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CAPRISA Congratula o CISM pelos 30 anos de Pesquisa de Excelência em África

O reconhecimento, foi realizado durante as celebrações dos 30 anos do CISM.
O reconhecimento, foi realizado durante as celebrações dos 30 anos do CISM.

O CAPRISA (Centre for the AIDS Programme of Research in South Africa) congratulou o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) pela celebração dos seus 30 anos de investigação científica, destacando o seu papel como uma das principais instituições de pesquisa em saúde em África e manifestando interesse em reforçar a cooperação científica entre as duas organizações.


A mensagem foi transmitida pelo director do CAPRISA, Professor Salim S. Abdool Karim, durante a sua intervenção no V Simpósio em Saúde Global da Fundação Manhiça. Na ocasião, o investigador enalteceu o percurso do CISM e afirmou que o CISM representa um exemplo da capacidade africana de produzir conhecimento científico de elevado impacto para responder aos desafios de saúde pública do continente e do mundo.


No início da sua apresentação, Salim S. Abdool Karim recordou que visitou Moçambique há 34 anos, antes mesmo da criação do CISM, a convite de figuras históricas da saúde pública moçambicana, entre elas Avertino Barreto, Julie Cliff e Rui Gama Vaz. Segundo explicou, já naquela época existia a convicção de que os problemas de saúde de África deveriam ser resolvidos através de investigação conduzida no próprio continente. Na ocasião, o cientista utilizou a experiência do CAPRISA para demonstrar como a investigação pode percorrer toda a cadeia de valor científica, desde a observação clínica até ao desenvolvimento de soluções para utilização em seres humanos.


Como exemplo, apresentou o percurso de 22 anos de investigação que resultou no desenvolvimento do anticorpo CAP256 contra o HIV. Explicou que a descoberta começou com o acompanhamento de uma participante de um estudo realizado na África do Sul, cujas respostas imunológicas revelaram um anticorpo com elevada capacidade de neutralizar diferentes variantes do vírus.


A partir dessa descoberta, investigadores do CAPRISA trabalharam em colaboração com instituições internacionais para identificar a célula responsável pela produção do anticorpo, reproduzi-lo em laboratório e testá-lo em modelos animais. Os resultados demonstraram protecção total contra uma versão do vírus utilizada em estudos experimentais, permitindo avançar para ensaios clínicos em humanos.


Segundo Abdool Karim, este percurso demonstra que África não deve limitar-se a consumir medicamentos e produtos biológicos desenvolvidos noutras regiões do mundo, mas pode produzir as suas próprias soluções científicas e tecnológicas.



Durante a conferência, o investigador apresentou igualmente a resposta do CAPRISA à pandemia da COVID-19 como exemplo da importância da investigação integrada. Referiu que a instituição contribuiu para o desenvolvimento da estratégia sul-africana de resposta à pandemia, participou em ensaios clínicos das vacinas da Johnson & Johnson, Pfizer e Moderna e desenvolveu investigação laboratorial sobre imunologia, genómica e diagnóstico do SARS-CoV-2.


Karim destacou ainda o trabalho desenvolvido na identificação e caracterização das variantes Beta e Ómicron, que permitiu compreender o impacto destas mutações na evolução da pandemia e apoiar a definição de políticas internacionais de saúde pública. Recordou que, após a identificação da variante Ómicron, o CAPRISA comunicou rapidamente os resultados às autoridades sul-africanas e à comunidade científica internacional, tendo publicado, poucas horas depois, uma análise na revista científica The Lancet, contribuindo para orientar a resposta global à pandemia.


Além da investigação científica, o professor destacou o papel do CAPRISA no aconselhamento técnico a governos e organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA (UNAIDS), os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o Congresso dos Estados Unidos e o Parlamento do Reino Unido. Para Karim, a produção de conhecimento científico deve ser acompanhada da sua tradução em políticas públicas que beneficiem directamente as populações, tornando a ciência um instrumento para melhorar os sistemas de saúde e responder de forma mais eficaz às emergências sanitárias.


Na parte final da sua intervenção, o director do CAPRISA defendeu o fortalecimento das parcerias entre instituições africanas de investigação, considerando que a proximidade geográfica e os desafios comuns oferecem oportunidades únicas para desenvolver soluções adaptadas à realidade do continente. Referiu que o CAPRISA mantém colaborações científicas com instituições da Nigéria, do Senegal, da Zâmbia e, agora, com a Fundação Manhiça, manifestando expectativa de que esta parceria venha a produzir resultados relevantes para África e para o mundo.


No final, como reconhecimento pelo contributo do CISM para o avanço da ciência, especialmente na investigação sobre malária, vacinas e outras áreas da saúde, Salim S. Abdool Karim entregou ao director-geral do CISM, Francisco Saúte, um trofeu simbólico como reconhecimento do papel desempenhado pelo CISM na consolidação da investigação científica em Moçambique e em África, bem como a importância de fortalecer a colaboração entre centros africanos para impulsionar a inovação, formar novos investigadores e desenvolver soluções que respondam às necessidades de saúde das populações do continente.



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