CISM PREPARA-SE PARA ESTUDAR OS EFEITOS DA SARS-COV-2 DURANTE A GRAVIDEZ

Atualizado: 5 de mar.


A gravidez é considerada um período de suscetibilidade a infecções, porque o sistema imunológico feminino sofre alterações que facilitam a exposição de micro-organismos causadores de infecções tais como as respiratórias. Desde a eclosão da pandemia da COVID-19, a pneumonia atípica causada pelo vírus SARS-CoV-2, altamente infecciosa, espalhou-se rapidamente pelo planeta causando perdas de vida em todo o mundo. As mulheres grávidas devem ser consideradas uma população com risco aumentado de infecção, dado o maior risco de morbidade e mortalidade graves por SARS e influenza. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017 a África-subsaariana concentrava o maior peso da mortalidade materna no mundo (196.000), num cenário em que o mundo ainda enfrenta desafios impostos pela COVID-19.


Neste contexto, um projecto que irá decorrer no âmbito do programa da EDCTP (The European and Developing Countries Clinical Trials Partnership) irá abordar lacunas urgentes na investigação, no contexto do actual surto da COVID-19, para compreender a história natural da infecção, visando especificamente, contribuir para a compreensão do impacto do SARS-CoV-2 e COVID-19 na saúde das mulheres grávidas que vivem em dois países da Africa-subsaariana (Moçambique e Gabão) onde doenças como a malária e o HIV são altamente prevalentes.


O Projecto denominado Ma-COV (Prevalence and Impacto of SARS-CoV-2 Infection on Maternal and Infant Health in African Populations), irá abordar questões fundamentais sobre o peso e os efeitos da infecção por SARS-CoV-2 durante a gravidez, onde mulheres grávidas atendidas nas Consultas Pré-Natais (CPN) no distrito da Manhiça (Moçambique), Libreville e Lambaréné (Gabão) serão incluídas num estudo de coorte para determinar a frequência da infecção por SARS-CoV-2 (vírus) e COVID-19 (doença) durante a gravidez e seus efeitos na gravidez e no período neonatal.


De acordo com Anete Mendes, médica e pesquisadora do Centro na área de Saúde Materna, Sexual e Reprodutiva, “durante os próximos 6 meses, espera-se recrutar para o estudo aproximadamente 1000 mulheres grávidas (500 em cada país) que serão seguidas até a visita pós-parto e os seus filhos até 30-45 dias após o nascimento, onde serão testadas se estão infectadas por SARS-CoV-2 sempre que relatarem sintomas respiratórios sugestivos de doença COVID-19 durante o seguimento mensal, até seis semanas após o final da gravidez”.


Anete Mendes, Médica

“Além disso, iremos determinar a presença de anticorpos contra SARS-CoV-2 em amostras de sangue, caracterizar a apresentação clínica de COVID-19 na gravidez, e avaliar a incidência de infecção durante a gravidez, os fatores de risco de morbidade e mortalidade materna e neonatais associados à infecção por SARS-CoV-2 e o risco de transmissão vertical de SARS-CoV-2”, acrescentou a pesquisadora.


Ainda neste projecto, espera-se avaliar os efeitos da infecção materna de SARS-CoV-2 nos parâmetros imunológicos relacionados ao HIV (CD4 e carga viral), avaliar o potencial de transmissão vertical e através da amamentação de SARS-CoV-2 de mães infectadas para seus filhos, comparar a transmissão vertical do HIV entre as mulheres infectadas e não infectadas pelo SARS-CoV-2 e explorar a fisiopatologia da co-infecção da malária e SARS-CoV-2 nas mulheres grávidas.


O estudo é coordenado pelo ISGlobal, implementado em Moçambique pelo CISM e no Gabão pelo Centre de Recherches Médicales de Lambaréné (CERMEL).

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