo realizadas como parte dos programas nacionais de saúde ou como projetos de pesquisa, foram canceladas várias intervenções, durante a maior parte do ano de 2020. Este é o caso, por exemplo, de Moçambique, onde os projetos de eliminação, em vigor desde 2015, foram interrompidos devido a restrições de mobilidade e desvio de recursos de saúde dos programas de malária para actividades relacionadas ao SARS-CoV-2.


Os Agentes Comunitários de Saúde por exemplo, deveriam ser empregados em actividades de eliminação da malária, porém, foram realocados para atender a outras prioridades de saúde. No entanto, apesar desses desafios, é provável que os casos notificados de malária tenham caído ao longo do ano de 2020, devido à redução generalizada no uso de serviços de saúde pela população, como consequência da recomendação governamental de procurar tratamento apenas para as necessidades de saúde mais essenciais e por medo de contrair a infecção por SARS-CoV-2 nas unidades sanitárias.

Em ambientes endémicos da malária, um dos impactos observados da COVID-19 foi o ressurgimento da malária.

Um artigo recentemente publicado por uma equipa que envolve investigadores da London School of Economics and Political Science, do ISGLOBAL e do CISM, que versa sobre o impacto potencial do SARS-CoV-2 na prevenção da malária, refere que em ambientes endémicos da malária, um dos impactos observados da COVID-19 foi o ressurgimento da malária, o que provavelmente afetou não apenas a saúde, mas também os fatores de desenvolvimento económico nos países endémicos.

Francisco Saúte, Director Gerl do CISM

De acordo com Francisco Saúte, Director Geral do CISM e um dos autores do artigo em análise, uma das conclusões deste estudo é que “é fundamental identificar e medir o impacto da interrupção das actividades do combate à malária devido à pandemia, nos resultados da educação. Essas evidências poderão informar as avaliações económicas realizadas a partir de perspectivas mais amplas que poderão auxiliar nas decisões sobre como e quando retomar as actividades de combate contra a malária depois duma pandemia tão disruptiva como foi a da COVID-19”. “A geração dessas informações exige colaborações em diferentes campos de pesquisa, incluindo saúde pública, economia, desenvolvimento e educação” acrescentou o investigador.


Artigo disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9106743/#CR17

Fonte: Sicuri, E., Ramponi, F., Lopes-Rafegas, I., & Saúte, F. (2022). A broader perspective on the economics of malaria prevention and the potential impact of SARS-CoV-2. Nature communications, 13(1), 2676. https://doi.org/10.1038/s41467-022-30273-z

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