PESQUISADORES DO CISM E DO ISGLOBAL VALIDAM UM NOVO TESTE MOLECULAR PARA DETECTAR CASOS DE TB


Equipa TB do CISM

Os resultados confirmam que o 'Xpert Ultra' é uma ferramenta de primeira linha em condições de rotina e é eficaz em diferentes contextos

O teste molecular 'Xpert Ultra' tem uma capacidade maior que o seu antecessor ('Xpert MTB / RIF') na detecção de casos de tuberculose, tanto passivamente (ou seja, pessoas que vão ao hospital com sintomas da doença) ou activamente (em busca de possíveis casos na comunidade entre contactos de casos). Esta é a principal conclusão de um estudo realizado pelo ISGlobal, instituição apoiada pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), publicado no European Respiratory Journal.


A tuberculose (TB) é a principal causa de morte por agente infeccioso em todo o mundo. Em 2019, estima-se que 1,4 milhão de pessoas morreram e 10 milhões de pessoas adoeceram de tuberculose, embora apenas 70% dos casos tenham sido diagnosticados.


“A maioria dos Programas Nacionais de Controlo da Tuberculose concentra-se na detecção de casos que vão ao hospital, que tendem a ser mais graves, mas há muitos casos com nenhum ou poucos sintomas que não são registados”, afirma Alberto García-Basteiro, pesquisador do ISGlobal e do CISM e último autor do estudo. “Se quisermos atingir as metas da iniciativa End TB, precisamos desenvolver novas ferramentas diagnósticas capazes de identificar os pacientes em estágios iniciais da doença, com cargas bacterianas mais baixas, e que possam ser implantadas no ponto de atendimento do paciente”, acrescenta.


A equipa liderada por García-Basteiro realizou um estudo de campo para comparar o desempenho de dois testes moleculares: o Xpert, desenvolvido em 2010, e a sua versão melhorada, o Xpert Ultra, desenvolvido há três anos e capaz de detectar menores quantidades de DNA. Os investigadores usaram a mesma amostra de escarro para comparar os dois testes e realizaram culturas bacterianas líquidas como referência para os dois testes. O estudo foi realizado no distrito da Manhiça, região com elevada prevalência de TB e HIV, em duas coortes: uma de pacientes atendidos em serviços de saúde com sintomas compatíveis com a TB, e outra coorte do estudo Xpatial-TB, que realizou uma busca activa de casos de TB neste distrito.


Os resultados mostram que, na coorte de pacientes atendidos voluntariamente em centros de saúde (cerca de 1.400 pacientes), o teste Ultra foi consideravelmente mais sensível que o Xpert (ou seja, detectou mais casos), embora a sua especificidade fosse um pouco menor. Entre a coorte de contactos de casos, a incidência era muito menor, mas mesmo assim o Ultra conseguiu detectar casos que não foram detectados pelo Xpert, ou pela cultura líquida, provavelmente por terem uma carga bacteriana muito baixa. A especificidade de ambos os testes foi semelhante neste cenário.


“Este estudo é o maior até ao momento, comparando o desempenho do Xpert Ultra e do Xpert com a mesma amostra de escarro proveniente de actividades diagnósticas de rotina ou de busca activa de casos”, disse Belén Saavedra, microbiologista do ISGlobal e primeira autora do estudo. “O teste Ultra pode ajudar-nos a identificar casos assintomáticos em estágios iniciais da doença, o que permitiria agir de forma mais efectivas para interromper a transmissão na comunidade”, completa. Os autores concluem que o teste Ultra é uma ferramenta de primeira linha para o diagnóstico de TB em diferentes contextos.


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