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ESTUDOS MOLECULARES REVELAM ELEVADA DIVERSIDADE GENÉTICA EM UMA BACTÉRIA ASSOCIADA À DIARREIA INFANTIL EM MOÇAMBIQUE

Delfino Vubil, Primeiro autor do artigo
Delfino Vubil, Primeiro autor do artigo

A diarreia continua a ser uma das principais causas de mortalidade infantil em países de baixa-média renda, reforçando a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os agentes infecciosos envolvidos e de fortalecer estratégias de prevenção e tratamento. Neste contexto, investigadores do CISM identificaram uma elevada diversidade genética em genes de virulência de Escherichia coli enteropatogénica-EPEC, uma bactéria frequentemente associada à diarreia em crianças menores de cinco anos em Moçambique.


Os resultados da análise, recentemente publicados na revista científica BMC Infectious Diseases, evidenciam variações alélicas do gene de virulência eae, fundamental para a adesão das estirpes de EPEC à mucosa intestinal um passo importante para o processo de infecção. A identificação dessas variações genéticas, constitui uma ferramenta valiosa para a caracterização das estirpes de EPEC, com aplicações relevantes no diagnóstico, na compreensão da patogénese, na imunologia e na epidemiologia molecular.


O estudo teve como principal objectivo identificar as variantes alélicas do gene eae e explorar a sua possível associação com características clínicas, utilizando uma colecção de isolados de EPEC provenientes de crianças menores de 5 anos de idade, com ou sem diarreia, no distrito da Manhiça no sul de Moçambique. Estes dados integram o Estudo Multicêntrico Global sobre Doenças Diarreicas (GEMS).

 

De acordo com o primeiro autor do artigo e investigador do CISM na Área de Doenças Bacterianas, Virais e Tropicais Negligenciadas, Delfino Vubil, “os resultados mostram que a EPEC típica foi a mais frequente, representando cerca de 72% dos casos analisados. Além disso, foram identificados 18 tipos diferentes do gene eae, sendo os mais comuns as variantes eae-λ, eae-β1 e eae-ξR/β2B”. Ainda de acordo com Vubil, embora não tenham sido encontradas associações claras entre os alelos estudados e a gravidade clínicas, algumas variantes foram mais comuns em determinados perfis clínicos, sugerindo um possível papel na manifestação da doença. “Outros factores, para além do gene analisado, poderão desempenhar um papel importante no desenvolvimento da doença”, sublinha.


 “Este é o primeiro estudo realizado em Moçambique a caracterizar a diversidade molecular deste importante gene de virulência em estirpes de EPEC. Os resultados reforçam a necessidade de investigações adicionais, incluindo análises genómicas mais abrangentes, para melhor compreender os determinantes da gravidade da diarreia infantil associada a este patógeno”, acrescenta.


O estudo GEMS foi um estudo de caso-controlo sobre diarreia, coordenado pelo Centro de Desenvolvimento de Vacinas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland. Foi implementado em sete países da Ásia e África, nomeadamente Gâmbia, Quénia, Mali, Moçambique, Bangladesh, Índia e Paquistão, envolvendo cerca de 22 568 crianças menores de cinco anos.


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