ENTENDER O COMPORTAMENTO DO MOSQUITO, PARA ACABAR COM A MALÁRIA

Atualizado: 20 de mar.


Técnica anterior de alimentação de mosquitos, braço.
O Estabelecimento de um laboratório de entomologia no CISM, seus desafios e perspectivas

Há 25 anos quando foi criado o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, CISM, o Centro apostou em dar o seu contributo na luta contra a malária, já considerada como um dos principais problemas de saúde pública do país, desenvolvendo programas de pesquisa que contribuíram para o avanço do conhecimento e, em alguns casos, influenciaram as políticas nacionais e globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Nos seus inícios, a pesquisa do Centro esteve mais centrada a componente epidemiológica da doença, porém, em 2014, com o início do Programa MALTEM, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e Fundação “la Caixa, o Centro teve a oportunidade de introduzir uma nova área de conhecimento, a entomologia.


De uma forma geral, a entomologia é o estudo dos insectos. No Centro, esta unidade laboratorial está focada no papel dos mosquitos na transmissão de doenças aos humanos, no monitoramento da eficácia de ferramentas de controlo de vetores. Procurar perceber o papel dos mosquitos na transmissão de doenças aos humanos implica a vigilância de vectores da malária com o objectivo de avaliar a composição, densidade, comportamento alimentar e de repouso (quando e onde os mosquitos picam e repousam), e a suscetibilidade aos insecticidas. Por sua vez, o monitoramento da eficácia de ferramentas de controlo de vectores implica a avaliação por exemplo da eficácia da pulverização intradomiciliar, assim como das redes mosquiteiras tratadas com insecticida após serem implementadas pelo Programa Nacional de Controlo da Malária.

Dr. Krijn Paaijmans, PI de Entomologia, numa reunião com a Equipa

A equipa de entomologia do Centro é coordenada desde a sua implantação no Centro, pelo Krijn Paaijmans, Investigador Principal da unidade (filiado ao CISM e ISGLOBAL) e professor na Arizona State University, e conta neste momento com 28 colaboradores.


Entre as principais actividades levadas a cabo pela equipa, destacar a chamada “inteligência entomológica” que visa orientar as políticas de controlo de vectores, a avaliação de ferramentas complementares de controle de vetores, como o impacto de larvicidas, melhorias habitacionais para reduzir a abundância de mosquitos, e a testagem de novos ingredientes activos que poderão ser usados ​​na próxima geração de ferramentas de controle vetorial.


“A instalação desta unidade foi desafiante, pelo facto de existirem poucas referências de unidades laboratoriais no nosso país, mas também porque, no próprio Centro não havia nem local, nem equipamentos adequados para a criação de mosquitos, revela, Albino Vembane supervisor de campo na sub-área de entomologia, e acrescenta que "uma vez minimamente instalados, tínhamos também, insuficiência de insumos para a alimentação dos próprios mosquitos, pois não tínhamos sistemas artificiais de alimentação para mosquitos, tendo que nós mesmos (o Dr. Carlos Chacoour e Eu) alimentá-los usando o braço”.


“A falta de formação específica para entomologistas em Moçambique, é outro desafio que esta área enfrenta, e que levou ao CISM a investir na formação de vários colaboradores da unidade para que possam responder as necessidades impostas. Como eu, vários fomos os que se beneficiaram dessas formações a vários níveis, desde cursos de curta duração até mestrado” refere-se Mara Máquina, actual gestora de entomologia. Máquina acrescentou que foi graças a formação, exposição e ao tempo, que adquiriu experiência necessária, para que hoje por sua vez, contribua não só para a expansão das capacidades de entomologia em outros sites, como foi o caso a montagem de um laboratório de entomologia em Mopeia, Província da Zambézia, mas também para a capacitação do pessoal e criação de laboratórios de entomologia de organizações parceiras do CISM.


Entretanto, apesar do crescimento notório desta unidade que actualmente consolidou a sua relevância para o decurso dos estudos sobre a malária no país, nem todos compreendem realmente o seu significado, poré