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MÉTODO DÁ VOZ ÀS EXPERIÊNCIA DOS ADOLESCENTES DE MOATIZE E MOMA



O artigo sobre a “Saúde e bem-estar de adolescentes em zonas rurais mineiras em Moçambique” envolveu 80 adolescentes, de idade compreendida entre 15 a 17 anos e detalhou os passos da implementação do PhotoVoice nos distritos de Moma e Moatize. Photovoice é um método de pesquisa participativa que permite que o participante registre através de fotografias, suas experiências, garantindo o seu envolvimento activo no processo de pesquisa e partilha das suas preocupações ou necessidades de saúde.


Baseada na colheita de dados qualitativos e discussão em grupo focais com diferentes sub-grupos de adolescentes, o estudo teve como objectivo documentar lições aprendidas e analisar os desafios da implementação do PhotoVoice com grupos mais vulneráveis e marginalizados. A metodologia inovadora e visual visava também engajar os adolescentes das áreas mineiras para o uso das tecnologias com vista a obter um artigo mais virado para detalhes metodólogicos e éticos para a condução do PhotoVoice em contextos menos desenvolvidos e rurais.


"Desafiamo-nos a implementar uma metodologia que pudesse primeiramente se focar no engajamento dos adolescentes em pesquisa. Pela primeira vez, sentimos um mínimo distanciamento entre o investigador e o participante, sendo o participante o mais importante neste processo. Ele é que traz os tópicos e ele é que reflecte sobre quais são os problemas da sua comunidade. Achamos que tivemos uma boa representatividade com participantes constituído por adolescentes de sexo masculino e feminino, incluindo mulheres grávidas e migrantes. Incluímos um grupo diversificado para poder captar problemas de diferentes ângulos e perspectivas. Entendemos que uma adolescente mãe ou grávida, por exemplo, pode ter diferentes desafios e necessidades de saúde em relação a uma menina adolescente que está na escola ou um migrante”, disse Olga Cambaco, Investigadora do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM).


Com a autorização dos pais e envolvimento das autoridades a nível provincial, distrital e local, os participantes selecionados passaram por um treinamento para uso de câmeras digitais e registro de imagens sobre tudo que eles acreditavam que tem impacto directo na sua saúde por viver em proximidades das áreas mineiras. Também fizeram parte da capacitação questões ligadas à ética (consentimento), de privacidade e confidencialidade, de forma a garantir a proteção de indivíduos que possam aparecer nas fotos.


Com base em uma câmera, 21 adolescentes denominados fotógrafos indicavam os problemas a serem discutido,até reflectiam nas possíveis soluções. Muitas vezes as fotos captavam infraestruturas, espaços físicos, poluição ambiental como os principais problemas que afectavam a sua saúde.


Segundo a autora, uma das fortalezas do PhotoVoice foi o fácil envolvimento e activo dos adolescentes bem como a sua motivação para participar de um estudo desta natureza. Isto permitiu que os participantes refletissem sobre suas histórias de vida, sobre seus sentimentos, e experiências que muitas vezes são difíceis de ser faladas ou comunicadas de forma verbal.


Como qualquer implementação de estudo, tivemos alguns constrangimentos éticos e metodológicos. Geralmente há muita dificuldade em ter metodologias participativas e inclusivas para grupos específicos como adolescentes. É difícil fazer os adolescentes falarem, principalmente de assuntos sensíveis e tópicos como o impacto da mineração na sua saúde, mas com o PhotoVoice foi mais fácil porque criou um espaço para que os participantes tivessem a chance de juntos expressarem as suas realidades e principais desafios comuns, muitas vezes similares, através da fotografia e permitir que suas vozes fossem ouvidas”, acrescenta Olga.


Ao apontar os constrangimentos durante a implementação do estudo, a autora relata que no início nem todos estavam familiarizados com uma câmera fotográfica, a maioria deles nunca tinha visto, mas facilmente foi ultrapassado com a formação em uso de câmeras. As questões éticas também pesaram muito. Por exemplo, quais cenários eram permitidos fotografar porque há certas situações difíceis de capturar pois os temas são sensíveis, como no caso da prática da prostituição e a proliferação do HIV.


“Portanto, uma das recomendações do nosso artigo é que, é importante combinar o PhotoVoice com te2cnicas tradicionais como discussões em grupos focais, entrevistas com este tipo de método visual e participativo”, conclui Cambaco, na esperança de que este artigo sirva como um guia para investigadores africanos que têm intenção de trabalhar em zonas rurais e com diferentes categorias e grupos etários, pois, a literatura mostra somente passos básicos, mas para este estudo usamos 17 passos para a sua implementação e conclusão em areas rurais em Moçambique.


Ola Cambaco, Investigadora do CISM.



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