top of page

A jornada da Ivete Samuel rumo ao doutoramento no âmbito do CRYPTO T&T

Ivete Benício Samuel, bióloga
Ivete Benício Samuel, bióloga

Aos 28 anos de idade, Ivete Benício Samuel, bióloga e mestre em Biociências pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), integra actualmente o programa de Doutoramento (PhD Fellow) do CISM, no âmbito do projecto CRYPTO T&T, um estudo multicêntrico que visa avaliar a eficácia clínica de um teste de baixo custo realizado no local de atendimento, combinado com o acesso ao tratamento medicamentoso específico, para a redução da duração da diarreia causada pela criptosporidiose, uma infecção provocada pelo protozoário Cryptosporidium spp., transmitido por via fecal-oral.


Ivete é uma das jovens do CISM que enfrentam diariamente os desafios de ser mulher na ciência. A sua história não é feita apenas em laboratórios ou na academia, mas também das influências e inspirações que marcaram o seu percurso. "Embora a minha mãe não fosse da área da saúde, sempre sonhou em ter uma filha médica. Como eu sempre tive facilidade com Biologia, aceitei o desafio. No entanto, apesar de ter concorrido para a Medicina, acabei por ser admitida no curso de Biologia e Saúde. Confesso que, naquela altura, não conhecia profundamente o curso nem as suas possibilidades", conta a investigadora.


Do sonho à primeira Mestre em Biociências da UEM

Nasceu e cresceu no bairro de Laulane e construiu o seu percurso académico em diferentes instituições de ensino da cidade de Maputo. Frequentou a Escola Primária Completa de Laulane, a Escola Secundária Nelson Mandela, a Escola Secundária Eduardo Mondlane, no bairro Ferroviário, e concluiu o ensino secundário na Escola Secundária das Acácias. Durante esses anos, ainda não imaginava que o seu futuro passaria pela investigação científica nem que viria a integrar projectos de investigação com relevância nacional e internacional.


Foi na licenciatura em Biologia e Saúde que começou a descobrir novas possibilidades profissionais e académicas. Ao longo da sua formação, percebeu que a ciência oferece inúmeras formas de transformar vidas para além da prática clínica. Fascinou-se pela capacidade da investigação de responder a problemas complexos de saúde pública e começou a interessar-se particularmente pela microbiologia, uma área que permite compreender a interacção entre seres humanos, animais e ambiente. Essa curiosidade científica cresceu ao longo dos anos e levou-a a aprofundar os estudos através do Mestrado em Biociências, tornando-se a primeira estudante a concluir o programa na Universidade Eduardo Mondlane (UEM).


Ivete, fala de desafios da mulher na ciência
Ivete, fala de desafios da mulher na ciência

A conquista representou um marco importante na sua trajectória pessoal e académica. “Mais do que um título, demonstrou que nós jovens mulheres na ciência em Moçambique, podemos ocupar espaços relevantes na produção de conhecimento científico e contribuir para responder aos desafios de saúde que afectam as comunidades”, comenta.

 

Entretanto, nem tudo é fácil quando se é mulher na pesquisa. "Muitas vezes espera-se que a mulher consiga desempenhar todos esses papéis de forma exemplar, o que acaba sendo bastante pesado. Por isso, é sempre importante ter uma rede de apoio composta por pessoas que compreendam os seus objectivos e ofereçam apoio emocional, motivacional e familiar ao longo do percurso académico e profissional, no meu caso, a minha família e meu parceiro, foram cruciais” acrescenta.


A necessidade de conciliar a formação avançada com responsabilidades profissionais, familiares e sociais continua a ser uma realidade para muitas cientistas. Segundo a investigagora, existe a expectativa de que as mulheres consigam responder simultaneamente a múltiplas exigências, o que pode dificultar a continuidade dos estudos e da carreira académica. No entanto, Ivete acredita que o apoio familiar, a determinação pessoal e a clareza dos objectivos são factores fundamentais para ultrapassar essas barreiras e continuar a avançar.


Ao olhar para o seu próprio percurso, Ivete vê uma sucessão de desafios, mas também de oportunidades aproveitadas. A jovem que entrou na universidade sem conhecer plenamente o potencial da Biologia e Saúde é hoje uma investigadora e sua trajectória demonstra que a ciência é uma possibilidade real para qualquer jovem que esteja disposta a aprender e procurar oportunidades de crescimento.

CRYPTO T&T: uma oportunidade para contribuir para a ciência
 A investigadora integra uma equipa que procura gerar evidências científicas capazes de melhorar o diagnóstico e o tratamento da diarreia em crianças
A investigadora integra uma equipa que procura gerar evidências científicas capazes de melhorar o diagnóstico e o tratamento da diarreia em crianças

Para a Ivete o programa de doutoramento no qual está inserida representa muito mais do que um avanço na formação, "é também, uma oportunidade para contribuir para o desenvolvimento de soluções para problemas reais que afectam a população e, no caso do nosso projecto, a diarreia infantil, cujas consequências podem ser graves para o crescimento e desenvolvimento das crianças", comenta.


Através do projecto CRYPTO T&T, a investigadora integra uma equipa que procura gerar evidências científicas capazes de melhorar o diagnóstico e o tratamento de uma doença que continua a afectar milhares de crianças em contextos de recursos limitados.


A investigadora reconhece que a implementação do projecto poderá enfrentar desafios próprios de um ensaio clínico. "Nos ensaios clínicos, é fundamental garantir que os participantes e as suas famílias compreendam claramente os objectivos dos estudos e se sintam confortáveis em participar. Questões relacionadas com a recolha de amostras biológicas, o seguimento dos participantes e a aceitação das intervenções em estudo exigem um trabalho contínuo de comunicação e construção de confiança. Além disso, o rigor científico e ético necessário para conduzir estudos desta natureza exige um elevado nível de compromisso por parte de toda a equipa envolvida", alerta.


Apesar dos desafios, Ivete mantém-se optimista em relação ao futuro. Acredita que a investigação científica tem o poder de gerar mudanças concretas na vida das pessoas e espera que os resultados do CRYPTO T&T contribuam para melhorar os cuidados de saúde prestados às crianças afectadas pela criptosporidiose.


Financiado pela Parceria Europeia e de Países em Desenvolvimento para Ensaios Clínicos (EDCTP3), o Crypto T&T está alinhado com o terceiro Objectivo de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas e com as recomendações da Organização Mundial da Saúde para a redução do peso das doenças diarreicas.


Saiba mais sobre o projecto Crypto T&T

Comentários


Endereços e contactos

SEDE, MANHIÇA, BAIRRO CAMBEVE

Rua 12, CP 1929

Telf: (+258)  82 316 85 30 /  84 398 68 23

fundacao.manhica@manhica.net

ESCRITÓRIO DA CIDADE DE MAPUTO

Avenida Fernão Melo e Castro, Nº 247, 1º andar, Sommerschield 1 

ESCRITÓRIO DE QUELIMANE

Av. da Libertação Nacional nr 1035, Unidade de Sinacura

Email: dinoca.gesse@manhica.net

ESCRITÓRIO DE MOPEIA

Rua Principal, Mopeia Sede

(Enfrente a praça dos trabalhadores)

Email: humberto.munguambe@manhica.net 

Uma iniciativa de

bottom of page