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PAÍSES AFRICANOS ESTABELECEM REDE DE COORTES POPULACIONAL COM ENFOQUE PARA PESQUISA



Recentemente nasceu a ideia de se estabelecer uma rede de Coortes Populacionais Africanas (APCC) como resultado de uma consulta exaustiva a um vasto leque de cientistas e dirigentes de instituições de investigação, grupos de reflexão e universidades, bem como a uma série de organizações governamentais, decisores políticos, organizações não-governamentais e orientadas para a comunidade e outras partes interessadas. APCC é uma nova iniciativa que visa reforçar e promover a excelência da investigação baseada em coortes no continente africano. O objectivo global é melhorar a saúde e o bem-estar das populações em todo o continente africano, utilizando métodos robustos e inovadores, e melhorar os sistemas de saúde e sociais no nosso continente.


Nos dias 28 e 29 de Maio, especialistas e membros de APCC estiverem reunidos em Cape Town, África de Sul para participar do Blueprint Conference do Consórcio que visava a apreciar, discutir e aprovar o documento com as directrizes sobre o consorcio, designado de Blueprint. Também houve oportunidade de ouvir opiniões de entidades externas, organismos importantes como por exemplo o CDC África (Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças), academias e financiadores sobre as potencialidades e a importância desta iniciativa.  A conferência serviu também para eleger um comité interino de gestão, no qual Ivalda Macicame, Directora de Inquéritos e Observação de Saúde do Instituto Nacional de Saúde (Moçambique) faz parte.


De acordo com Kobus Herbst, o líder deste consórcio, a jornada para estabelecer o APCC começou em Março de 2020 com uma reunião no Uganda e culminou com a apresentação do Blueprint na conferência de Cape Town. A missão do consórcio, citando o representante do CE-APCC, é de unir coortes populacionais em toda a África, aproveitar a diversidade e as capacidades de investigação do continente e promover descobertas científicas. O APCC está empenhado em tirar partido das coortes de base populacional e da diversidade de África para estabelecer uma capacidade transformadora e um fórum que una cientistas africanos, decisores políticos, colaboradores da comunidade e partes interessadas. O consórcio defende o envolvimento multidisciplinar e estratégias inovadoras para que haja um impacto positivo na saúde e no bem-estar das comunidades africanas.


Charfudin Sacoor, Responsável da Área de Demografia no Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que participou da Conferência em representação do Director Geral do Centro, destacou a importância do estabelecimento deste consórcio para a promoção da investigação em África, sobretudo pelas sinergias que podem surgir, partilhas de experiência, possibilidade de desenvolvimento de capacidades a nível do continente, melhoria na qualidade e quantidade de pesquisa no continente e na possibilidade de ampliação de oportunidades de financiamento e de pesquisa multicêntricas.  “O APCC é uma rede que está em processo de estabelecimento e envolve instituições africanas, algumas dela de merecido mérito que possuem coortes populacionais ou em vias de criação com enfoque demográfico e de saúde. O CISM estaria bem enquadro dentro deste consórcio”, disse Charfudin.


“Nesta conferência, tivemos também a oportunidade de expor as potencialidades do CISM em matéria de pesquisa, de discutir sobre as barreiras que os países africanos de língua portuguesa possuem nas oportunidades de financiamento e nos centros de tomada de decisão em termos de pesquisa em África. Foi possível também explorar oportunidades de colaboração e de financiamento assim como a possibilidade de promover parcerias para capacity building, por exemplo, na África do Sul. Há aqui uma grande oportunidade de parceria e colaboração na área de genoma, acesso universal à saúde e saúde ambiental que começam a despertar uma grande atenção no nosso continente,” acrescenta o representante do CISM no evento.


Mencionar que as coortes populacionais são uma excelente ferramenta para compreender as dinâmicas populacionais e de saúde em África dada a fraqueza, inoperância ou mesmo inexistência de sistemas de informação demográfica e de saúde, pois, as coortes apesar de representarem um grupo ou uma área geográfica específica acompanham os indivíduos de interesse ao longo do tempo e isso permite colher de forma sistemática dados de saúde e demográficos bastantes úteis e compreender os padrões e a tendência dos mesmos.




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