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Novo artigo partilha experiência que culminou na acreditação internacional ISO15189 do laboratório do CISM

O Artigo científico descreve o percurso de oito anos que permitiu ao laboratório tornar-se uma das poucas infraestruturas de investigação acreditadas em Moçambique
O laboratório do CISM conta com áreas de processamento de amostras nomeadamente, a unidade de análises clínicas (Parasitologia, Hematologia e Bioquímica), Microbiologia (Bacteriologia geral e TB), Imunologia, Biologia Molecular e Entomologia.
O laboratório do CISM conta com áreas de processamento de amostras nomeadamente, a unidade de análises clínicas (Parasitologia, Hematologia e Bioquímica), Microbiologia (Bacteriologia geral e TB), Imunologia, Biologia Molecular e Entomologia.

Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) publicou recentemente um artigo científico que documenta o percurso, os desafios e as lições aprendidas durante o processo que culminou na obtenção da acreditação internacional ISO 15189, uma das mais reconhecidas normas de qualidade e competência para laboratórios clínicos a nível mundial.


Publicado na revista African Journal of Laboratory Medicine, o artigo intitulado “The road map for ISO 15189-laboratory accreditation: The Experience of Manhiça Health Research Centre (CISM) laboratory, in southern Mozambique” descreve o caminho percorrido pelo Laboratório do CISM entre 2012 e 2020 para alcançar este importante marco institucional.


A acreditação ISO 15189 constitui um reconhecimento formal atribuído a laboratórios que demonstram elevados padrões de qualidade, competência técnica e fiabilidade dos seus resultados. Para além de validar os processos laboratoriais, esta acreditação garante que os resultados produzidos cumprem normas internacionalmente reconhecidas, reforçando a confiança de investigadores, profissionais de saúde, parceiros e entidades reguladoras.


Segundo os autores do estudo, os serviços laboratoriais de qualidade são essenciais para o funcionamento eficaz dos sistemas de saúde, uma vez que apoiam o diagnóstico de doenças, a tomada de decisões clínicas, a vigilância epidemiológica, a resposta a surtos e a investigação científica. Contudo, muitos países de baixo e médio rendimento, incluindo Moçambique, continuam a enfrentar desafios relacionados com limitação de recursos, capacidade laboratorial reduzida e necessidade de fortalecimento dos sistemas de gestão da qualidade.

O processo formal arrancou em 2012

Foi precisamente para responder a estes desafios que o Laboratório do CISM iniciou, há mais de uma década, um processo abrangente de melhoria contínua com vista à obtenção da acreditação internacional. O artigo revela que o processo formal teve início em 2012, com uma avaliação preliminar baseada no programa Stepwise Laboratory Improvement Process Towards Accreditation (SLIPTA), promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta avaliação permitiu identificar áreas que necessitavam de melhoria para o cumprimento dos requisitos da norma ISO 15189.


Actualmente, entre as áreas acreditadas encontram-se a identificação e quantificação de espécies de Plasmodium por microscopia, análises hematológicas, exames bioquímicos, contagem de células CD4, quantificação de interferão-gama, diagnóstico molecular da malária por PCR em tempo real, detecção e genotipagem de rotavírus, bem como cultura bacteriana, identificação microbiológica e testes de susceptibilidade aos antimicrobianos.


Delfino Vubil, primeiro autor do artigo e antigo responsável do Laboratório.
Delfino Vubil, primeiro autor do artigo e antigo responsável do Laboratório.

Segundo Delfino Vubil, investigador do CISM e primeiro autor do artigo, a acreditação garante que os resultados produzidos pelo laboratório são reconhecidos internacionalmente, fortalecendo a credibilidade científica das pesquisas desenvolvidas pela instituição e facilitando a sua participação em estudos multicêntricos e ensaios clínicos internacionais.


“Esta acreditação representa não apenas um reconhecimento da qualidade técnica do nosso laboratório, mas também uma ferramenta estratégica para reforçar a confiança nos resultados produzidos e ampliar as oportunidades de colaboração científica internacional”, destaca o investigador.


Delfino Vubil acrescenta ainda que esta publicação constitui, provavelmente, a primeira descrição científica do processo de acreditação ISO 15189 uma organização privada sem fins lucrativos dedicada à investigação em Moçambique. “Ao partilharmos esta experiência com a comunidade científica internacional, pretendemos contribuir para que outras instituições possam beneficiar das lições aprendidas e acelerar os seus próprios processos de melhoria da qualidade, fortalecendo os sistemas laboratoriais e a investigação em saúde em África”, conclui.


Referência

  • Vubil, D. C., Cossa, A., Salvador, E., Bene, M., Manhiça, G., Jairoce, C., Mambuque, E., Quimice, L., Macete, E. V., Saute, F., & Mandomando, I. (2026). The road map for ISO 15189-laboratory accreditation: The Experience of Manhiça Health Research Centre (CISM) laboratory, in southern Mozambique. African Journal of Laboratory Medicine, 15(1), a3153. https://doi.org/10.4102/ajlm.v15i1.3153

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