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TER ESPECIALISTAS EM BIOINFORMÁTICA, É UM DOS DESAFIOS QUE SE IMPÕEM AO GENMOZ


Nelo Ndimande e Simone Boene, Técnicos do GENMOZ

Possuir especialistas em bioinformática para responder aos desafios impostos pela vigilância genómica em Moçambique, é um desafio que se impõem ao projecto GENMOZ, implementado no país pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) e seus parceiros sob alçada do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM). A vigilância genómica levada acabo pelo GENMOZ, consiste na identificação genética dos micro-organismos, de modo a detectar alterações ou mutações dos patógenos causadores de doenças.


No caso do GENMOZ, essa vigilância visa estudar o parasita da malária, permitindo, compreender as alterações no parasita que podem influenciar os mecanismos de transmissão bem como para detectar resistência a medicamentos antimaláricos, resistência a testes de diagnóstico rápido e diversidade genética do parasita P. falciparum em Moçambique, impactando nas intervenções até então levadas a cabo no controlo da malária. A implementação desta iniciativa, requer para além de investimento em equipamentos e reagentes especializados, de profissionais especializados em áreas cruciais para o uso desta tecnologia.

Há falta de técnicos de laboratórios especializados na sequenciação genómica

Em Moçambique, infelizmente há falta de técnicos de laboratórios especializados na sequenciação genómica, especialmente em bioinformática uma área crucial para as análises de dados de sequenciamento genético. No CISM especificamente, "precisamos muito deste perfil de especialistas, pois, dos poucos investigadores seniores que temos, a maioria está focada na análise de laboratório, com algumas noções de informática”, comenta Alfredo Mayor, pesquisador do CISM e Co-Responsável do projecto GENMOZ.


Portanto, segundo Mayor, o desafio que se impõe ao GENMOZ é o desenvolvimento de capacidades locais de especialistas em bioinformática, que dominem simultaneamente matérias relacionadas às ciências biológicas e informáticas. “Se conseguirmos isso, será um grande avanço, pois esta vigilância, nos permitirá ter informação genómica para orientar e determinar a escolha de vacinas, tratamento e ferramentas de diagnóstico para várias doenças, incluindo a malária) acrescenta.


O Director Geral do CISM e Investigador Principal do projecto em Moçambique, Francisco Saúte, explica que em geral os parasitas causadores de doenças são diferentes devido às suas respectivas características domésticas (morfológicos e genéticos). “O GENMOZ, pretendo portanto, usar a vigilância genómica para aferir as diferenças e/ou modificações dos genes/parasitas e monitorar a sua transmissão. Este tipo de vigilância, permitiu por exemplo durante a pandemia da COVID19 detectar as suas variantes, bem como, que cada país pudesse conhecer os casos importados”


Para além do CISM e do PNCM, o GENMOZ conta com a parceria da Malaria Consortium, o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), a Universidade da Califórnia e o Institute for Disease Modeling, e decorre sob financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates (BMGF).


Moçambique está entre os dez países com maior incidência de malária em todo o mundo, e ao mesmo tempo, o Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) busca acelerar a eliminação no Sul do país, onde a transmissão é mais baixa.


[Texto: cortesia do Jornal Noticias, edição nº de 11 de janeiro, pág. 18. ]

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