Estudo confirma eficácia do Coartem no tratamento da Malária em Moçambique
- Nercio Machele

- há 3 dias
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Um estudo conduzido por investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) e seus parceiros, confirmou a elevada eficácia da combinação artemether-lumefantrina, comercialmente conhecida como Coartem, no tratamento da malária não complicada causada pelo Plasmodium falciparum, o parasita responsável pela maioria dos casos de malária em Moçambique.
Os resultados foram recentemente publicado na revista científica Malaria Journal e resultam de uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu dados de diferentes estudos realizadas no país ao longo dos últimos anos. A investigação avaliou o desempenho terapêutico de um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da malária em Moçambique.
O Coartem, é uma combinação de dois medicamentos antimaláricos – artemether e lumefantrina – recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início dos anos 2000 como tratamento de primeira linha para a malária não complicada. A sua elevada eficácia e rápida acção na eliminação do parasita contribuíram para a sua ampla utilização. O tratamento é administrado por via oral durante três dias, num total de seis doses, e deve ser iniciado logo após o diagnosticada para garantir melhores resultados clínicos e reduzir o risco de complicações.
O Coartem mantém níveis elevados de eficácia

Segundo Abel Nhama, investigador do CISM e primeiro autor do artigo, os resultados demonstram que o Coartem mantém níveis elevados de eficácia no tratamento da malária não complicada, reforçando a confiança na sua manutenção como tratamento de primeira linha em Moçambique. “Os resultados representam uma importante contribuição para os esforços nacionais de controlo da malária, pois confirmam que o Coartem continua eficaz no tratamento desta doença. Esta evidência é fundamental para orientar as políticas de tratamento e reforçar a confiança nas terapias actualmente utilizadas”, afirma o investigador.
Apesar dos resultados encorajadores, Abel Nhama destaca a importância de manter a monitoria contínua da eficácia dos medicamentos antimaláricos, de forma a detectar precocemente eventuais sinais de resistência.
Para Pedro Aide, coordenador da Área de Investigação da Malária do CISM e coautor do artigo, os resultados reforçam a relevância da vigilância terapêutica contínua. “A geração de evidência científica local é fundamental para apoiar a tomada de decisões no sector da saúde e fortalecer os esforços de controlo da malária em Moçambique”, refere.
O artigo também chama a atenção para a necessidade de manter sistemas robustos de vigilância epidemiológica e farmacológica, num contexto em que vários países africanos acompanham com preocupação o surgimento de sinais de resistência parcial aos derivados de artemisinina em algumas regiões do continente.
O artigo insere-se no programa de Doutoramento do Investigador, Abel Nhama, desenvolvido no âmbito do consórcio Pamafrica, financiado pelo segundo programa da Parceria de Ensaios Clínicos entre a Europa e os Países em Desenvolvimento (EDCTP2).
Num contexto em que a malária continua a representar um dos principais desafios de saúde pública em Moçambique, afectando sobretudo crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas, o CISM prossegue a sua agenda de investigação na área, incluindo estudos epidemiológicos e entomológicos, monitoria da resistência aos medicamentos, avaliação de intervenções de controlo e o desenvolvimento de novas abordagens para reduzir a transmissão da malária no país.
Referência
Nhama A, Aide P, Torres-Fernandez D, Varo R, Nhacolo A, Bassat Q. Efficacy of artemether-lumefantrine for uncomplicated Plasmodium Falciparum malaria treatment in Mozambique: a systematic review and meta-analysis. Malar J. 2026 May 22. doi: 10.1186/s12936-026-05931-y. Epub ahead of print. PMID: 42174576.
Saiba mais sobre o contributo do CISM na área da Malária



