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TUBERCULOSE: IMPLEMENTADO PRIMEIRO ESTUDO DE SEQUENCIAÇÃO GENÓMICA

Atualizado: 19 de dez. de 2023

É o primeiro estudo de sequenciação genómica de base populacional a caraterizar o perfil de resistência aos medicamentos anti tuberculose e a identificar mutações que escapam aos testes de diagnóstico de rotina.  

Uma percentagem de doentes com tuberculose resistente à medicamentos recebe um tratamento ineficaz devido a uma falha no diagnóstico molecular rápido, de acordo com uma análise genómica realizada pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), sob a coliderança do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e do Instituto Valenciano de Biomedicina (IBV). Os resultados da análise, indicam que é necessário desenvolver novos testes moleculares para detectar maior número de mutações que conferem resistência aos medicamentos de primeira linha.

Xpert Ultra não detecta a resistência à isonoazida

Moçambique é um dos países com maior número de casos de tuberculose resistente aos medicamentos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a utilização do teste molecular Xpert Ultra para identificar mutações que conferem resistência à rifampicina, um dos medicamentos de primeira linha. No entanto, o teste não detecta outra mutação que também confere resistência ao medicamento, que foi recentemente identificado em Eswatini e na África do Sul, dois países que partilham fronteira com o sul de Moçambique. Além disso, o teste não detecta a resistência à isonoazida.


Neste estudo, as equipas do ISGlobal, CISM e IBV, colaboraram para avaliar a presença desta e de outras mutações que conferem resistência aos fármacos anti-TB na região. Para isso, sequenciaram todo o genoma da bactéria (M. tuberculosis) de mais de 600 amostras de doentes recolhidas durante dois estudos (um em 2018 e outro em 2014) no distrito da Manhiça.

Resistência aos medicamentos anti-TB de primeira linha, mas não aos medicamentos mais recentes

12,7% das amostras (78 de 612) apresentavam uma ou mais mutações que conferiam resistência aos medicamentos de primeira linha (rifampicina e isoniazida) e/ou aos medicamentos de segunda linha. 10% das estirpes eram resistentes à isoniazida e 4% eram resistentes à rifampicina, os principais medicamentos de primeira linha. A mutação detectada em Eswatini e na África do Sul foi encontrada numa estirpe, mas é provável que tenha surgido localmente. A análise encontrou duas mutações adicionais que conferem resistência à rifampicina e que também escapam ao teste Xpert/Ultra. Além disso, foi detectado um elevado número de casos resistentes à isoniazida, que o teste também não detecta.


A boa notícia é que não foram encontradas na região mutações associadas à resistência a dois novos medicamentos para a TB-MDR, embora um estudo recentemente publicado por outro grupo tenha encontrado um aumento da resistência à bedaquilina.

É necessária uma maior vigilância

"A estirpe que tem estado a circular em Eswatini e na África do Sul não parece ter-se espalhado substancialmente para a região da Manhiça, mas encontramos indícios de que estirpes com outras mutações estão a ser transmitidas entre Moçambique e outros países da região", diz Inãki Comas, investigador do IBV. "Observamos a circulação de estirpes resistentes à isoniazida, mas não de estirpes resistentes à rifampicina, que o Xpert/Ultra não detecta", acrescenta. Por conseguinte, os autores sublinham a necessidade de aumentar a vigilância e de alargar as mutações visadas para além das detectadas pelo teste Xpert/Ultra.


"Os nossos resultados fornecem os dados mais recentes sobre a prevalência da resistência antimicrobiana do Mycobacterium tuberculosis nesta região", afirma Alberto García-Basteiro, investigador do ISGlobal e responsável da área de TB e HIV/SIDA do CISM.


A tuberculose é a doença infecciosa que causa mais mortes no mundo. Em 2022, foi responsável por cerca de 10 milhões de casos e 1,3 milhões de mortes, e cerca de 400 000 pessoas desenvolveram tuberculose resistente a um ou ambos os medicamentos de primeira linha.


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