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O LEGADO DO PAMAFRICA: COLABORAÇÃO PARA NOVOS TRATAMENTOS EREFORÇO DA LIDERANÇA EM INVESTIGAÇÃO

O consórcio PAMAfrica decorreu entre 2020 e 2025
O consórcio PAMAfrica decorreu entre 2020 e 2025

Ao contrário dos financiamentos tradicionais centrados num único ensaio, o consórcio PAMAfrica implementou um portefólio coordenado de estudos clínicos que responderam a necessidades urgentes no tratamento da malária na África Subsaariana. Até à conclusão da parceria África–Europa, em Dezembro de 2025, o projecto realizou três ensaios multicêntricos em países endémicos, ao mesmo tempo que reforçou a liderança africana em investigação e criou bases sólidas para futuras colaborações e inovação.


O PAMAfrica foi cofinanciado pelo programa Parceria entre a Europa e os Países em Desenvolvimento para Ensaios Clínicos (EDCTP2), com apoio da União Europeia e da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Sida), e coordenado pela Medicines for Malaria Venture (MMV). O consórcio reuniu parceiros africanos do Burkina Faso, Gabão, Moçambique e Uganda, bem como parceiros europeus da Alemanha, Espanha e Suíça, promovendo uma colaboração científica verdadeiramente internacional.


Ensaios clínicos que respondem a necessidades urgentes

Entre os principais resultados destaca-se o ensaio CALINA, que avaliou uma nova formulação de arteméter-lumefantrina (AL) da Novartis, permitindo desenvolvimento do Coartem® Baby – o primeiro tratamento de malária especificamente indicado para lactentes com peso entre 2 e 5 kg. Em Fevereiro de 2025, o Gana tornou-se o primeiro país africano a aprovar este tratamento, com subsequente lançamento no mesmo ano, e com aprovações adicionais previstas noutros países africanos.


O estudo de Fase 2 KARISMA avaliou a eficácia, segurança e tolerabilidade do cipargamin intravenoso (da Novartis), em comparação com o actual padrão de tratamento da malária grave – artesunato injectável – em adultos e crianças. O estudo atingiu o seu desfecho principal, demonstrando que o cipargamin intravenoso não é inferior ao artesunato intravenoso no tratamento da malária grave em adultos e crianças, e apresentando resultados promissores que sustentam o seu desenvolvimento contínuo.


Adicionalmente, o estudo CAPTURE 1 confirmou a prova de conceito de uma nova combinação terapêutica cabamiquina-pironaridina (da Merck KGaA), evidenciando eficácia e um perfil de segurança aceitável. Esta abordagem representa um avanço importante rumo a alternativas sem artemisinina, num contexto crescente de resistência aos tratamentos actuais.


Equipa do CISM que beneficiou de uma das formações promovidas no âmbito do SINDOFO. Da esquerda à direita Abel Nhama, Vasco Sambo, Jéssica Dalsuco e Campos Mucasse.
Equipa do CISM que beneficiou de uma das formações promovidas no âmbito do SINDOFO. Da esquerda à direita Abel Nhama, Vasco Sambo, Jéssica Dalsuco e Campos Mucasse.
Reforço de capacidades e liderança científica africana

Para além dos avanços científicos, o PAMAfrica integrou uma forte componente ao reforço de capacidades, liderada pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), em colaboração com a MMV e o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal). Esta iniciativa apoiou investigadores e instituições africanas envolvidas nos ensaios, contribuindo para o fortalecimento sustentável do ecosistema de investigação.


O consórcio trabalhou em estreita colaboração com o projecto SINDOFO, igualmente financiado pelo EDCTP2, para desenvolver e implementar iniciativas de reforço de capacidades que beneficiaram cientistas de ambos os projectos. Esta parceria permitiu maximizar sinergias entre as redes dos dois consórcios e reforçar ecossistema da investigação, através de investimentos estratégicos em formação.


Combinando formação académica de longo prazo – que apoiou seis estudantes de mestrado e cinco de doutoramento – com um conjunto de formações específicas em investigação clínica, o consórcio contribuiu para o fortalecimento das trajectórias individuais de carreira e das capacidades institucionais necessárias à condução de ensaios clínicos de elevada qualidade. No total, estas iniciativas abrangeram 961 investigadores, dos quais 36% eram mulheres.


“Estes investimentos foram fundamentais para a execução bem-sucedida dos estudos do PAMAfrica e contribuíram para posicionar os investigadores africanos e as instituições parceiras como actores-chave na liderança de futuras parcerias de investigação em malária”, afirma o Dr. Eusébio Macete, responsável pela componente de reforço de capacidades do PAMAfrica. “Todos os estudantes de mestrado estavam a frequentar cursos em Bioestatística – uma área com défice histórico de capacidade na África Subsaariana. Até 2025, cinco estudantes concluíram a sua formação, estando o sexto previsto para 2026, sendo que todos se encontram actualmente a contribuir para o reforço das suas instituições.”


Um relatório recentemente concluído sobre lições aprendidas sistematiza os principais ensinamentos desta componente, incluindo recomendações práticas sobre sustentabilidade, equidade, mentoria e promoção da futura liderança científica africana. Este relatório está a ser desenvolvido em formato de artigo, em colaboração com a Associação EDCTP, com objectivo de fornecer orientações práticas a investigadores, financiadores e parceiros envolvidos na concepção de futuras iniciativas de reforço de capacidades.

Sobre o PAMAfrica
Foto: MMV
Foto: MMV

O consórcio PAMAfrica decorreu entre 2020 e 2025, reunindo um conjunto diversificado de instituições, incluindo duas organizações públicas de investigação, quatro organizações privadas de investigação, uma instituição académica, duas empresas farmacêuticas e uma parceria de desenvolvimento de produtos. Uma das suas característica distintivas foi diversidade regional e linguística, integrando parceiros de contextos anglófonos, francófonos, lusófonos e germanófonos, bem como uma ampla representação de línguas locais dos países participantes.


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