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ARRANCA ESTUDO ALIVE: UMA NOVA ABORDAGEM DE TRATAMENTO PARA PARASITAS TRANSMITIDOS PELO SOLO

Atualizado: 14 de jun.


Actualmente, os tratamentos disponíveis contra helmintos (parasitas) transmitidos pelo solo (HTS) são os Benzimidazois, Albendazole (ALB) e Mebendazole (MBZ), administrado em dose única, geralmente em campanhas de administração massiva, devido à sua segurança, eficácia e disponibilidade por parte dos seus fabricantes. A quimioterapia preventiva é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma intervenção farmacológica para o tratamento das comunidades com o objetivo de prevenir a morbidade causada pelas infecções, mas não como meio de prevenir a aquisição da infecção. Recentemente, a OMS incorporou a Ivermectina (IVM) à sua lista de medicamentos essenciais para o tratamento de HTS, e um painel de especialistas reunido pela Fundação Bill & Melinda Gates identificou a combinação ALB + IVM como a terapia combinada prioritária a ser explorada.


É neste contexto, que o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) junto dos seus parceiros internacionais tem estado, nos últimos anos, a desenvolver uma Combinação em Dose Fixa (FDC) de ALBendazole e IVErmectina a ser avaliada num ensaio clínico de fase III (ALIVE). O objectivo principal deste ensaio é avaliar a eficácia da FDC em dose única ou em 3 dias consecutivos em comparação com o tratamento padrão actual, uma dose única de ALB (400 mg) para o tratamento de helmintos transmitidos pelo solo em crianças em idade escolar e o mesmo vai decorrer em 3 países, nomeadamente Moçambique, Etiópia e Quénia.


Os Helmintos transmitidos pelo solo (HTS) são um grupo de vermes que causam doenças e afetam, na maioria das vezes, o intestino e causam diversos sintomas similares aos de outras parasitoses intestinais. Apesar das diferenças nas suas manifestações clínicas e mecanismos de infecção, todos são transmitidos em áreas com água, saneamento e higiene inadequadas. Estas doenças são as mais prevalentes de todas as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) em todo o mundo e afetam de forma desproporcional as populações empobrecidas, o que causa morbidade significativa em crianças em idade pré-escolar e escolar.

Acto de Sensibilização Comunitária na EPC de Pateque

Em Moçambique o estudo está a decorrer no Posto Administrativo de Maluana, concretamente nas Escolas Primárias Completas de Pateque, Taninga, Maluna e Secundária Filipe Jacinto Nyusi, no Distrito da Manhiça. Entretanto, durante o período de férias, a equipa dará continuidade ao estudo baseado na comunidade. A população do estudo vai incluir indivíduos em idade escolar (dos 5 aos 18 anos) com pelo menos 15 kg e que tenham infecção por pelo menos uma das espécies de helmintos transmitidos pelo solo.


Para Valdemiro Escola, coordenador do estudo em Moçambique, o desafio é ter uma equipa composta e devidamente treinada antes do início do estudo. “Muitas vezes, contratamos o pessoal necessário e investimos na devida formação até que o estudo arranque. Investimos também em exercícios de simulação antes de ir ao terreno, para que a equipa “viva” a implementação quase que real antes mesmo que ela aconteça, pois se a preparação da equipa não é feita de forma criteriosa as consequências nefastas não tardam a se revelar.”, acrescentou.


Prevê-se que o ensaio gere evidências para a tomada de decisão, que incluem o registo da FDC pelas agências reguladoras de medicamentos em África e na Europa

Prevê-se que o ensaio gere evidências para a tomada de decisão, que incluem o registo da FDC pelas agências reguladoras de medicamentos em África e na Europa, como por exemplo a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), com vista a ter disponível no mercado um fármaco eficaz para interromper a transmissão de HTS. Num futuro breve, os resultados deste ensaio também podem ditar a inclusão da FDC na lista de medicamentos pré-qualificados da OMS, o que facilitaria a sua disponibilização e uso pelos sistemas nacionais de saúde em países de baixa renda (incluindo Moçambique), onde estes poderão ter um maior impacto no controlo dos helmintos transmitidos pelo solo.


O uso de terapia combinada com medicamentos existentes contra HTS foi identificado como uma estratégia que poderia oferecer uma solução para as desvantagens e riscos da estratégia actual de monoterapia (com ALB ou MBZ). Entre elas, o uso de ALB-IVM apresenta vantagens como: vasta experiência na sua utilização para o tratamento da filaríase linfática (FL), com milhões de indivíduos tratados, sem eventos adversos ou interações medicamentosas de relevância clínica; melhor eficácia contra T. trichiura e S. stercoralis; menor risco de surgimento de resistência aos medicamentos devido aos diferentes mecanismos de acção dos 2 componentes do medicamento; e espectro antiparasitário aumentado com oportunidades de integração com outros programas de controlo de DTNs e, possivelmente, controlo do vector da malária.

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