top of page

PCA da Fundação Manhiça defende maior investimento na investigação científica

O PCA da Fundação Manhiça falava durange o V Simpósio em Saúde Global
O PCA da Fundação Manhiça falava durange o V Simpósio em Saúde Global

O Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manhiça, Martinho Dgedge, defende a necessidade de haver maior investimento na investigação científica, no fortalecimento das instituições nacionais de investigação e na cooperação internacional como factores essenciais para responder às ameaças emergentes da saúde global. A posição foi apresentada durante a abertura do V Simpósio em Saúde Global da Fundação Manhiça, realizado a 16 de julho, em Maputo, no âmbito das celebrações dos 30 anos do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM).


Perante uma audiência composta por investigadores, profissionais de saúde, decisores políticos, estudantes e parceiros nacionais e internacionais, o PCA da FM destacou que a ciência desempenha um papel cada vez mais determinante na prevenção, vigilância e resposta às doenças que afectam o país e o mundo. Segundo o interveniente, os resultados da investigação desenvolvida em Moçambique têm contribuído para orientar políticas públicas, apoiar a introdução de novas intervenções e reforçar a capacidade do Sistema Nacional de Saúde para responder aos desafios sanitários.


Na sua intervenção, Martinho Dgedge sublinhou que o contexto actual, marcado pelas alterações climáticas, pela resistência antimicrobiana, pelas doenças emergentes e reemergentes e pelo risco constante de novas pandemias, exige um compromisso renovado com a produção de conhecimento científico. Defendeu, por isso, o reforço das capacidades nacionais de investigação, o investimento contínuo na formação de recursos humanos e uma maior articulação entre instituições de investigação, universidades, Governo e parceiros de desenvolvimento, para que a evidência científica continue a orientar a tomada de decisões e a melhoria da saúde das populações.


As reflexões em torno destes desafios dominaram também a primeira mesa-redonda do evento que esteve subordinada ao tema: Liderança Científica, Financiamento e Cooperação Global face às Ameaças Emergentes, um dos momentos centrais do simpósio. Moderada por Pedro Alonso, Director Científico Fundador do CISM e antigo Director do Programa Global da Malária da Organização Mundial da Saúde, e por Eduardo Samo Gudo, Director-Geral do Instituto Nacional de Saúde, a sessão reuniu especialistas internacionais que defenderam uma nova visão para o desenvolvimento científico em África, assente na liderança local, em financiamento sustentável e em parcerias mais equilibradas.


 Desafios sanitários globais exigem uma resposta liderada pelos próprios países africanos,
Membros da primeira mesa-redonda do evento (esquerda a direita): Pedro Alonso, Àngel Font, Quarraisha Abdool Karim, Abdisalan Noor e  Eduardo Samo Gudo.
Membros da primeira mesa-redonda do evento (esquerda a direita): Pedro Alonso, Àngel Font, Quarraisha Abdool Karim, Abdisalan Noor e Eduardo Samo Gudo.

Durante o debate, foi consensual que os desafios sanitários globais exigem uma resposta liderada pelos próprios países africanos, com maior capacidade para definir prioridades, gerar evidências e transformar conhecimento em políticas públicas. Os participantes defenderam que o continente possui investigadores, instituições e experiência acumulados suficientes para assumir um papel de maior protagonismo, desde que sejam criadas condições para fortalecer os sistemas nacionais de investigação e garantir investimentos de longo prazo.

O Director-Geral Adjunto do África CDC, Yap Boum II, defendeu que África deve investir na construção de instituições científicas fortes e na valorização dos seus investigadores, reduzindo gradualmente a dependência de financiamento externo. Para o especialista, o continente precisa de produzir conhecimento orientado para as suas necessidades e transformar a investigação num instrumento de desenvolvimento e de preparação para futuras crises sanitárias. Na mesma linha, Thomas Nyirenda, Director Executivo do Global Health EDCTP3, salientou que o fortalecimento da investigação em África depende da criação de mecanismos de financiamento previsíveis e sustentáveis, capazes de apoiar não apenas projectos individuais, mas também o crescimento institucional e a formação de novas gerações de cientistas.


Boum II defendeu ainda uma maior articulação entre governos, centros de investigação e financiadores para assegurar que a ciência responda às prioridades dos países africanos. Por sua vez, Àngel Font, Director Corporativo de Investigação e Saúde da Fundação "la Caixa", sublinhou que a filantropia deve actuar como catalisadora da inovação científica, complementando, mas nunca substituindo, o investimento público na investigação. Defendeu igualmente que as parcerias internacionais devem basear-se na confiança, na partilha de conhecimento e na construção conjunta de soluções para problemas comuns.


