Webinar destaca importância da consciencialização e prevenção do Hantavírus
- Nercio Machele
- há 32 minutos
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Em Moçambique, as doenças bacterianas, virais e outras doenças tropicais negligenciadas continuam entre as principais causas de morbi-mortalidade, afectando sobretudo populações mais vulneráveis, incluindo crianças menores de cinco anos. Estas doenças estão associadas a diferentes síndromes clínicas, com destaque para infecções entéricas, doenças respiratórias agudas e infecções bacterianas invasivas, representando um importante desafio para a saúde pública nacional.
Entre estas enfermidades encontra-se o hantavírus, uma doença zoonótica transmitida principalmente através do contacto com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. A infecção pode provocar síndromes respiratórias graves e outras complicações potencialmente fatais. Embora tenha sido identificado pela primeira vez na década de 1970, o vírus ganhou maior atenção internacional em 1993, após um surto de síndrome cardiopulmonar por hantavírus nos Estados Unidos da América. Desde então, vários países da Ásia, Europa e Américas têm registado casos e surtos esporádicos, reforçando a necessidade de vigilância epidemiológica e consciencialização pública.
Com objectivo de promover a partilha de conhecimento científico e fortalecer a consciencialização sobre a doença emergente, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) realizou recentemente o webinar “O que sabemos sobre o Hantavírus?”, uma sessão virtual que reuniu profissionais de saúde, investigadores, estudantes e representantes de organizações comunitárias.
A sessão foi conduzida por Percina Chirinda, Investigadora Júnior da área de Doenças Bacterianas, Virais e outras Doenças Tropicais Negligenciadas do CISM, e moderada por Vasco Sambo, Coordenador de Engajamento e Impacto do programa CHAMPS. Durante a apresentação, foram abordados aspectos relacionados com a transmissão do vírus, os factores de riscos associados à exposição a roedores infectados, os sinais clínicos da doença e a importância da vigilância epidemiológica, da educação comunitária e da omunicação de risco.
Durante o webinar, foi reforçada a importância da adopção de medidas preventivas, como a melhoria da higiene ambiental, o controlo de roedores e a promoção de boas práticas de saneamento nas comunidades. Os participantes destacaram igualmente o papel da literacia em saúde e da dissiminação de informação baseada em evidências científicas como instrumentos fundamentais para a prevenção de doenças emergentes.
“Precisamos transformar informação científica em acção comunitária. O hantavírus pode não ser amplamente conhecido em muitas comunidades, mas a prevenção começa exactamente com debates como este, onde partilhamos conhecimento e fortalecemos a capacidade das pessoas para reconhecer e reduzir os riscos de exposição”, afirmou Percina Chirinda.
Durante a discussão, foi igualmente identificado um desafio importante para as actividades de sensibilização comunitária: em algumas regiões, os roedores constituem uma fonte de alimentação para determinadas populações, o que pode aumentar o risco de exposição ao vírus e exige abordagens de comunicação e prevenção adaptadas às realidades locais.
A Área de Doenças Bacterianas, Virais e outras Doenças Tropicais Negligenciadas do CISM, tem entre os seus principais objectivos contribuir para a monitorização de tendências epidemiológicas e das estirpes circulantes, apoiar o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controlo de doenças e fortalecer a investigação em doenças emergentes, zoonóticas e a abordagem One Health. Através destas actividades, o CISM contribui para a geração de evidências científicas que apoiam a protecção da saúde das comunidades e o fortalecimento dos sistemas de vigilância em Moçambique e além-fronteiras.





