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CISM REFORÇA COOPERAÇÃO REGIONAL PARA VIGILÂNCIA DA RESISTÊNCIA DA MALÁRIA AOS ANTIMALÁRICOS

A iniciativa enquadra-se no projecto regional TES-Angola
A iniciativa enquadra-se no projecto regional TES-Angola

A resistência aos antimaláricos ocorre quando o parasita da malária desenvolve mutações no seu ADN, reduzindo a eficácia dos medicamentos utilizados no tratamento da doença. Segundo especialistas, o aumento destes casos representa um desafio significativo para os países africanos, incluindo Angola e Moçambique, onde a malária continua a figurar entre as principais causas de doença e mortalidade. É neste contexto que o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) tem vindo a reforçar a cooperação científica regional para monitorar a resistência do parasita aos antimaláricos, um fenómeno que preocupa especialistas em saúde pública devido à sua disseminação e rápido avanço observado em diferentes partes do mundo.


A iniciativa integra esforços conjuntos da Direcção Nacional de Saúde Pública, do Programa Nacional de Controlo da Malária, do Instituto Nacional de Investigação em Saúde de Angola, do Instituto de Saúde Global de Barcelona e do CISM.


No âmbito desta colaboração, os parceiros estão a desenvolver actividades de Vigilância Molecular da Malária, uma estratégia considerada fundamental para detectar precocemente mutações associadas à resistência aos medicamentos e apoiar os programas nacionais na actualização dos protocolos terapêuticos, bem como das estratégias de controlo e eliminação da malária.

A cooperação enquadra-se igualmente no projecto regional TES-Angola

A cooperação enquadra-se igualmente no projecto regional TES-Angola, uma iniciativa focada no fortalecimento da vigilância molecular da eficácia terapêutica dos antimaláricos em Angola. O projecto visa reforçar a monitorização genética do parasita e fortalecer a capacidade técnica e científica das instituições angolanas em biologia molecular, promovendo maior autonomia futura na monitorização da resistência aos antimaláricos.


De acordo com os investigadores envolvidos, a vigilância molecular complementa os sistemas tradicionais de vigilância epidemiológica e permite acompanhar a evolução da resistência do parasita de forma mais precisa, rápida e integrada nos processos de tomada de decisão dos programas nacionais de controlo da malária.


Como parte deste processo, foi realizado um workshop sobre Vigilância Molecular no contexto do projecto TES-Angola em Luanda, Angola, nos dias 13 e 14 de Maio, que reuniu diferentes especialistas, investigadores e técnicos lusófonos para discutir estratégias de monitorização da eficácia terapêutica, resistência aos antimaláricos e aplicações da genómica na vigilância e eliminação da malária. O workshop foi precedido por actvividades laboratorias que incluiram sessões práticas e teóricas sobre técnicas laboratoriais de biologia molecular, extracção de ADN, preparação de amostras para sequenciação e interpretação de dados genómicos aplicados à vigilância da malária.


Angola realiza estudos de eficácia terapêutica dos antimaláricos desde 2013, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até recentemente, o processamento molecular das amostras era efectuado nos laboratórios do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em Atlanta, Estados Unidos da América. Com o término deste apoio internacional, foi estabelecida uma parceria com o CISM e o ISGlobal para garantir a continuidade do processamento e análise das amostras, bem como promover a transferência de conhecimento e tecnologia para instituições angolanas.


Os organizadores consideram que a colaboração entre Angola, Moçambique e Espanha representa um passo importante para o fortalecimento da investigação científica em África e para o desenvolvimento de respostas regionais mais eficazes no combate à malária.


Num contexto em que a resistência aos medicamentos ameaça comprometer os avanços alcançados no controlo da doença, os investigadores defendem que o investimento em vigilância molecular, inovação científica e formação de recursos humanos especializados será determinante para apoiar os programas nacionais de controlo da malária e acelerar os esforços de eliminação da doença na região da África Austral.

Conheça o contributo do CISM na área da Malária

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