PARCEIROS REUNIDOS EM OFICINAS DE TRABALHO PARA CO-CRIAÇÃO DE MENSAGENS-CHAVE DO PROTECT
- Wanderleia Iris Noa
- há 6 horas
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No âmbito do projecto PROTECT - Preparação para Ensaios Otimizados de Vacinas Maternas de Fase III/IV contra o Estreptococo do Grupo B em África -, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), realizou duas oficinas de trabalho para a co-criação de mensagens-chave. As sessões reuniram decisores, profissionais de saúde, líderes comunitários, religiosos, mulheres grávidas e seus familiares bem como especialistas em comunicação, com o objectivo de desenvolver mensagens e ferramentas de comunicação destinadas a reforçar a confiança nas vacinas maternas e a promover a participação informada em ensaios clínicos.
O PROTECT é um projetco liderado por países africanos, que visa lançar as bases para a década das vacinas maternas. Em Moçambique é implementado pelo CISM em parceria com Ministério da Saúde e o Instituto de Saúde Global de Barcelona. O estudo procura compreender os factores que influenciam a confiança das mulheres grávidas nas vacinas e a sua decisão de participar em estudos clínicos, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de comunicação adaptadas ao contexto moçambicano.
As oficinas tiveram como base os resultados da componente qualitativa do estudo, desenvolvida, desenvolvida no distrito da Manhiça e no bairro de , na cidade de Maputo. A investigação envolveu entrevistas, grupos focais e observações directas, permitindo identificar percepções, preocupações e necessidades de informação relacionadas com a vacinação durante a gravidez e a participação em estudos de vacina.

Segundo Estevão Mucavele, coordenado da componente social do estudo, os resultados evidenciaram a importância de desenvolver mensagens claras, culturalmente apropriadas e baseadas em evidência científica, com vista ao fortalecimento da confiança nas vacinas maternas. “Os dias 14 e 23 de Julho foram de grande aprendizagem. Tivemos diferentes públicos na mesma sala a discutir sobre um tema tão crucial, num processo que irá culminar com vários materiais de comunicação”, disse Estevão.
Durante os workshops, os participantes trabalharam em grupos para desenvolver e validar mensagens dirigidas a diferentes públicos. As propostas destacaram temas como a protecção da mãe e do bebé, a segurança das vacinas maternas, o acompanhamento prestado pelos profissionais de saúde, a liberdade de decisão das participantes e o contributo da investigação científica para a melhoria da saúde das futuras gerações. Os participantes contribuíram igualmente para a definição de formatos e das ferramentas de comunicação mais adequados para a disseminação destas mensagens.
Para Avelina Manuel Matavel, participante e gestante, as oficinas constituíram uma importante oportunidade de aprendizagem e partilha. “As vacinas podem não beneficiar directamente as participantes dos estudos, mas podem trazer benefícios para as futuras gerações de mães e bebés. Gostei muito de termos sido convidadas. É importante que sejamos ouvidas, pois isso pode aumentar a nossa confiança no sistema de saúde. Penso também que as redes sociais poderiam ser mais utilizadas para divulgar informação dirigida às mulheres grávidas”, referiu.
Os contributos recolhidos serão integrados num conjunto de materiais e estratégias de comunicação destinados a apoiar futuras acções de sensibilização sobre vacinas maternas, ensaios clínicos e vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A iniciativa pretende promover uma comunicação mais eficaz e uma investigação participativa, assente no desenvolvimento de soluções construídas em conjunto com as comunidades e os diferentes intervenientes do sistema de saúde, contribuindo para o aumento da confiança nas vacinas e para a melhoria da saúde materna e infantil em Moçambique.



