ALÉM DA TEORIA: ESTUDANTES DA UNIVERIDADE DE NAVARRA VIVEM A CIÊNCIA E A PRÁTICA CLÍNICA NA MANHIÇA

Para quem se prepara a exercer a Medicina, o contacto directo com a realidade clínica pode transformar profundamente a forma de compreender a profissão. Foi precisamente, essa experiência que um grupo de estudantes da Universidade de Navarra, Espanha, viveu durante um estágio no Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) e no Hospital Distrital da Manhiça (HDM), onde teve a oportunidade de conhecer de perto a investigação em saúde, a prática clínica e os desafios de trabalhar num contexto de recursos limitados.
“Foi, de todo, uma experiência memorável”, resumiu um dos estudantes, destacando que, para quem é curioso e trabalhador, havia sempre algo novo para fazer e aprender.
Um dos principais objectivos do estágio foi proporcionar aos estudantes uma experiência prática e multidisciplinar nas áreas da investigação biomédica e da medicina clínica.
Ao longo da sua permanência na Manhiça, os estudantes passaram por diferentes áreas do CISM e do HDM, interagindo com profissionais de investigação, laboratório, clínica e áreas de suporte. Esta experiência permitiu-lhes consolidar conhecimentos sobre doenças como tuberculose, HIV e malnutrição, bem como compreender melhor as abordagens terapêuticas e os medicamentos utilizados no contexto local.
Para além da componente teórica, o estágio proporcionou experiências práticas como vacinação, colheita de sangue, triagem, discussão de casos clínicos, atendimento de pacientes e actividades laboratoriais. Os estudantes tiveram também contacto com a unidade de estudos de população e iniciativas de investigação desenvolvidas nas comunidades próximas.
“Aprendemos a aplicar conhecimentos técnicos à prática clínica e a desenvolver um pensamento mais resolutivo perante a falta de alguns recursos”, destacou Francisco Saúte Júnior, um dos estudantes.
A experiência permitiu ainda uma reflexão mais ampla sobre a própria profissão médica. Para alguns estudantes, o contacto com o dia a dia clínico ajudou a ajustar expectativas em relação à Medicina e, em alguns casos, contribuiu para repensar perspectivas sobre o futuro percurso profissional.
Apesar de alguns desafios, nomeadamente o curto período de rotação em determinadas áreas e as limitações de recursos disponíveis, a avaliação geral do estágio foi bastante positiva. Os estudantes destacaram particularmente a disponibilidade dos profissionais para ensinar, a diversidade das áreas visitadas e a possibilidade de aprender num contexto diferente daquele a que estavam habituados.
“A licção mais importante que aprendemos é que aquilo que está sempre nas nossas mãos é a humanidade. Por isso, é importante a forma como tratamos aos outros. Por trás da pesquisa estão pessoas, e isso não pode ser perdido de vista. Vamos lembrar-nos sempre disto no futuro”, partilhou Blanca Andres Diaz, estudante da Universidade de Navarra.
Com o início do terceiro ano lectivo e da primeira fase de práticas clínicas, os estudantes regressam à sua formação levando consigo não apenas novos conhecimentos técnicos, mas também uma compreensão mais próxima da relação entre ciência, prática clínica, recursos disponíveis e cuidado centrado nas pessoas. São aprendizados e experiências que esperam aplicar ao longo das próximas etapas da sua formação.