As intervenções convergiram ainda na necessidade de acelerar a adopção de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial e sistemas digitais de vigilância epidemiológica, reforçar as redes de colaboração científica e criar oportunidades para que jovens investigadores assumam papéis de liderança. Os especialistas consideraram que o fortalecimento da ciência africana será determinante para aumentar a capacidade do continente de responder às futuras emergências de saúde pública e contribuir para soluções globais.

A consolidação da ciência no continente depende também da criação de oportunidades
Membros da seguda mesa-redonda (esquerda a direita): Eusébio Macete, Francisco Saúte, Fabíola Fernandes, Khátia Munguambe, Mohsin Sidat e Rufino Gujamo.
Membros da seguda mesa-redonda (esquerda a direita): Eusébio Macete, Francisco Saúte, Fabíola Fernandes, Khátia Munguambe, Mohsin Sidat e Rufino Gujamo.

Outro momento de destaque foi a segunda mesa-redonda, subordinada ao tema "3 décadas formando líderes para a ciência em África". Nesta sessão, os participantes defenderam que a consolidação da ciência no continente depende não apenas do financiamento da investigação, mas também da criação de oportunidades para que uma nova geração de cientistas assuma posições de liderança e contribua para responder aos desafios de saúde pública. Intervindo na sessão, o Director-Geral do CISM, Francisco Saúte, destacou que o investimento em pessoas tem sido um dos pilares da instituição ao longo dos seus 30 anos de existência.


Segundo Francisco Saúte, o legado do CISM mede-se não apenas pela produção científica, mas também pelos investigadores, profissionais de saúde e líderes que ajudou a formar e que hoje contribuem para o fortalecimento dos sistemas de saúde e da investigação em Moçambique e em África. Na mesma mesa-redonda, participou o Director-Geral do instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), Quique Bassat, o ex director do CISM e actual Reitor da UniLúrio Eusébio Macete, a ex responsável da Área de Estudos de população do CISM e actual Assessora de Desenvolvimento Humano, Alto Comissariado Britânico, Khátia Munguambe, como também, a Directora do Serviço de Anatomia Patológica do HCM, Fabíola Fernandes.


Para além das mesas-redondas, o V Simpósio em Saúde Global contou com quatro painéis científicos dedicados às principais áreas de investigação do CISM. Investigadores nacionais e internacionais apresentaram os mais recentes avanços científicos nas áreas da malária, saúde materno-infantil, tuberculose e doenças bacterianas, virais e outras doenças tropicais negligenciadas, promovendo o diálogo entre ciência, prática clínica e políticas públicas.

O evento premiou os melhores pósteres científicos,

O evento ficou igualmente marcado pela entrega dos prémios dos melhores pósteres científicos, uma iniciativa que reconheceu a qualidade da investigação apresentada durante o simpósio. O primeiro lugar foi atribuído à Anete Mendes, pelo trabalho "Determinantes da Carga Viral e Impacto nos Desfechos Adversos da Gravidez em Mulheres Africanas Vivendo com HIV". O segundo prémio distinguiu Arlindo Chidimatembue, autor do estudo "Vigilância Genómica da Malária no Sul de Moçambique: Importação de Parasitas, Conectividade Genética e Investigação de Surtos". O terceiro lugar foi conquistado por Ariel Nhacolo, com o trabalho "Quem Engravida Adolescentes no Distrito de Manhiça? Perfil Sócio-Demográfico dos Parceiros de Mães Adolescentes, 1998–2021".


Vídeo do Resumo do V Simpósio

Comentários


Endereços e contactos

SEDE, MANHIÇA, BAIRRO CAMBEVE

Rua 12, CP 1929

Telf: (+258)  82 316 85 30 /  84 398 68 23

fundacao.manhica@manhica.net

ESCRITÓRIO DA CIDADE DE MAPUTO

Avenida Fernão Melo e Castro, Nº 247, 1º andar, Sommerschield 1 

ESCRITÓRIO DE QUELIMANE

Av. da Libertação Nacional nr 1035, Unidade de Sinacura

Email: dinoca.gesse@manhica.net

ESCRITÓRIO DE MOPEIA

Rua Principal, Mopeia Sede

(Enfrente a praça dos trabalhadores)

Email: humberto.munguambe@manhica.net 

Uma iniciativa de

bottom of page