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ESPECIALISTAS PREOCUPADOS COM AS ACTUAIS TAXAS DE MORTALIDADE MATERNA

12 de jul. de 2023
2 min de leitura

Um artigo de opinião publicado na British Medical Journal (BMJ), por um grupo de especialistas liderados por Clara Menéndez, investigadora do CISM e directora da Iniciativa de Saúde Materna, Infantil e Reprodutiva no Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), alerta para a preocupante falta de progresso das estratégias que visam reduzir a mortalidade materna a nível global, facto que segundo os especialistas, foi agravado pela pandemia da COVID-19 e pela falta de investimento no sector.

Em 2020, cerca de 287.000 mulheres morreram no mundo por causas relacionadas à gravidez,

Segundo dados do artigo, que analisaram o último relatório de progresso global sobre mortalidade materna elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa global de mortalidade materna, observado no início deste século, estagnou nos últimos anos e a pandemia da COVID-19 agravou ainda mais a situação. Segundo eles, em 2020 por exemplo, estima-se que 287.000 mulheres morreram no mundo por causas relacionadas à gravidez, parto ou no período pós-parto (puerpério), representando cerca de 800 mortes maternas por dia.


Para os especialistas, se prevalecer a taxa de progresso dos últimos cinco anos, a taxa de mortalidade materna deverá ser de 222 por 100.000 nascidos vivos em 2030, ou seja, mais de três vezes a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa reduzir as mortes maternas para menos de 70 por 100.000 nascidos vivos. Menéndez, considera que “para atingir esse objetivo, é necessário concentrar esforços nos factores que determinam a sobrevivência materna, especialmente em países com alto peso da mortalidade (95% das mortes maternas ocorrem em países de baixa e média renda, e 70% delas estão concentradas na África subsaariana).”


“Mas também, a falta de acesso oportuno a cuidados médicos, a chegada tardia a um centro de saúde e a demora em receber atendimento adequado, são factores que contribuem para a alta mortalidade materna. Alia-se o facto de que há problemas na qualidade dos cuidados, falta de formação e motivação do pessoal de saúde, falta de recursos e instalações médicas e falta de autonomia na tomada de decisão da mulher sobre seus cuidados médicos. E, um factor chave muitas vezes ignorado, é o diagnóstico impreciso das causas da morte materna, como o sob rediagnóstico de eclâmpsia ou o subdiagnóstico de infecções obstétricas, o que leva a um manejo inadequado dos casos clínicos”, acrescenta Clara Menéndez.

Há necessidade de investir nas campanhas de planeamento familiar e promoção da igualdade de género

Segundo a investigadora e coordenadora da área de Saúde Materna, Sexual e Reprodutiva do CISM, Tacilta Nhampossa, co-autora do artigo, “destacamos a importância de se melhorar os sistemas de colheita de dados, a necessidade de investir nas campanhas de planeamento familiar e promoção da igualdade de género. Ou seja, achamos que países de baixa renda, como Moçambique, devem priorizar a saúde materna nas suas agendas, de forma a garantir a igualdade de género e empoderamento das mulheres em relação a sua capacidade de tomada de decisão”.


Referência:

Menendez C, Nhampossa T, Gbeasor-Komlanvi DF, de Lauwerier VB, Gupta G, Bustreo F et al. O progresso global estagnado nas mortes maternas evitáveis ​​precisa de foco e acção renovados; BMJ 2023; 381:p1473. doi:10.1136/bmj.p1473

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