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PESQUISADORES DISCUTEM NOVOS ENSAIOS PARA MELHORAR O DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE


Médicos e pesquisadores do CISM e parceiros, em sessão cientifica

Para melhor compreender a história natural da Tuberculose (TB), médicos e pesquisadores do CISM reuniram-se a 7 de Fevereiro, na Manhiça, em Sessão Científica alargada híbrida, com especialistas de outros países para uma reflexaõ sobre “Novos ensaios para melhorar o diagnóstico da tuberculose e compreender melhor a história natural da doença”. O encontro, foi uma oportunidade para troca de experiência entre vários profissionais de saúde da área de TB e HIV, servindo como um espaço de apresentação e discussão de resultados de seis (6) pesquisas relacionadas com a doença que afecta geralmente os pulmões.

Os profissionais de saúde devem se preocupar com a cura da TB subclínica e da TB incipiente se comparado com outros estados categóricos da doença.

Frank Cobelens do Instituto de Saúde e Desenvolvimento Global de Amesterdão (Holanda), um dos oradores da Sessão, propôs a reflexão sobre até que ponto os profissionais de saúde devem se preocupar com a cura da TB subclínica (quando não há sintomas clínicos da TB, mas pode causar outras anormalidades, que podem ser constatadas por meio de exames radiológicos ou microbiológicos existentes) e da TB incipiente (quando a infecção pode evoluir para uma doença activa sem outras intervenções, mas sem sintomas clínicos, anormalidades de imagem ou evidências microbiológicas consistentes) se comparado com outros estados categóricos da doença.


Por outro lado, Dinis Nguenha e Edson Mambuque, ambos pesquisadores do CISM, apresentaram “O índice de massa corporal como preditor da progressão da infecção por tuberculose latente (LTBI) para a tuberculose activa em indivíduos seropositivos” e “Novos instrumentos de diagnóstico e monitorização do tratamento: Dinâmica da carga bacilar durante o primeiro mês de tratamento utilizando o ensaio Ultra”, respectivamente.


Dinis Nguenha fez uma análise secundária dos dados do Estudo 3HP implementado na Manhiça, em 2020, com a participação da África do Sul e da Uganda, onde avalia se a diminuição do índice de massa corporal (IMC) de base, aumenta o risco de desenvolvimento da tuberculose em pacientes HIV positivos, tendo concluído que o baixo nível de IMC foi independentemente associado a um risco mais elevado de desenvolvimento da TB entre os adultos infetados com HIV que vivem em áreas endémicas de TB.


Para Edson Mambuque, foi cativante acompanhar os diversos trabalhos partilhados sobre preditores de TB quer subclínica como de progressão da infeção aliado aos esforços em melhorar as ferramentas de diagnósticos para a deteção precoce de resistências.


Na sua apresentação, Mambuque partilhou os resultados de um estudo implementado também na Manhiça sobre casos de Tuberculose confirmados laboratorialmente na população adulta e analisou a possibilidade de utilizar o Xpert Ultra como ferramenta de apoio na monitoria de tratamento de TB, sendo uma análise ancilar do estudo mãe TB MDR, cujo objetivo era a deteção precoce de mutações associadas as resistências a antibióticos por ensaio moleculares.

Os desafios na implementação da pesquisa estiveram relacionados com a baixa taxa de notificação de casos de TB o que teve implicação no baixo número de casos confirmados laboratorialmente

O pesquisador concluiu que os desafios na implementação da pesquisa estiveram relacionados com a baixa taxa de notificação de casos de TB o que teve implicação no baixo número de casos confirmados laboratorialmente; a retenção de pacientes, sendo que se esperava que todos continuassem até ao final do estudo, contudo muitos participantes mudaram de residência sem informar a nova localização ou emigraram para fora de Moçambique; e aos problemas de adesão ao tratamento justificados por alguns pelas condições precárias de vida/económicas que e representava um desafio na contínua toma de vários remédios.


As sessões científicas do CISM acontecem todas as terças e quintas-feiras, sendo uma plataforma consolidada de divulgação das actividades científicas da instituição, onde se partilham resultados dos estudos realizados, discutem-se diversos artigos científicos e colhem-se subsídios de protocolos em preparação.

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