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NOVO ARTIGO DO CISM DESTACA IMPACTOS POSITIVOS DA VACINA CONTRA O ROTAVÍRUS


Um artigo recentemente publicado por Filomena Manjate, pesquisadora do CISM, destaca uma redução significativa nas hospitalizações por diarreia por todas as causas e a positividade para rotavírus após a introdução da vacina, demonstrando o impacto benéfico da vacinação contra o rotavírus em uma população altamente vulnerável.


Apesar da implementação a nível mundial de vacinas contra o rotavírus nos Programas Alargados de Vacinação (PAV), o rotavírus continua sendo a principal causa de gastroenterite grave entre crianças menores de 5 anos de idade. Estimativas de 2016 mostraram que o rotavírus foi responsável por 128.500 mortes de crianças nessa faixa etária, em todo o mundo. O estudo Global Enteric Multicenter Study (GEMS), implementado pelo CISM (2007-2012) com o objectivo de quantificar o peso e a etiologia da diarreia moderada a grave (sigla em inglês MSD) em crianças menores de 5 anos de idade que vivem na África Subsaariana (incluindo Moçambique) e no sul da Ásia, confirmou o rotavírus como o principal patogéno associado à MSD, e com a fracção atribuível mais elevada observada entre as crianças moçambicanas.


Os dados do estudo GEMS, foram importantes para apoiar o Ministério da Saúde a aplicar para o financiamento da GAVI, para aquisição da vacina contra o rotavírus (Rotarix®), que foi introduzida em Moçambique em Setembro de 2015, através do PAV. De modo a continuar a monitorização das doenças diarreicas, o CISM implementou em 2015 uma plataforma de vigilância de doenças diarreicas, com o objectivo de avaliar o impacto da introdução da vacina contra rotavírus no peso e etiologia das diarreias.


De acordo com Manjate, “dados de alguns países que introduziram a vacina contra o rotavírus, mostraram que esta era benéfica e reduzia significativamente os casos de hospitalização por diarreia e casos associados a rotavírus. Esse efeito também foi verificado em Moçambique, através dos dados sobre a avaliação preliminar da vacina contra rotavírus, mostrando uma redução significativa de casos de rotavírus de 40.2% em 2014 antes da introdução da vacina, para 13.5% em 2017, depois da introdução da vacina em três áreas urbanas de Moçambique (Maputo, Beira e Nampula). Porém,  “pelo facto de Manhiça ser uma área rural e com elevada prevalência de HIV, reportada entre adultos (39.7% em 2012) e em crianças com MSD (25% em 2012), pressupôs-se que o impacto da vacina poderia ser diferente do reportado em outras regiões do país, portanto, este artigo, tinha como objectivo avaliar a contribuição da vacina contra o rotavírus para a redução de hospitalizações por diarreia e positividade de rotavírus entre crianças menores de 5 anos na Manhiça  depois da introdução da vacina”, acrescentou.


Filomena Manjate, Pesquisadora do CISM

Para tal, “analisamos casos de diarreia detectados passivamente através do sistema de vigilância de morbidade do CISM, junto com a análise laboratorial para a deteção de rotavírus  no estudo GEMS e na plataforma de vigilância de doenças diarreicas, onde comparamos a tendência das hospitalizações (prevalência) e taxas de incidência de gastroenterite aguda e diarreia associada a rotavírus (rotavírus confirmado laboratorialmente) nos períodos antes (Janeiro de 2008-Agosto de 2015) e depois da introdução da vacina contra rotavírus (Setembro 2015–Dezembro de 2020), entre crianças <5 anos de idade internadas no Hospital Distrital da Manhiça, e, constatamos que, de Janeiro de 2008 a Dezembro de 2020, a vacinação contra o rotavírus contribuiu para o declínio da prevalência de gastroenterite aguda de 19% antes da introdução da vacina para 10% no período pós-introdução da vacina, prevenindo 40% dos casos esperados de gastroenterite aguda e 80% de rotavírus confirmados laboratorialmente em crianças até 11 meses de idade. Do mesmo modo, a incidência geral de rotavírus foi 11,8 vezes menor no período pós-introdução da vacina em comparação com o período pré-vacinação com a maior redução sendo observada entre crianças até 11 meses de idade, em 16,8 vezes menor” concluiu a pesquisadora pertencente a equipa de Doenças Bacterianas, Virais e Outras Tropicais Negligenciadas.


São co-autores do artigo aqui disponível, Llorenç Quintó Domech, Percina Chirinda, Sozinho Acacio, Marcelino Garrine, Delfino Vubil, Tacilta Nhampossa, Eva Dora João, Arsenio Nhacolo, Anélsio Cossa, Sergio Fernando Massora, Gizela Bambo, Quique Bassat, Karen Kotloff, Myron Levine, Pedro L Alonso, Jacqueline E Tate, Umesh Parashar, Jason M Mwenda e Inácio Mandomando.

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