DISTRITO DE MOPEIA AGUARDA PROJECTO BOHEMIA



Numa entrevista realizada esta quarta-feira (09-09) o Administrador do distrito de Mopeia- Vidal Samuel Bila, afirmou que “temos vindo a trabalhar já há algum tempo com o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) em alguns projectos ligados a malária, e desta vez não seria diferente. Nós como governo do Distrito de Mopeia, manifestamos a nossa total disponibilidade, como o fizemos no passado, faremos o mesmo, aliás, posso afirmar que nós não só iremos apoiar o Centro, como também, iremos assumir e comprometer-nos para que este projecto seja um sucesso, reconhecendo a expertise do Centro na área da malária e que esta representa um dos maiores problemas de saúde no distrito e no país.”


O projecto BOHEMIA visa reduzir a transmissão da malária através da administração de Ivermectina em humanos e animais domésticos suscita ao nível deste distrito muitas expectativas. A Médica Chefe Distrital Dra. Nildete Roque acredita que “o projecto vai ajudar-nos a diminuir os casos de malária a nível do distrito, contribuindo para a redução do peso da malária no distrito assim como dos índices de mortalidade”. De salientar que segundo dados disponibilizados pela mesma fonte, só no primeiro semestre deste ano, registou-se uma média de 38 mil casos, contra 32 mil casos no igual período do ano passado.


“A malária é a maior causa de internamentos no Centro de Saúde de Mopeia, e na sua maioria são casos pediátricos”, afirma o Director do Centro de Saúde de Mopeia Dr. Izidro Lamene. Sublinha que ao ser o centro de saúde de referência a nível do distrito (de um total de 14 unidades que existem ao nível do distrito), “temos registado uma elevada demanda e alguns casos acabam resultando em óbito pois algumas crianças já chegam num estado avançado”. Acredita que a participação no estudo permitirá aprender através da troca de experiência com os outros profissionais.


As expectativas levantadas por este projecto cuja premissa é de que, os mosquitos estão a evitar o contacto com as redes mosquiteiras e paredes pulverizadas com insecticidas preferindo picar no exterior das casas, alterando os seus horários de maior actividade e alimentando-se de sangue de animais, são altas também no seio da comunidade. Xica Manuel, residente no bairro Eduardo Mondlane diz que “gostaria que a malária desaparecesse, pois ao nível da nossa comunidade temos sofrido bastante por sua causa”. Ela conta que tanto ela como as suas filhas são muitas vezes vítimas da malária, apesar de usarem os métodos tradicionais de prevenção nomeadamente a rede mosquiteira e a aderência às campanhas de pulverização.


De salientar que o projecto é financiado pela UNITAID que prevê levar a cabo dois ensaios clínicos em condições ecológicas e epidemiológicas diferentes em dois países da África Oriental e Austral, nomeadamente na Tanzânia (através do Ifakara Health Institute) e em Moçambique. Em Moçambique, o estudo será implementado pelo CISM, conta com o Dr. Francisco Saúte como Investigador Principal, e espera-se que se a Ivermectina for administrada de forma massiva em humanos e animais durante dois anos consecutivos, haverá uma redução da população de mosquitos responsáveis pela transmissão da malária, visando a redução da transmissão da malária.

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