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ESPECIALISTAS PREOCUPADOS COM AS ACTUAIS TAXAS DE MORTALIDADE MATERNA


Um artigo de opinião publicado na British Medical Journal (BMJ), por um grupo de especialistas liderados por Clara Menéndez, investigadora do CISM e directora da Iniciativa de Saúde Materna, Infantil e Reprodutiva no Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), alerta para a preocupante falta de progresso das estratégias que visam reduzir a mortalidade materna a nível global, facto que segundo os especialistas, foi agravado pela pandemia da COVID-19 e pela falta de investimento no sector.

Em 2020, cerca de 287.000 mulheres morreram no mundo por causas relacionadas à gravidez,

Segundo dados do artigo, que analisaram o último relatório de progresso global sobre mortalidade materna elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa global de mortalidade materna, observado no início deste século, estagnou nos últimos anos e a pandemia da COVID-19 agravou ainda mais a situação. Segundo eles, em 2020 por exemplo, estima-se que 287.000 mulheres morreram no mundo por causas relacionadas à gravidez, parto ou no período pós-parto (puerpério), representando cerca de 800 mortes maternas por dia.


Para os especialistas, se prevalecer a taxa de progresso dos últimos cinco anos, a taxa de mortalidade materna deverá ser de 222 por 100.000 nascidos vivos em 2030, ou seja, mais de três vezes a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa reduzir as mortes maternas para menos de 70 por 100.000 nascidos vivos. Menéndez, considera que “para atingir esse objetivo, é necessário concentrar esforços nos factores que determinam a sobrevivência materna, especialmente em países com alto peso da mortalidade (95% das mortes maternas ocorrem em países de baixa e média renda, e 70% delas estão concentradas na África subsaariana).”


“Mas também, a falta de acesso oportuno a cuidados médicos, a chegada tardia a um centro de saúde e a demora em receber atendimento adequado, são factores que contribuem para a alta mortalidade materna. Alia-se o facto de que há problemas na qualidade dos cuidados, falta de formação e motivação do pessoal de saúde, falta de recursos e instalações médicas e falta de autonomia na tomada de decisão da mulher sobre seus cuidados médicos. E, um factor chave muitas vezes ignorado, é o diagnóstico impreciso das causas da morte materna, como o sob rediagnóstico de eclâmpsia ou o subdiagnóstico de infecções obstétricas, o que leva a um manejo inadequado dos casos clínicos”, acrescenta Clara Menéndez.

Há necessidade de investir nas campanhas de planeamento familiar e promoção da igualdade de género

Segundo a investigadora e coordenadora da área de Saúde Materna, Sexual e Reprodutiva do CISM, Tacilta Nhampossa, co-autora do artigo, “destacamos a importância de se melhorar os sistemas de colheita de dados, a necessidade de investir nas campanhas de planeamento familiar e promoção da igualdade de género. Ou seja, achamos que países de baixa renda, como Moçambique, devem priorizar a saúde materna nas suas agendas, de forma a garantir a igualdade de género e empoderamento das mulheres em relação a sua capacidade de tomada de decisão”.


Referência:

Menendez C, Nhampossa T, Gbeasor-Komlanvi DF, de Lauwerier VB, Gupta G, Bustreo F et al. O progresso global estagnado nas mortes maternas evitáveis ​​precisa de foco e acção renovados; BMJ 2023; 381:p1473. doi:10.1136/bmj.p1473

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