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CISM LANÇA ESTUDO SOBRE IMPACTO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NA SAÚDE MATERNA E INFANTIL

Atualizado: 24 de fev.


Eventos climáticos extremos, insegurança alimentar e o crescimento acelerado em áreas urbanas e assentamentos informais têm colocado forte pressão sobre os sistemas sociais e de saúde, com impactos directos na vida das populações mais vulneráveis.


É neste contexto que foi lançado no dia 29 de Janeiro o Projecto CliMaH – uma iniciativa que investiga o impacto das Alterações Climáticas, Migrações Populacionais e da Urbanização na Saúde Materna e Infantil em Moçambique. O estudo procura produzir evidência científica orientada para políticas públicas, analisando de que forma as alterações climáticas, a mobilidade populacional, a urbanização e as mudanças demográficas influenciam os indicadores de saúde materna e infantil no país.


De acordo o Co-Investigador Principal do estudo CliMaH, Hermínio Cossa, ainda é limitada a evidência integrada e sensível ao género sobre a forma como as alterações climáticas, a mobilidade, a urbanização e as mudanças no uso do solo interagem ao longo do tempo e do espaço em Moçambique. Neste sentido, o projecto CliMaH pretende colmatar esta lacuna, baseando-se em parcerias estabelecidas desde 2017 no âmbito do projecto HIA4SD (Avaliação de Impacto na Saúde para o Desenvolvimento Sustentável), bem como numa colaboração estreita com o Governo moçambicano e diversos stakeholders nacionais e internacionais.


“As mulheres e crianças são desproporcionalmente afectadas pelas mudanças em curso. Choques climáticos, podem agravar a desnutrição, dificultar o acesso aos serviços de saúde materna e infantil e aprofundar desigualdades já existentes, sobretudo em contextos de mobilidade e expansão urbana acelerada”, disse Hermínio.


Resultados preliminares de uma estimativa conduzida por parceiros do projecto – nomeadamente o Ministério de Saúde, a Universidade Eduardo Mondlane, a Universidade de Zurique, a Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique e o Instituto Suíço de Saúde Pública e Tropical – indicam associações relevantes entre variações climáticas e desnutrição infantil. O estudo constatou que tanto temperaturas amenas como elevadas contribuem para explicar a desnutrição crónica e o atraso de crescimento. Por exemplo, um dia adicional com temperaturas de 35°C está associado, em média, a um aumento de 0,9% na probabilidade de atraso de crescimento.


No acto do lançamento, o Ministério de Saúde, representado pela Chefe de Departamento de Saúde Ambiental, Catarina Maguni, destacou que este projecto marca o início de uma iniciativa estratégica para responder a desafios cada vez mais evidentes no nosso país. “No contexto das alterações climáticas e urbanização acelerada, a saúde materno-infantil assume uma importância crucial. Mulheres grávidas, recém-nascido e crianças são particularmente sensíveis às mudanças ambientais e sociais. Compreender como o clima e a urbanização influenciam padrões de doenças, o acesso aos cuidados de saúde e os resultados em saúde é essencial para desenvolver respostas eficazes e sustentáveis”, afirmou.


Maguni acrescentou ainda que o projecto aposta na utilização de dados digitais para gerar evidências científicas sólidas, apoiar políticas públicas informadas por evidências e fortalecer a capacidade de antecipação e resposta do sistema de saúde. “A integração da tecnologia, investigação e conhecimento local permitirá identificar tendências, mapear riscos e apoiar intervenções mais direcionadas às populações mais vulneráveis”, concluiu.


O projecto CliMaH combina análises a nível nacional com estudos de campo em três a quatro zonas consideradas críticas nas provincias de Maputo, Gaza e Nampula. Inclui igualmente uma análise retrospectiva dos últimos 10 a 20 anos, com enfoque no planeamento prospectivo. As análises preliminares, que cruzam dados climáticos, demográficos e de saúde, apontam tendências relevantes, como o crescimento populacional concentrado em zonas urbanas, periurbanas e costeiras – áreas frequentemente mais expostas a riscos climáticos.


Durante a oficina de trabalho no acto de lançamento, os participantes avaliaram a relevância das evidências para a formulação de políticas públicas, identificaram lacunas prioritárias de dados e apresentaram recomendações sobre a disponibilidade e viabilidade da informação para sustentar futuras intervenções.

2 comentários


Aquibo José
23 de fev.

Uma visão muito boa, esse estudo deveria chegar cá na região Norte, pois a mudança climática tem influência muito sim da reprodução, principalmente nas zonas recônditas aumentando o índice de natalidade na província assim como no paz. Falo isso por esperiencia própria e por conhecimento na área de medicina. Técnico de medicina geral Aquibo José

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madamesargento@gmail.com
23 de fev.

Parabéns pelo trabalho a toda equipe do CISM, em particular ao Dr: Cossa

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