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CISM REFORÇA COMPROMISSO COM A SAÚDE DA MULHER ATRAVÉS DE ENSAIO CLÍNICO SOBRE VACINA CONTRA HPV

A iniciativa procura avaliar a imunogenicidade, segurança e tolerabilidade da vacina CERVAVAC
A iniciativa procura avaliar a imunogenicidade, segurança e tolerabilidade da vacina CERVAVAC

No contexto das celebrações do Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, assinalado a 20 de Maio, e do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, celebrado a 28 de Maio, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) destaca um importante ensaio clínico que avalia a segurança e eficácia da vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV) em mulheres vivendo com HIV em Moçambique. A iniciativa procura avaliar a imunogenicidade, segurança e tolerabilidade da vacina CERVAVAC, comparando-a à vacina Gardasil, já utilizada internacionalmente na prevenção de doenças associadas ao HPV.


O ensaio clínico multicêntrico SII-qHPV/MC-03, que avalia a vacina CERVAVAC® (comercializada pelo Serum Institute of India Pvt. Ltd.), está a ser realizado na África do Sul, Quénia e Moçambique. Em Moçambique, o estudo é implementado pelo CISM, sob liderança da Investigadora Principal, Tacilta Nhampossa.


O estudo envolve mulheres dos 15 aos 25 anos de idade e prevê recrutar cerca de 150 participantes moçambicanas, num total de 450 mulheres incluídas nos três países. Esta iniciativa reforça a importância da vacinação contra o HPV, principal estratégia de prevenção primária do cancro do colo do útero, uma das principais causas de mortalidade por cancro entre mulheres na África Subsaariana. Sendo a infecção por HPV frequentemente assintomática e a imunidade natural limitada, as vacinas profilácticas representam uma ferramenta essencial para reduzir a carga da doença e contribuir para a eliminação do cancro do colo do útero.


Saúde da Mulher: um desafio prioritário em Moçambique

O Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, surgiu em 1987 durante o V Encontro Internacional Mulher e Saúde, realizado na Costa Rica. A data procura sensibilizar governos, instituições e comunidades para os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso à saúde, incluindo saúde sexual e reprodutiva, prevenção de doenças, acesso à informação e cuidados de qualidade.


Em Moçambique, o cancro do colo do útero continua entre as principais causas de morte por cancro em mulheres e está fortemente associado à infecção pelo HIV. O HIV enfraquece o sistema imunitário, tornando mais difícil eliminar o HPV, o que aumenta o risco de desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas e de progressão para cancro invasivo.


A vacina CERVAVAC pretende prevenir doenças relacionadas ao HPV, incluindo: cancro do colo do útero; Cancro vulvar, vaginal e anal; Verrugas genitais; Lesões pré-cancerígenas cervicais, vaginais e anais causadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.


A investigação representa um avanço importante para a saúde pública, sobretudo por focar-se em mulheres vivendo com HIV, um grupo frequentemente mais exposto a complicações associadas ao HPV.


Ensaios Clínicos que visam melhorar a saúde da mulher

O Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, celebrado a 20 de Maio, destaca o papel fundamental da investigação científica no desenvolvimento de vacinas, medicamentos e novas abordagens de saúde pública. A data homenageia o primeiro ensaio clínico documentado da história moderna, conduzido em 1747 pelo médico escocês James Lind, considerado pioneiro da investigação clínica.


No estudo SII-qHPV/MC-03 as participantes são acompanhadas durante 12 meses, realizando consultas médicas, exames físicos, testes laboratoriais, monitoria da carga viral do HIV, contagem de CD4 e análises imunológicas para avaliar a resposta do organismo à vacina. Sendo que o protocolo prevê a administração de duas ou três doses da vacina; Seguimento clínico contínuo; Monitoria de possíveis efeitos secundários; e Avaliação da produção de anticorpos contra o HPV.


O estudo revigora a importância da investigação científica centrada nas necessidades das mulheres moçambicanas e no fortalecimento de soluções sustentáveis para os desafios de saúde pública no país.


Ciência, inclusão e impacto

A inclusão de mulheres em investigação clínica é essencial para melhorar a saúde da mulher, pois permite gerar evidência mais adequada às suas necessidades. A participação em estudos ajuda a compreender melhor as doenças que as afetam e a desenvolver estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento mais eficazes e seguras.

Além de contribuir para o desenvolvimento científico internacional, o estudo poderá gerar evidências relevantes para futuras estratégias de vacinação e políticas públicas de prevenção do cancro do colo do útero em Moçambique e em África.


Para a Dr. Tacilta Nhampossa “o ensaio vem reafirmar o compromisso do CISM com a promoção da saúde da mulher, a investigação científica e o desenvolvimento de soluções que contribuam para reduzir o impacto das doenças preveníeis no país”.


Segundo a investigadora, estudos clínicos como este são essenciais para garantir que vacinas e tratamentos sejam seguros, eficazes e adaptados às realidades epidemiológicas das populações africanas. Além disso, contribuem para fortalecer a capacidade científica nacional e ampliar o acesso a inovações em saúde.

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