top of page

Uma em cada quatro mulheres grávidas em Quelimane não recebeu com satisfação a notícia da gravidez, revela estudo


Foto do arquivo: palestras para mulheres em sessões de Consulta Pré-natal, ministradas pela consentidora Eugência Bilana�
Foto do arquivo: palestras para mulheres em sessões de Consulta Pré-natal, ministradas pela consentidora Eugência Bilana

Um estudo conduzido por investigadores do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), no distrito de Quelimane, província da Zambézia, concluiu que cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas, correspondente a 24,5%, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez. A investigação, que contou com a participação de parceiros nacionais e internacionais, foi publicada na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Trata-se do primeiro estudo realizado em Moçambique a analisar a percepção das mulheres sobre a felicidade em relação à gravidez actual, identificando as principais razões e os factores associados a esses sentimentos.


O estudo, liderado pelo demógrafo do CISM, Ariel Nhacolo, analisou dados de 1.546 mulheres grávidas recrutadas através do Sistema de Vigilância de Gravidezes – PregSurv –, implementado pelo CISM entre 2023 e 2024, no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane. As participantes foram entrevistadas durante a gravidez sobre a forma como se sentiram quando souberam que estavam grávidas, as reacções dos seus parceiros e o contexto familiar e reprodutivo em que a gravidez ocorreu. Os resultados mostram que a insatisfação em relação à gravidez foi particularmente elevada entre adolescentes, atingindo 42.2%, entre mulheres cujos parceiros estavam insatisfeitos, com 74.5%, e entre aquelas que não mantinham comunicação com os parceiros sobre questões reprodutivas, com 48.9%.


Entre as principais razões apontadas pelas mulheres para não se sentirem felizes com a gravidez destacam-se a ausência de planeamento, indicada por 30,2% das participantes, a gravidez indesejada, com 26,5%, e o receio das consequências que a gravidez poderia trazer para as suas vidas, referido por 17,7%. Foram também mencionados o curto intervalo entre gravidezes e o facto de algumas mulheres considerarem que já não pretendiam ter mais filhos. Por outro lado, entre as participantes que afirmaram ter recebido a gravidez com felicidade, as principais razões foram o desejo de ter um filho, com 34.1%, a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa, com 28.5%, o desejo de ter mais filhos, com 24.7%, e a vontade de satisfazer o parceiro ou a família, com 5.5%.


Reacção dos parceiros também influencia a experiência da gravidez
Ariel Nhacolo, primeiro autor do artigo.
Ariel Nhacolo, primeiro autor do artigo.

Segundo o primeiro autor, as participantes foram igualmente questionadas sobre as razões da felicidade ou insatizfação e de dos seus parceiros em relação à gravidez. “Cerca de 16.9% das mulheres afirmaram que os seus parceiros não estavam felizes com a gravidez. Entre estes, as principais razões foram a gravidez indesejada, com 30.2%, a gravidez não planeada, com  29.0%, e o curto intervalo entre as gravidezes, com 3.4%”, explicou. Entre os parceiros que receberam a notícia com felidade, 43.0% desejavam ter um filho, 21.8% queriam ter mais filhos e 12.0% seriam pais de primeira vez.


Embora a aceitação da gravidez pelos parceiros tenha sido elevada, atingindo 97.3%, verificaram-se também situações de rejeição. Entre os parceiros que rejeitaram a gravidez,  39.0% não queriam assumir a responsabilidade e 34.2% alegraram não ser os pais. Cerca de 26.2% das mulheres rejeitadas afirmaram desconhecer as razões pelas quais os parceiros as abandonaram durante a gravidez.


Para o investigador, estes resultados reforçam a necessidade de desenvolver intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros. O estudo propõe uma abordagem centrada no casal, como a literatura actual também aponta, reconhecendo que as decisões e as experiências relacionadas com a gravidez são influenciadas pela comunicação, pelo apoio emocional e pelo envolvimento de ambos os membros da relação.


Adolescentes entre os grupos mais vulneráveis
As adolescentes apresentaram os níveis mais elevados de insatisfação.
As adolescentes apresentaram os níveis mais elevados de insatisfação.

A investigação identificou igualmente diferenças importantes entre grupos etários. As adolescentes apresentaram os níveis mais elevados de insatisfação, maior frequência de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.


Os autores destacam que compreender a forma como as mulheres vivem emocionalmente o momento em que tomam conhecimento da gravidez constitui um passo importante para o fortalecimento dos programas de saúde materna e infantil. O estudo recomenda que os serviços de saúde promovam uma maior participação dos parceiros nas consultas e actividades de aconselhamento, incentivem o diálogo entre o casal sobre planeamento familiar e prestem especial atenção aos grupos mais vulneráveis, incluindo adolescentes e mulheres em situações de maior fragilidade social.


Para além dos investigadores do CISM, o estudo intitulado "Pregnant women's perceived unhappiness with current pregnancy: an analysis of prevalence, reasons, and associated factors in Quelimane district, Mozambique" envolveu investigadores do ISGlobal, Instituto Nacional de Saúde, Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, Universidade de Barcelona, Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.


Referência

Nhacolo A, Amosse F, Amaro H, Armando T, Massanduzi D, Adolfo N, Xerinda E, Kincardett M, Varo R, Garcia-Otero L, Bassat Q, Mandomando I, Augusto O, Arnaldo C, Alonso PL. Pregnant women's perceived unhappiness with current pregnancy: an analysis of prevalence, reasons, and associated factors in Quelimane district, Mozambique. BMC Pregnancy Childbirth. 2026 Jul 21. doi: 10.1186/s12884-026-09682-1. Epub ahead of print. PMID: 42477568.

 

 

Comentários


Endereços e contactos

SEDE, MANHIÇA, BAIRRO CAMBEVE

Rua 12, CP 1929

Telf: (+258)  82 316 85 30 /  84 398 68 23

fundacao.manhica@manhica.net

ESCRITÓRIO DA CIDADE DE MAPUTO

Avenida Fernão Melo e Castro, Nº 247, 1º andar, Sommerschield 1 

ESCRITÓRIO DE QUELIMANE

Av. da Libertação Nacional nr 1035, Unidade de Sinacura

Email: dinoca.gesse@manhica.net

ESCRITÓRIO DE MOPEIA

Rua Principal, Mopeia Sede

(Enfrente a praça dos trabalhadores)

Email: humberto.munguambe@manhica.net 

Uma iniciativa de

bottom of page