DA INVESTIGAÇÃO À ACÇÃO: PROTECT PARTILHA RESULTADOS COM OS DECISORES POLÍTICOS

Desde o ano passado, o estudo PROTECT está a ser implementado em quatro países africanos com o objetivo de estabelecer registos de gravidez, reforçar a vigilância da doença causada pelo Streptococcus do Grupo B (GBS) e avaliar a confiança nas vacinas e nos ensaios clínicos. Moçambique é um dos países onde o estudo está a decorrer em hospitais selecionados e os primeiros resultados já começam a surgir. Com estas evidências preliminares, os investigadores avançam agora para uma nova etapa, procurando garantir que os resultados contribuam para a formulação de políticas de saúde e para a melhoria da prática clínica, promovendo melhores resultados de saúde para mulheres grávidas e recém-nascidos.
Durante o mês de julho, os parceiros do PROTECT, o CISM e o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), realizaram diversas atividades para apresentar os resultados preliminares do estudo em Moçambique e discutir as suas implicações para o sistema nacional de saúde e para a prática clínica.
Primeiro momento: Encontro com o Ministério da Saúde, em Maputo
No dia 14 de julho, uma equipa de investigadores do CISM reuniu-se com representantes do Ministério da Saúde, entre os quais Leonildo Nhampossa, Diretor do Programa Alargado de Vacinação (PAV), e Marla Amaro, Diretora Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Família. A coordenadora do PROTECT no ISGlobal, Azucena Bardají, também participou no encontro, refletindo a estreita colaboração entre o ISGlobal e o CISM em diversos estudos na área da saúde materna.


Durante a reunião foram apresentados os avanços de vários estudos em curso, incluindo os resultados preliminares do PROTECT. Para partilhar a experiência da implementação dos registos de gravidez no Uganda, participaram virtualmente Eve Nakabembe, líder científica do PROTECT, e Gordon Rukundo, responsável pela componente dos registos de gravidez.
Os representantes do Ministério da Saúde manifestaram satisfação com o progresso alcançado pelo projeto e reiteraram o seu apoio às atividades em curso. A introdução de registos eletrónicos de gravidez despertou particular interesse, tendo sido discutidas oportunidades para integrar esta experiência nos planos governamentais de implementação de um sistema eletrónico de registos clínicos para a saúde infantil.
Segundo momento: Simpósio de Saúde Global
Entre 15 e 16 de julho, realizou-se o Simpósio de Saúde Global, organizado pela Fundação Manhiça, entidade gestora do CISM. A edição deste ano coincidiu com as comemorações dos 30 anos do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, transformando o simpósio num espaço de celebração da ciência e da investigação em saúde.
Ao longo das últimas três décadas, o CISM produziu evidências científicas que contribuíram para orientar políticas nacionais de saúde em Moçambique, apoiando a introdução e a otimização de vacinas contra a malária, pneumococo, rotavírus, HPV e COVID-19. O evento reuniu investigadores, profissionais de saúde, estudantes e decisores políticos, contando com a presença da Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levy, e do Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse.
A rede PROTECT esteve amplamente representada no simpósio, com a apresentação de três posters científicos que destacaram o trabalho desenvolvido pelo consórcio. Além disso, dois investigadores do CISM, Tacilta Nhampossa e Sergio Massora, apresentaram comunicações científicas relacionadas com os estudos em que participam, incluindo o PROTECT.
Os posters apresentados destacaram os principais resultados alcançados pelo estudo até ao momento, evidenciando o potencial do projeto para reforçar a saúde materna e neonatal.
O simpósio constituiu uma oportunidade privilegiada para estabelecer diálogo com investigadores, profissionais de saúde e decisores políticos, promovendo a partilha de evidências científicas e reforçando a ligação entre investigação e políticas públicas.
Os investigadores do CISM, em colaboração com parceiros do Quénia, Malawi e Uganda, mantêm o compromisso de concluir as fases finais do estudo, fortalecer as parcerias com os diferentes intervenientes da investigação e da formulação de políticas, e continuar a disponibilizar evidências científicas que contribuam para melhorar a saúde das mulheres grávidas e dos seus bebés.




