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MOÇAMBIQUE REFORÇA USO DA MODELAGEM GEOESPACIAL PARA APOIAR DECISÕES NO COMBATE À MALÁRIA

há 14 horas
3 min de leitura

Moçambique está a reforçar a sua capacidade de utilizar dados e modelagem geoespacial na tomada de decisões relacionadas com o controlo e eliminação da malária. De 1 a 3 de Setembro, Maputo acolheu o workshop sobre Geospatial Modelling for Evidence, uma iniciativa orientada para fortalecer a capacidade de decisores, profissionais de saúde, analistas e parceiros na interpretação e utilização responsável de evidências geoespaciais.


A formação foi desenvolvida no âmbito da iniciativa MaMODÁfrica, que tem o propósito de contribuir para a formação da próxima geração de modeladores de malária em África e apoiar directamente os Programas Nacionais de Controlo da Malária (PNCM) na formulação de políticas sustentáveis de saúde pública.


Num país como Moçambique, onde a transmissão da malária apresenta diferenças significativas entre regiões e comunidades, a utilização de informação espacial pode ajudar a identificar zonas de maior risco, populações mais vulneráveis e áreas onde a vigilância e as intervenções devem ser reforçadas.


A modelagem geoespacial permite combinar diferentes fontes de informação, incluindo dados de vigilância, localização de unidades sanitárias, distribuição da população e factores ambientais, transformando-os em evidência útil para orientar decisões programáticas.

 

Da produção de mapas à tomada de decisões

Um dos principais objectivos do workshop foi aproximar a produção técnica de mapas e modelos das necessidades dos decisores.


A formação procurou criar uma linguagem comum entre decisores, profissionais de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), analistas e investigadores, permitindo uma melhor articulação entre quem produz a evidência e quem a utiliza no planeamento e definição de prioridades.


Durante a capacitação, os participantes foram convidados a olhar para o controlo da malária como uma questão essencialmente espacial. Foram discutidas decisões como onde intensificar a vigilância, onde direccionar intervenções, como alocar recursos limitados e como justificar prioridades, tendo em conta as diferenças geográficas na transmissão da doença.


Os participantes trabalharam ainda com mapas nacionais de estratificação da malária, procurando compreender como diferentes níveis de risco podem orientar diferentes combinações de intervenções.

 

Evidência espacial para um planeamento mais eficiente e equitativo


A formação explorou também a aplicação de evidências geoespacial ao planeamento anual das intervenções contra a malária.


Através de exercícios de simulação, os participantes discutiram os equilíbrios entre eficiência, equidade e viabilidade, analisando como a informação geoespacial pode apoiar escolhas em contextos de recursos limitados e de constrangimentos orçamentais, logísticos e programáticos.


Esta abordagem ganha particular relevância num contexto em que os países são cada vez mais chamados a demonstrar capacidade para priorizar intervenções, justificar a alocação de recursos e sustentar decisões baseadas em evidências, sobretudo perante restrições de financiamento e maiores exigências de transparência.

 

Fortalecer a ligação entre ciência e políticas públicas


O workshop reuniu profissionais de diferentes áreas, incluindo representantes do Ministério da Saúde, Programa Nacional de Controlo da Malária, equipas de SIG e vigilância, profissionais de monitoria e avaliação, analistas de dados, instituições académicas e de investigação, parceiros de desenvolvimento e organizações de implementação.


A diversidade de diferentes perfis permitiu fortalecer a compreensão mútua entre decisores e especialistas técnicos, contribuindo para uma utilização mais efectiva da evidência na definição de políticas e estratégias de controlo da malária.


No terceiro dia, os participantes aprofundaram os principais elementos que compõem os modelos geoespaciais, incluindo os dados utilizados, os pressupostos, as relações espaciais e os processos que influenciam os resultados. Mais do que formar especialistas em modelagem, esta componente procurou tornar os modelos mais compreensíveis e permitir que os profissionais possam avaliar criticamente quando a modelagem é adequada — e quando não é — para responder a uma determinada questão de política pública.


Da formação à aplicação prática


Como seguimento da iniciativa, estão previstas actividades como mentoria técnica para analistas, desenvolvimento de produtos geoespaciais específicos para o país, formação de formadores para uma futura expansão a nível subnacional e criação de comunidades de prática que aproximem as equipas responsáveis pela políticas públicas e pela análise de dados.


O objectivo é garantir que as competências desenvolvidas durante o workshop se traduzam progressivamente numa utilização mais sistemática da evidência geoespacial para apoiar decisões de controlo e eliminação da malária em Moçambique.



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