IVERMECTINA, UMA ALTERNATIVA AO CONTROLO VECTORIAL?


Carolline Kiuru, pesquisadora do CISM

Uma estratégia implementada pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) em coordenação com o ISGlobal sob financiamento da UNITAID no distrito de Mopeia, no âmbito do projecto BOHEMIA, está a avaliar a eficácia da administração da Ivermetina, que é um endectocida, ou fármaco com um perfil de segurança excelente que pode eliminar ectoparasitas e endoparasitas, assim como mosquitos que se alimentam de humanos ou animais que foram alvo do tratamento, limitando assim a transmissão da malária.


Segundo Carolline Kiuru, pesquisadora do CISM “este fármaco, pode matar os mosquitos independentemente de seus padrões de picada ou do seu tempo de picada, pois uma das premissas do BOHEMIA é que os mosquitos estão a evitar o contacto com as redes mosquiteiras e paredes pulverizadas com insecticidas preferindo picar no exterior das casas, alterando os seus horários de maior actividade. E no âmbito deste projecto, realizamos uma Administração Massiva de Medicamentos, para avaliar o impacto desta administração numa época em que se regista o pico de casos de malária no distrito”.


Ainda segundo a pesquisadora, “o nosso objetivo com esta intervenção é contribuir para optimização das ferramentas actuais de controlo vectorial e a expansão dessa caixa de ferramentas, adoptando novas, como é o caso da Ivermectina”. “As principais medidas preventivas contra os vectores da malária são, as redes mosquiteiras tratadas com insecticida, pulverização Intra-Domiciliária (PIDOM). Porém, ambos são baseados no uso de insecticidas e atingem os mosquitos dentro de casa e actualmente, aumentam os casos de resistência aos inseticidas provocando desafios a estes métodos de controlo vectorial, daí a necessidade do desenvolvimento de pesquisas para obtenção de novas ferramentas, uma delas, é o uso de Inseticidas sistémicos e endectocidas, como é o caso da ivermetina” complementou.


O distrito de Mopeia, onde é implementado o projecto BOHEMIA, localiza-se a Sul da província da Zambézia e segundo dados do Programa Nacional do Controlo da Malária (PNCM), possui um peso elevado de malária com prevalência estimada de aproximadamente 60% em crianças menores de cinco anos. Segundo explicou a Caroline Kiuro, “o distrito é caracterizado por planícies e zonas pantanosas usadas para cultivo de arroz e os mosquitos Anopheles funestus s.l. e Anopheles gambiae s.l. são os vectores predominantes no distrito”.


Caroline, falava no âmbito de um Webinar organizado a 19 de Agosto do corrente ano pelo CISM e o PNCM, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde (INS) e Abt Associates, alusivo ao Dia Mundial do Mosquito, celebrado anualmente a 20 de Agosto. Para além da Caroline, o webinar contou com a participação dos oradores Mara Máquina (CISM), Ana Paula Abílio (INS) e Caroline Kiuru (CISM) e de Nelson Cuamba (PNCM/Abt Associates), sob moderação da Dulcisária Marrejo (PNCM).

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