ESTUDO REVELA ALTA ACEITABILIDADE DE MITS EM MOÇAMBIQUE


Líderes comunitários e Jornalistas envolvidos em actividades de demostração do circuito de MITS

Nos países em vias de desenvolvimento, a mortalidade é no geral subestimada, pois as pessoas morrem com frequência antes de serem observadas por pessoal médico qualificado. Estes óbitos são sepultados ou cremados sem nenhuma história clínica documentada e sem nenhuma avaliação sobre as causas da morte. Neste contexto, o CISM realiza uma vigilância sobre causas de morte utilizando procedimentos para obtenção de amostras minimamente invasivas de tecidos (MITS), formalmente conhecido como Autopsia Minimamente Invasiva (MIA).


Esta vigilância visa gerar dados credíveis e precisos sobre a mortalidade de forma a ajudar aos decisores políticos, doadores e outras partes interessadas, a focalizarem a atenção e esforços em intervenções mais adequadas e eficazes, que permita contribuir para concretizar a visão global de eliminar a mortalidade infantil evitável como parte dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Um artigo desenvolvido no âmbito desta vigilância sob coordenação da Dra. Khátia Munguambe, Investigadora do CISM, avaliou as componentes de aceitabilidade, incluindo facilitadores e barreiras em cenários reais das MITS, cujas evidências levaram a equipa a concluir que há uma alta aceitação antecipada e experimentada dessas intervenções, impulsionada pela oportunidade de evitar mais mortes.


O estudo que adoptou uma análise de métodos mistos comparando a aceitabilidade antecipada (cenário hipotético) e experimentada (cenário de caso real) de MITS entre parentes de crianças falecidas em Moçambique, decorreu nos distritos de Manhiça e Quelimane, nas províncias de Maputo e Zambézia respectivamente, e avaliou dados do projecto CHAMPS e Cadmia Plus. O artigo, revelou que o cenário hipotético identificou o grau de sigilo, confidencialidade e os processos complexos de tomada de decisão como barreiras. Por outro lado, o cenário de caso real, revelou que a logística e os aspectos práticos da família e da unidade de saúde constituem barreiras, pelo que os impedimentos do sistema de saúde e logísticos também devem ser considerados antes da implementação de MITS. Além disso, os múltiplos componentes de aceitabilidade devem ser levados em consideração para tornar a técnica mais consistente e transferível.


Entretanto, segundo a equipa envolvida no estudo, foram identificados alguns factores chave que influenciam a não aceitação de MITS por alguns membros das comunidades, nomeadamente a necessidade de se conformar com a norma de sepultamento imediato da criança, o sigilo das mortes perinatais, a complexidade da tomada de decisão, o desalinhamento entre o propósito de MITS e os valores tradicionais, a falta de uma razão confiável para investigar as causas de morte e, a impotência para ressuscitar os falecidos.


O artigo foi publicado na revista PLOS ONE por Khátia Munguambe, Maria Maixenchs, Rui Anselmo, John Blevins, Jaume Ordi, Inácio Mandomando, Robert F. Breiman, Quique Bassat e Clara Menéndez. O mesmo, esta disponível neste link.


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