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MULHERES GRÁVIDAS CONSTITUEM UM GRUPO IDEAL PARA MONITORAR A PREVALÊNCIA DA MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS


Foto da internet

As taxas de infecção por Plasmodium falciparum (vector da malária) em mulheres grávidas na sua primeira consulta pré-natal podem ser usadas para estimar a carga de malária em crianças que vivem na comunidade, de acordo com um estudo recentemente publicado na Nature Communications, por investigadores do CISM e ISGlobal. O mesmo, destaca que as mulheres grávidas são uma população ideal para monitorar as mudanças na prevalência da malária e outras doenças infecciosas e adaptar as medidas de controlo.


O monitoramento rigoroso das tendências da malária em uma comunidade ou região (ou seja, se está aumentando ou diminuindo) é essencial para ajustar as intervenções destinadas a controlar ou eliminar a doença. “Foi neste contexto, que medimos a prevalência da malária em 6.471 mulheres grávidas atendidas em consultas pré-natais em três áreas com diferentes níveis de transmissão, nomeadamente nos distritos de Manhiça (Manhiça Sede e Ilha Josina) e Magude Sede, província de Maputo, e comparamos com a prevalência estimada a partir de casos clínicos ou de estudos transversais em crianças, nas mesmas áreas e no mesmo período (2016-2019)”, comenta Glória Matambisso, investigadora do CISM e co-primeira autora do artigo, junto com Arnau Pujol, investigador do ISGlobal.


As análises do estudo mostram que as taxas de infecção em mulheres grávidas refletem de perto as taxas em crianças de estudos transversais, especialmente quando o parasita é detectado por testes moleculares (PCR). Com os testes de diagnóstico rápido, a correlação mantém-se nas áreas de baixa transmissão (Manhiça ou Magude), mas perde-se nas áreas de alta transmissão (Ilha Josina) quando se incluem mulheres multigrávidas (que tiveram mais do que uma gravidez). As mulheres multigrávidas tiveram uma prevalência menor do que as crianças da comunidade. “Isso ocorre porque a imunidade adquirida em gestações anteriores permite que elas mantenham baixas densidades parasitárias e evitem a detecção por testes rápidos, menos sensíveis que o PCR”, explica Arnau Pujol.


Por outro lado, Alfredo Mayor (investigador do ISGlobal & CISM), líder da equipa do estudo, considera que, as consultas pré-natais têm a vantagem de capturar infecções assintomáticas porque são independentes de a pessoa se sentir mal ou não. “E já que, na África subsaariana, 79% das mulheres grávidas comparecem a pelo menos uma consulta pré-natal, elas constituem uma boa representação da população total” observa Alfredo Mayor.


Os resultados também mostram uma boa correlação ao longo do tempo entre a queda das taxas de infecção em gestantes e a dos casos clínicos, embora com defasagem de cerca de três meses (ou seja, as taxas de infecção em gestantes seguiram o mesmo padrão dos casos clínicos, mas com um atraso de 2-3 meses). Essa correlação foi observada nos três locais, independentemente de a mulher ser primigesta, multigesta ou HIV positiva.


Por fim, 60% dos focos de infecção identificados nos casos clínicos também foram encontrados nas gestantes, graças a um software que identifica casos geograficamente próximos.


"O nosso estudo mostra também que a triagem do P. falciparum na primeira consulta pré-natal pode ser usada para estimar a carga de doenças em crianças", diz Matambisso. No entanto, os autores alertam que é importante considerar o atraso de cerca de três meses em relação aos casos clínicos, bem como a necessidade de excluir mulheres multigestantes em áreas de alta transmissão ou usar testes mais sensíveis.


Referência

Pujol A, Brokhattngen N, Matambisso G et al. Detecção de padrões temporais e espaciais da malária desde as primeiras consultas pré-natais . Nat Com . Julho de 2023. doi: 10.1038/s41467-023-39662-4

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