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MOVIMENTO GLOBAL ENGAJADO A ACABAR COM AS DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS

Atualizado: 6 de fev. de 2023


Celebra-se anualmente a 30 de Janeiro, o dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas, cujo propósito é chamar atenção para o Investimento neste grupo de doenças. Para este ano, foi estabelecido o lema “Agir agora. Agir em conjunto”, exortando assim aos governos, aos líderes mundiais e tomadores de decisão para que actuem agora e actuem em conjunto e invistam nas Doenças Tropicais Negligenciadas através de financiamento sustentável para as DTN´s.


Doenças Tropicais Negligenciadas são um conjunto de doenças que ocorrem predominantemente nos países em desenvolvimento e são responsáveis por elevada morbilidade e mortalidade, elas afectam 1,7 bilhão de habitantes de 149 países. O Dia Mundial das DTN visa mobilizar a vontade política e assegurar compromissos para eliminar as DTN´s em apoio ao roteiro das DTN´s da Organização Mundial de Saúde (OMS) 2021-2030, incluindo a eliminação de pelo menos uma (1) DTN de 100 países até 2030.


De acordo com os dados recentemente publicados no site oficial do movimento, 47 países eliminaram uma DTN nos últimos anos. Em 2020, ano em que foi instituído o 30 de Janeiro como o dia das DTNs pela Assembleia Mundial da Saúde, menos 600 milhões de pessoas necessitaram de intervenções contra as doenças não transmissíveis do que em 2010. Contudo, durante algum tempo, a falta de recursos tem sido visto como uma barreira significativa ao controlo, eliminação, e erradicação das DTNs.


Segundo o Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, na mensagem oficial da agência internacional de saúde, essas doenças são “negligenciadas” porque estão quase ausentes da agenda global de saúde, recebem pouco financiamento e estão associadas ao estigma e à exclusão social. Ainda segundo ele, “são doenças de populações negligenciadas e perpetuam um ciclo de maus resultados educacionais e oportunidades profissionais limitadas.”


As DTNs mais frequentes em Moçamnique país são as Cisticercoses, Dengue, Tripanossomíase humana africana, Lepra, Filaríase linfática, Oncocercose, Raiva, Esquistossomíase, Helmintos transmitidos pelo solo (geohelmintos) e Tracoma.

Em Moçambique, o governo, com o apoio da OMS, lançou, em 2012, um plano para combater as Doenças Tropicais Negligenciadas com o objectivo de alargar o acesso ao tratamento às enfermidades e estabelecer um sistema de monitoria e avaliação, vigilância e pesquisa operacional. As DTNs mais frequentes no país são as Cisticercoses, Dengue, Tripanossomíase humana africana, Lepra, Filaríase linfática, Oncocercose, Raiva, Esquistossomíase, Helmintos transmitidos pelo solo (geohelmintos) e Tracoma. Essas doenças podem ser tratadas com quimioterapia preventiva, utilizando a administração massiva de medicamentos.


No Centro de Investigação em Saúde da Manhica (CISM), as DTNs fazem parte de linha prioritária de pesquisa desde 2015, época em que iniciaram vários estudos incluindo ensaios clínicos, tanto nas comunidades, como nas escolas. Neste momento, o maior foco de estudo da subárea das DTNs no CISM tem sido as Helmintíases Transmitidas pelo Solo e as Esquistossmíase. Igualmente, com o apoio da plataforma de vigilância demográfica (HDSS), são estudados os determinantes sociodemográficos para a infecção por estas doenças ao nível do distrito da Manhiça.


Segundo o coordenador da área de Doenças Bacterianas, Virais e Outras Tropicais Negligenciadas (DBVOTN), Inácio Mandomando, neste momento está a decorrer, um ensaio clínico de avaliação da eficácia de uma nova co-formulação de dose única de Albendazol-Ivermetina que poderá resolver o problema das geo-helmintíases incluindo o controlo de outras DTNs como sarna, filaríase linfática e malária. Para o coordenador da área, é a primeira vez que este tipo de solução é desenvolvida, e o CISM faz parte desta solução que poderá alterar o quadro programático do combate das helmintíases em todo o mundo, assim que for aprovado pela Agência Europeia de Medicação (EMA) e a OMS, que estão a acompanhar de perto a condução do ensaio clínico.


Nos últimos 10 anos, As 4 províncias do Norte (Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Tete), uma do Centro (Zambézia) e duas do sul (Maputo e a cidade de Maputo) são as que apresentaram o maior número de DTN. E no mesmo período, as províncias de e, durante os últimos 10 anos, Gaza e Inhambane (no Sul), Manica (no Centro), e Inhambane eram as províncias comapresentaram menos casos NTD reportados.

Acesso limitado à água e as fracas condições de saneamento do meio contribuem para a prevalência dessas doenças no país
"Em termos gerais, o acesso limitado à água e as fracas condições de saneamento do meio contribuem para a prevalência dessas doenças no país"

“Em termos gerais, o acesso limitado à água e as fracas condições de saneamento do meio contribuem para a prevalência dessas doenças no país, a expansão das actividades de pesquisa para outras regiões do país constituiu também um desafio. Do lado do CISM, há necessidade de reforçar a equipa técnica do CISM para responder às novas abordagens que surgem nesta área, como é o caso da Saúde Única (one Health). Outro desafio que começa a ganhar expressão é a integração de outros actores ligados à saúde animal e ambiental para completar as triadas ecológica da doença na abordagem da saúde única, que já a OMS tem orientado”, disse Mandomando.


Por sua vez, o Investigador Júnior do CISM, Valdemiro Escola, considera que, o país tem apresentado um aumento considerável na cobertura da quimioterapia preventiva para as DTNs mais predominantes e, o esforço para controlar essas doenças é visível com maior destaque nos últimos 7 anos. Contudo, nas palavras de Escola, o combate às Doenca Tropicais Negligenciadas, deve contemplar a educação e sensibilização das comunidades, em especial das crianças em idade escolar, pois estas podem melhor replicar o ensinamento ou mudar as práticas de forma natural, sendo que uma das soluções, pode ser o retorno aos programas de saúde escolar, como também, a integração efectiva das várias organizações que trabalham nas DTNs visando reforçar as capaciddes existentes para estudar e combater estas doenças no país.

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