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ESTUDO REVELA LIÇÕES SOBRE O REAL IMPACTO DA COVID-19 NA MANHIÇA

Charfudin Sacoor, primeiro autor do artigo.
Charfudin Sacoor, primeiro autor do artigo.

Uma análise da mortalidade antes e durante a pandemia de COVID-19 no distrito de Manhiça, na província de Maputo, revela um aumento de casos de obitos durante o período pandémico, após vários anos de tendência de redução. A pesquisa, liderada por Charfudin Sacoor, investigador do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), destaca ainda fragilidades nos sistemas de informação em saúde no país, que dificultam a medição precisa do real impacto da pandemia.


Com base em dados do Sistema de Vigilância Demográfica e de Saúde da Manhiça (HDSS), o estudo comparou o período pré-pandemia (2016–2019) com os anos da pandemia (2020–2021), analisando tendências de mortalidade, esperança de vida e diferenças entre homens e mulheres. Os resultados mostram uma redução contínua da mortalidade até 2019, seguida por um aumento em 2021, revertendo os ganhos observados nos anos anteriores.


Apesar de uma melhoria aparente em 2020, os dados revelam que o impacto mais significativo da pandemia ocorreu em 2021, período associado a vagas mais intensas da doença e a perturbações nos serviços de saúde. A esperança de vida diminuiu em ambos os sexos nesse ano, e as taxas de mortalidade voltaram a subir.


A análise do excesso de mortalidade evidenciou impactos diferenciados entre grupos populacionais. Os homens, particularmente os com 65 anos ou mais, apresentaram os níveis mais elevados de mortalidade, confirmando uma desigualdade persistente entre sexos. Contudo, também se registou um aumento inesperado da mortalidade em raparigas entre os 5 e os 14 anos, sugerindo efeitos indiretos da pandemia ainda pouco compreendidos.


“Um dos principais alertas do estudo está relacionado com as limitações dos sistemas de informação em saúde em Moçambique. A fraca cobertura e o registo incompleto de óbitos, sobretudo a nível comunitário, dificultam a estimativa real do impacto da pandemia. Assim, os números oficiais podem representar apenas uma parte da realidade”, disse o investigador.


Mais do que as mortes directamente causadas pela COVID-19, o estudo aponta para um aumento de mortes indirectas, resultantes da interrupção de serviços essenciais de saúde, dificuldades de acesso aos cuidados e da pressão sobre um sistema já fragilizado. A pandemia, neste sentido, não só provocou uma crise sanitária, mas também expôs vulnerabilidades estruturais profundas.


Outro dado que merece destaque é o aumento inesperado da mortalidade em grupos específicos, como homens idosos, os mais afectados, mas também raparigas entre os 5 e os 14 anos. Este padrão foge ao perfil típico da doença e sugere impactos sociais e limitações no acesso a cuidados ainda pouco compreendidos.


Para o investigador e primeiro autor do artigo, Charfudin Sacoor, “os resultados deste estudo reforçam a necessidade urgente de investir em sistemas robustos de vigilância demográfica e de saúde, capazes de captar com maior precisão os efeitos de crises sanitárias”. Acrescenta ainda que “a grande implicação vai além da técnica: quem morre fora do sistema continua, em grande medida, invisível nas estatísticas oficiais”.


Num momento em que o mundo procura retirar lições da pandemia, este estudo traz uma reflexão essencial para o país. Mais do que reconhecer o aumento da mortalidade, é fundamental compreender quem foi afectado, onde ocorreram as mortes e por que razão continuam, em parte, por ser contabilizadas.



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