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REVELADOS POSSÍVEIS REARRANJOS GENÉTICOS ENTRE ESTIRPES DE ROTAVÍRUS

Atualizado: 18 de set. de 2023


Foto: Google

Em 2015, com base em evidências geradas por estudos implementados pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), o Ministério de Saúde de Moçambique introduziu a vacina contra o Rotavírus (Rotarix®; GlaxoSmithKline Biologicals, Rixensart, Bélgica), um vírus que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das principais causas de morte associada a diarreia em crianças menores de 5 anos. Desde então, o CISM implementou uma plataforma de vigilância de doenças diarreicas, com o objectivo de avaliar o impacto da introdução da vacina contra Rotavírus no peso das diarreias.


Neste âmbito, um estudo liderado por Filomena Manjate, Investigadora da Área de Doenças Bacterianas, Virais e Outras Tropicais Negligenciadas do CISM, recentemente publicado na revista Journal of Frontiers in Microbiology, realizou a caracterização do genoma completo da estirpe de Rotavírus denominada G3P[8] detectada em crianças vacinadas e hospitalizadas com diarreia moderada à severa no Hospital Distrital da Manhiça. Os investigadores constataram que o Genótipo G3P[8] está entre as estirpes de Rotavírus mais comum em humanos e animais e que este emergiu na Manhiça depois da introdução da vacina contra o Rotavírus. As estirpes estudadas tinham uma apresentação genómica semelhante entre si, o que pode indicar que têm origens genéticas relacionadas. Por outro lado, o estudo mostrou que estas estirpes humanas apresentavam alta similaridade com estirpes suínas, bovinas e equinas, sugerindo uma possível ocorrência de eventos de rearranjos genéticos ou mistura do material genético das estirpes animais com as humanas no contexto rural de Manhiça.

Filomena Manjate (a esquerda) e Eva Dora (a direita) primeira e segunda autora do artigo, respectivamente
Há uma diversidade significativa do Rotavírus

Segundo a Filomena Manjate, os dados deste estudo são importantes porque mostram uma diversidade significativa do Rotavírus e podem indicar que, mesmo com o elevado impacto da vacina na redução de casos graves, que observamos na Manhiça, este ainda continua a evoluir e surgem novas estirpes do vírus.

Há necessidade de realizar uma vigilância genómica contínua

Os investigadores ressaltam que os resultados demonstram a necessidade de realizar uma vigilância genómica contínua, para monitorar e compreender as alterações que podem ocorrer na estrutura e composição do Rotavírus após a introdução da vacina; e mostram mais uma vez a importância da implementação de vigilâncias utilizando a abordagem de saúde Única (One Health) ou seja, estudar a possíveis ligações entre o Rotavirus isolado em humanos e animais com base em amostras colhidas nos dois e que estes estejam a viver no mesmo ambiente, com vista a avaliar as dinâmicas da infeção e transmissão para melhor informar as estratégias de saúde pública, monitorar o impacto e a efectividade da vacina sobre as estirpes de Rotavírus circulantes e emergentes.


Referência:

Manjate, F., João, E. D., Mwangi, P., Chirinda, P., Mogotsi, M., Messa, A., Jr, Garrine, M., Vubil, D., Nobela, N., Nhampossa, T., Acácio, S., Tate, J. E., Parashar, U., Weldegebriel, G., Mwenda, J. M., Alonso, P. L., Cunha, C., Nyaga, M., & Mandomando, I. (2023). Genomic characterization of the rotavirus G3P[8] strain in vaccinated children, reveals possible reassortment events between human and animal strains in Manhiça District, Mozambique. Frontiers in microbiology, 14, 1193094. https://doi.org/10.3389/fmicb.2023.1193094

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